Samia Mazzucco
Intervenção em rua do "bairro" da vida real coloca Lenu na janela Samia Mazzucco

Cenário real: a Nápoles de Elena Ferrante

Percorremos as ruas do 'bairro' que serve de cenário à tetralogia da escritora italiana, que conta a história das amigas Lila e Lenu

Samia Mazzucco, Especial para o Estado

24 de novembro de 2019 | 07h00

O ano era 2017, estava pedindo indicações do que ler nas férias e uma amiga decretou: "Você precisa ler Elena Ferrante". Acatei a sugestão, embarquei com o primeiro exemplar da tetralogia napolitana debaixo do braço e terminei A Amiga Genial em poucos dias. Fui atingida pela mundial “febre Ferrante”, que já vendeu milhões de livros, e fiquei absolutamente obcecada em ler o segundo. Como viver sem saber o que acontece em seguida a esse casamento?

Os romances relatam de forma crua e direta a amizade iniciada na infância de Elena Greco (Lenu), a narradora, e Raffaella Cerullo (Lila ou Lina), que atravessa 60 anos em meio a transformações e acontecimentos, delas e do mundo, como o feminismo, o machismo e a luta de classes. A relação eternamente dúbia entre as duas, de necessidade e repulsa, amor e ódio, briga e paz, inicia-se na periferia pobre e violenta de Nápoles, onde elas cresceram após a Segunda Guerra Mundial.

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E é este bairro, que deixa marcas nas personalidades das personagens por toda a vida, justamente um dos cenários que gera fascínio entre os leitores. A boa notícia é que ele é real, é possível visitá-lo de graça e, ali, a ficção se materializa diante dos olhos.

Está lá o túnel de três bocas que, quando crianças, Lila e Lenu atravessaram de mãos dadas para conhecer o mar, aonde nunca chegaram. Este episódio dá sinais dos rumos que cada uma seguiria: Lenu se delicia ao soltar as amarras daquela vida miserável, enquanto Lila quer voltar. A escola, onde a permanente competição e inveja entre as amigas foi ganhando forma e se acirrando ao longo do tempo, também está lá, ao lado da igreja do bairro, cenário de acontecimentos como (alerta de spoiler) o assassinato dos mafiosos irmãos Solara em sua escadaria.

Fora dos limites do bairro é possível explorar uma outra Nápoles retratada nos livros. No roteiro, a elegante área de Chiaia, onde os rapazes do bairro arrumaram briga com jovens ricos, o Lungomare, em que Lenu se deslumbrou ao ver o mar pela primeira vez, e a Via Toledo e o Rettifilo, sempre cheios de gente e lojas movimentadas.

Além do fascínio que a história exerce, há ainda o fato de que a verdadeira identidade da autora é conhecida apenas por seus editores italianos. Desde a década de 90 ela publica sob o mesmo pseudônimo na editora Edizioni E/O. Até hoje, Ferrante concedeu parcas entrevistas por e-mail e apenas uma pessoalmente, para seus editores, é claro, publicada na revista literária The Paris Review em 2015. Nessa rara oportunidade, ela explica porque não aparecer é importante para seu trabalho: “O vazio criado pela minha ausência foi preenchido pela própria escrita”.

Não só pela escrita, mas pela possibilidade de se impressionar ainda mais ao conhecer cenários reais que ela descreve com tanto detalhismo, como você pode ver a seguir.

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Capítulo 1: O bairro

Rione Luzzatti - ou simplesmente 'o bairro' - ainda preserva os elementos descritos pela autora em seus livros. E ganhou intervenções com os personagens da série da HBO

Samia Mazzucco, Especial para o Estado

24 de novembro de 2019 | 06h50

Se nos livros da tetralogia de Elena Ferrante parece haver um ímã que não deixa os personagens irem embora, hoje em dia os turistas podem chegar e sair de onde eles moravam sem a menor dificuldade. Bastam cinco minutos. Este é o tempo que demora o trajeto de trem (que custa € 1,30 na Trenitalia) entre a estação central de Nápoles, na praça Garibaldi, e a estação de Gianturco, onde fica o Rione Luzzatti. Ou, simplesmente, “o bairro”.

É verão em Nápoles e o ar-condicionado dentro do vagão aplaca os 30 graus do lado de fora. Tal qual descrito nos livros, a paisagem vista pelas janelas desse curto caminho rapidamente se transforma, deixando para trás o movimentado centro da cidade e se aproximando de uma área com antigos galpões de fábricas, muros cinza pichados e prédios de cores pastéis não tão bem conservados. O alto-falante anuncia a fermata (parada) e o bafo quente abraça o corpo ao sair do vagão. Chegamos ao bairro.

