Camila Anauate/AE
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Cenário bucólico e um doce sabor de anis

Ilustre desconhecida até dos franceses, Flavigny mantém a tradição da produção de balinhas

Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2009 | 02h16

Flavigny-sur-Ozerain surge em meio a bosques verdes onde pasta o gado charolês. As torres da igreja, os telhados radiantes de sol e parte das muralhas cobrem o alto da colina. Assim, de longe, parece uma tela. O carro então para em uma das curvas da estrada: inevitável registrar essa primeira imagem, ainda que a quilômetros de distância.

As curvas seguem revelando outros ângulos até a entrada da cidadezinha francesa, na região da Borgonha. A partir daí, o turista descobre Flavigny caminhando. Sobe e desce ladeiras de paralelepípedo espremidas entre casebres de pedra. Flores coloridas nas fachadas. Portas baixinhas, todas trancadas. Faz frio. Ninguém nas ruas - Flavigny não tem mais que 300 habitantes -, a não ser as duas senhoras que arriscam um passeio com o vira-lata.

A segunda imagem dá a impressão de que a vila ficou perdida nos tempos medievais. Uma ruela leva à igreja, na praça principal. De repente, um déjà vu. A praça é o cenário do filme Chocolate (2000), estrelado por Juliette Binoche, a forasteira que abriu uma loja de chocolates na conservadora cidade.

 

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linkProvocante 'Chocolate'

Flavigny é assim cenográfica, mas foi por outro doce que se tornou mundialmente famosa: as balas de anis, vendidas também no Brasil. A tradição vem de 1591, quando monges começaram a fabricar a guloseima na Abadia de Flavigny. Depois da Revolução Francesa, diversas famílias locais decidiram continuar a produção. A de Catherine Troubat, Les Anis de Flavigny, é hoje a única que mantém a fábrica na abadia, seguindo à risca a receita original.

Catherine é a quarta geração dos Troubat à frente da produção - são 250 toneladas de balinhas por ano. É ela quem guia os visitantes pela fábrica. Mostra os centrifugadores onde o grão de erva doce recebe sucessivas camadas de açúcar e, depois, os aromas de rosa, alcaçuz, menta, violeta e limão. Os doces são embalados em latinhas com desenhos inspirados numa história de amor. Na loja da fábrica, cada uma custa 2,30 (R$6). A venda dos anis de Flavigny patrocina a restauração de ruínas romanas descobertas na abadia.

COMIDA CASEIRA

Depois de bater perna pelas ladeiras de Flavigny, mate a fome no restaurante La Grange des Quatre Heures, o mais famoso da vila, bem ao lado da igreja. Comandado por 13 mulheres da comunidade, serve comida caseira simples e muito saborosa, feita com os produtos fresquinhos da fazenda.

"Cozinhamos aqui como em casa", conta Marie Françoise Conthier, membro da cooperativa. Ela lembra que o restaurante nasceu como um pequeno mercado e foi crescendo com os pedidos da clientela para o almoço. Depois da deliciosa salada verde com queijo de cabra e do frango assado, as balinhas de anis, com suas propriedades digestivas, serão muito bem-vindas.

Les Anis de Flavigny: www.anis-flavigny.com

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