Apesar de a estação ter aparecido desde o início da história, nos anos 50, ela não tem nada de antiga e a construção moderna parece ter sido reformada há pouco tempo. Uma grande porta de entrada, envidraçada do chão ao teto, tem estampado um adesivo com a foto das protagonistas da tetralogia, Lila e Lenu, ainda crianças, brincando. Trata-se, na verdade, de uma foto das atrizes (Ludovica Nasti e Elisa Del Genio, respectivamente) que interpretaram as personagens na série da HBO, que adaptou de forma fidelíssima o primeiro livro, A Amiga Genial. A próxima temporada, baseada no segundo livro, História do Novo Sobrenome, tem estreia marcada para 2020.

A partir da estação, basta caminhar uns poucos metros para chegar ao marco que limita o bairro. Sim, diante dos olhos está o túnel de três entradas sob o trilho do trem. A pista do meio é a única em que passam carros; as das laterais, com algumas pichações nas paredes, são para pedestres, resumidos a uns poucos idosos carregando sacolas e carrinhos de compras recém-feitas no mercado. E se na história o objetivo de Lenu era cruzá-lo de vez para fugir da vida violenta e miserável do bairro, fazer o caminho inverso para

entrar nele emociona pelo simbolismo.

O Estradão

Chegando à luz no fim do túnel fica-se frente a frente com o Estradão - na verdade, uma via de mão  dupla chamada Emanuele Gianturco. Nela há não um, mas dois postos de gasolina, um de cada lado da rua. 

O túnel e o Estradão causam impacto à primeira vista por representarem tanto a história. Mas é ao virar na primeira rua à direita do Estradão, a via Beato Leonardo Murialdo, que o bairro se materializa por completo. Nesse momento, a impressão é de ter entrado em uma máquina do tempo literária e desembarcado dentro dos livros, em plena década de 50. Dá quase para acreditar que Lenu e Lila passarão com suas bonecas correndo pela rua, a mesma que cruzavam todos os dias a caminho da escola fundamental.

Impressiona como a descrição de Ferrante é detalhada e fidedigna. A arquitetura e o ambiente desprovido de cuidados descritos em sua narrativa seguem ali, intactos. Os prédios, construídos para abrigar famílias desabrigadas após a Segunda Guerra Mundial, são todos de quatro andares, a maioria com pinturas descascadas nas cores salmão ou verde claro. Nas sacadas e janelas, varais suspensos com roupas secando ao vento, algo comum não só em Nápoles, mas em toda a Itália. Além, é claro, do lixo pelas ruas esperando para ser recolhido, outra característica típica da cidade.

Caminhando pelas ruas mais detalhes descritos na tetralogia vão se revelando. Vários prédios ocupam um mesmo terreno, com um pátio e um portão de entrada comuns, como se fossem minicondomínios, conforme retratado também na série da HBO. Em absolutamente todos os edifícios, não só no de Dom Achille, há aberturas gradeadas nas paredes rentes ao chão, como se fossem “janelas” dos porões, perfeitas para bonecas serem jogadas lá no fundo. 

Escola e igreja

Na via Mario Freccia, duas construções muito presentes na história se apresentam, lado a lado: a escola fundamental e a igreja. É época de férias, a rua está deserta e a escola, que na realidade se chama Scuola Elementare Quattro Giornate, fechada e vazia. O único sinal que imita alguma vida são as intervenções na parede que dá acesso ao portão, com imagens coladas das protagonistas da série e de crianças em uniformes como se estivessem caminhando em direção à entrada. A HBO não confirma, mas também não desmente, que foi o canal o responsável pelas aplicações por todo o bairro. Fato é que as imagens ajudam a visualizar como seriam as amigas no início de sua vida escolar, quando começaram a ter seus talentos reconhecidos pela professora Oliviero. 

A igreja da Sagrada Família, onde Lila se casou em uma longa cerimônia, está fechada, costume em pequenos bairros do país, que só abrem as portas para as missas de domingo. Os “jardinzinhos” ao lado da igreja em que as protagonistas liam fotonovelas quando crianças, no entanto, se chegaram a existir não estão mais lá. Não há área verde ao redor, apenas quadras de esportes e um parque de recreação infantil cercado por muros.

A poucos metros dali fica a praça do bairro, Piazza Francesco Coppola, arborizada e com duas carrocinhas encostadas em uma de suas esquinas, uma de peixe fresco e outra de lanches. A possível clientela, porém, é mínima e ninguém compra nada. Alguns poucos idosos sentados nos bancos da praça jogam conversa fora em dialeto napolitano enquanto aproveitam a sombra das árvores. Um grupo de jovens montados em suas vespas, no melhor estilo Solara, conversa mais animadamente.

Os prédios dessa área são levemente mais bem cuidados e com alguns detalhes nas fachadas um pouco diferentes do resto do bairro. Um deles, inclusive, tem uma foto de Lenu adolescente ocupando toda uma janela, de olho na praça. Mas, de acordo com as descrições dos livros, as casas dela e de Lila eram no Estradão, e não nos edifícios da praça, onde provavelmente seria maior a chance de morarem os Carracci ou os mafiosos Solara.

E falando na família toda poderosa, avista-se na esquina oposta à praça um bar chamado Parisi, que facilmente poderia se chamar Solara. Tipicamente italiano, o estabelecimento ostenta um letreiro com propaganda de marca de café, item indispensável em qualquer cardápio no país, além de bebidas alcoólicas e croissants doces, expostos em uma vitrine externa. 

Biblioteca

Bem em frente ao bar, do outro lado da rua, fica a Biblioteca Popolare Rione Luzzatti. Na ficção, as amigas são frequentadores assíduas da biblioteca do bairro, chefiada pelo professor Ferraro. Em especial, Lila, que para poder ler mais livros ao mesmo tempo faz cadastros de toda a sua família. Fechado por conta das férias, o prédio também tem sua fachada marcada por imagens das protagonistas e do professor, além de uma séria professora Oliviero na janela.

Tomando o rumo de volta pelo Estradão, a vista alcança além das fronteiras do bairro, do outro lado da ferrovia, onde se veem prédios um pouco menos velhos e com mais andares. Pelas descrições dos livros, é nessa região que fica o bairro novo, local em que Lila foi morar após se casar com Stefano Carracci, em um apartamento próprio com água quente, banheira e vista para o Vesúvio.

É hora de atravessar o túnel, desta vez para ir embora do bairro - como era o grande desejo de Lenu. Mas, diferentemente dela, já com vontade de voltar.

 

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Capítulo 2: Fora dos limites do bairro

As referências à obra de Ferrante seguem no movimentado centro napolitano

Samia Mazzucco, Especial para o Estado

24 de novembro de 2019 | 06h50

Desbravado o bairro, é hora de romper suas barreiras e seguir para o centro de Nápoles, palco de tantos outros cenários e acontecimentos da tetralogia. Os itinerários possíveis pelas histórias dos livros são muitos, e um deles é embarcar no trem de volta (€ 1,30) tendo como destino final a estação Praça Amedeo, começando o passeio na elegante região de Chiaia.

O contraste com o que acabou de ser ver no bairro é como sombra e luz. A única semelhança são as pinturas dos prédios em tons pastéis - aqui, porém, elas parecem frescas. A arquitetura é clássica, com sacadas ornadas com plantas e flores, não varais. As ruas são limpas, as mulheres bem vestidas e parecem, como descreveu Lenu quando passeou por ali pela primeira vez com Lila, Carmela, Rino e Pasquale, “ter aprendido a andar sobre fios de vento”. Foi nesse passeio, em um domingo à noite, que os meninos se envolveram em uma briga com garotos ricos, só se salvando depois de serem ajudados pelos irmãos Solara, que passavam de carro pelo local.

É nessa região que fica a refinada Piazza dei Martiri, onde ficava a loja de sapatos desenhados por Lila e confeccionados por seu pai e seu irmão. Aberta pelos irmãos Solara em sociedade com o marido de Lila, Stefano Carracci, o estabelecimento ostentava na porta um luminoso letreiro com o sobrenome dos mafiosos e, em seu interior, um enorme painel com uma foto de Lila vestida de noiva, porém escondida sob colagens de cartolinas coloridas. Do letreiro e do painel não há sinal algum por ali, mas as lojas de marcas de luxo mundiais circundam o obelisco com estátuas de leões de pedra.

O Lungomare

Dali, vale seguir caminhando em direção ao mar e explorar o Lungomare, uma calçada ao longo da orla, e admirar as águas geralmente calmas e cristalinas do Mediterrâneo, cenário diferente do mar agitado quando Lenu o viu pela primeira vez. O sol escaldante é um convite a dar um mergulho, o que muitos fazem, transformando pedras e calçadas em praia. Há quem prefira apenas caminhar sentindo o vento no rosto, mesmo sem uma sombra para amainar o calor. Entre essas pessoas vem vindo uma senhora com uma perna mais curta do que a outra, conversando animadamente com outras duas mulheres. Impossível não pensar na mãe de Lenu. Há momentos em que Nápoles parece querer mostrar que a ficção pode ser realidade.

No caminho avista-se o Castelo do Ovo, o mais antigo da cidade. A construção avança mar adentro, com as águas batendo em suas paredes. Tomado por vários povos que dominaram a região ao longo dos séculos, é possível visitá-lo de graça. Exatamente do outro lado da rua fica o conceituado Hotel Royal Continental. Foi em seu lobby que Ferrante concedeu sua única entrevista cara a cara, a seus editores, publicada na revista literária The Paris Review em 2015.

Seguindo pelo Lungomare chega-se ao trecho de onde se avista o imponente vulcão Vesúvio com seu “tom pastel”, como descreveu Lenu ao lembrar de seu primeiro passeio no centro da cidade, uma das passagens marcantes do primeiro livro. Na adolescência, quando ela vai estudar em um Liceu Clássico, seu pai ensina a ela o caminho para a nova escola e roda um dia inteiro pelo centro, mostrando seus principais pontos. É nessa época que a vida da protagonista começa a ganhar mais perspectiva e a expandir seus horizontes para fora dos limites do bairro.

Via Toledo, Rettifilo e mais

Subindo a via Cesario Console chega-se à Praça dei Plebiscito, rodeada pela Igreja de São Francisco de Paula e pelo Palácio Real de Nápoles. Dela, naturalmente se inicia a caminhada pela movimentada Via Toledo, com suas lojas e restaurantes e muitos, muitos turistas. Vale entrar e conhecer a belíssima Galeria Umberto I que, com arquitetura e vitrais similares à Vittorio Emmanuele em Milão, foi construída em apenas três anos. 

Seguindo pela Toledo, chega-se à Praça Dante e ao centro histórico, onde tudo parece seguir da mesma forma. Na Port'Alba, onde Lenu gostava de comprar livros usados, os sebos continuam expondo obras em mostruários na calçada durante o dia, enquanto à noite o local se transforma em ponto de encontro de jovens que frequentam os bares da agitada Praça Bellini. A poucos passos dali ficam a Via dei Tribunali, por onde a protagonista zanzava para matar aula, e a Via Foria, onde ela costumava tomar sorvete com as amigas da escola média (cujo nome real é Liceu Clássico Garibaldi).

Cruzando as ruelas e becos do centro antigo em direção ao mar, chega-se ao Corso Umberto I, chamado de Rettifilo pelos napolitanos. Foi nessa rua comercial que Lila comprou seu vestido de noiva - e também onde os rapazes do bairro mantiveram a tradição de violência ao dar um soco no pizzaiolo do restaurante onde jantavam.

Essa grande avenida desemboca na Praça Garibaldi, onde fica a estação central da cidade, que no primeiro passeio de Lenu ainda estava em construção. A frase de seu pai nesse dia, que em Nápoles “se corta, se quebra e depois se refaz, e assim o dinheiro corre e se cria trabalho” segue atual, pois tanto o Rettifilo quanto a praça Garibaldi passam por grandes obras.

Para um "tour Ferrante" completo, vale incluir um dia no roteiro para a ilha de Ischia. É possível fazer bate-volta de Nápoles, de onde partem barcos do porto Molo Beverello em média a cada 30 minutos. A viagem dura uma hora e custa a partir de € 18. Foi na ilha, mais especificamente na praia de Maronti, que a adolescente Lenu beijou Nino Sarratore, seu grande amor de infância, pela primeira vez durante um verão. E, anos depois, foi a melhor amiga Lila que começou um romance pra valer com ele, na mesma ilha, alimentando ainda mais a relação de amor e ódio entre as duas para sempre.

 

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Capítulo 3: Além dos livros: bate-voltas a partir de Nápoles

Visitar as ruínas de Pompeia ou fazer um passeio de barco pela Ilha de Capri são boas opções

Samia Mazzucco, Especial para o Estado

24 de novembro de 2019 | 06h50

Para além das histórias literárias, monumentos, praças e belezas naturais de Nápoles, os arredores da cidade também têm muito a oferecer. Por isso, vale incluir mais dois dias no roteiro para explorar esses locais em um bate-volta: Pompeia e Capri.

O parque arqueológico de Pompeia, a cidade que foi dizimada por cinzas e gases em alta temperatura de uma erupção do vulcão Vesúvio no ano 79, fica a apenas 35 minutos do centro de Nápoles. Para chegar lá, a forma mais simples é embarcar nos trens da empresa Circumvesuviana, na estação da praça Garibaldi, em direção a Sorrento. Esteja preparado: a viagem pode acontecer em vagões antigos e sem ar-condicionado. Dá para comprar o bilhete na hora facilmente, mas garanta o de ida e volta (€ 3,80 cada um) para evitar filas ao sair das ruínas.

A estação que dá acesso ao sítio arqueológico é a Pompei Scavi Vila dei Misteri. Dica para quem não comprou ingresso antecipado: ao sair do trem, dirija-se ao primeiro prédio à direita. No primeiro andar há guichês que cobram € 2 a mais na entrada, que custa € 15, para não enfrentar a longa fila da bilheteria principal.

O ideal é reservar um dia inteiro para o passeio - ainda assim, será difícil ver tudo. A cidade é extensa. Há opções de tours guiados em grupos, a partir de € 12, ou audioguias por € 8, que podem ser uma boa opção, já que o caminho não é completamente sinalizado. 

Entre os locais essenciais estão a Basílica e o Templo de Apolo, logo na entrada, que ainda conserva seu altar e a parede com algumas colunas. Logo à frente a grande praça da cidade, o Fórum de Pompeia. O Lupanare, mais famoso prostíbulo do local, mantém conservadas pinturas eróticas nas paredes e quartinhos com camas de cimento, incluindo o travesseiro. 

Próximo dali ficam as Termas Stabianas, as mais antigas da cidade, que têm as pinturas nas paredes e tetos preservadas. Outro ponto imperdível é o anfiteatro, com arquibancadas e estrutura quase intactas. Ao seu lado fica a Grande Palestra, uma grande estrutura em forma quadrangular com uma piscina no meio do gramado interno, destinada à pratica de exercícios. Não perca ainda a Casa do Fauno, a Casa dos Vettii e a Via dei Misteri. Corpos encontrados petrificados na cidade, e preservados com gesso, surgem aqui e ali durante a visita.

E para quem ainda quer ver mais das ruínas, basta visitar o Museu Arqueológico Nacional, no centro de Nápoles. É lá que estão grande parte de peças originais das ruínas, como mosaicos e afrescos.

Descanso em Capri

Depois de um dia caminhando por Pompeia, gastar outro de “dolce far niente” em Capri é mais do que merecido. A balsa para a ilha sai do porto Molo Beverello e custa entre € 21,70 e € 23 (cada trajeto), em uma viagem de 50 minutos.

A ilha dos ricos e famosos, acredite, tem opções para todos os orçamentos. Há passeios de duas horas ao redor do arquipélago em barcos turísticos por € 18, mas sem paradas para mergulho. Se o bolso permitir, invista no aluguel privativo de um gozzo, típico barco de madeira local. O preço médio é de € 150 por um passeio de duas horas para três pessoas, com paradas para mergulho. Acredite, vale cada centavo. Em um passeio como esse, os passageiros podem comprar e levar suas bebidas e petiscos. No mercadinho em frente ao porto, a garrafa de vinho custa a partir de € 3.  

A dica dos locais é dispensar a visita à famosa Gruta Azul, que custa € 14. Perde-se tempo na fila e não é possível mergulhar nela, apenas apreciar. Há outras grutas também deslumbrantes, grátis e possíveis de nadar, como a Gruta Verde.

E, claro, não há Capri sem seu símbolo máximo, os Faraglioni, conjunto de três rochas chamadas Stella, Mezzo e Di Fuori. Se estiver em um barco privado, o passeio vai além de avistá-los de longe, é possível passar pela fissura da pedra do meio. Uma experiência que, definitivamente, vale cada centavo de euro.

 

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Capítulo 4: Onde ficar, onde comer e onde curtir em Nápoles

Para saborear a tradicional pizza napolitana ou se hospedar no hotel onde Elena Ferrante deu sua única entrevista

Samia Mazzucco, Especial para o Estado

24 de novembro de 2019 | 06h50

ONDE COMER

Pizza e mais pizza. O clichê do prato italiano é ainda mais forte em Nápoles, famosa por sua tradicional receita margherita com ingredientes específicos, bordas estufadas e crocantes, miolo mais fino e massa leve -  que virou patrimônio imaterial da Unesco. A cada esquina, há restaurantes que anunciam vender la vera pizza napolitana, que realmente precisa de um certificado para ser chamada assim. E um detalhe importante: come-se bem e barato na cidade. Para se ter ideia, enquanto uma margherita custa, em média, entre € 5 e € 7 em Roma, em Nápoles pode sair por apenas € 3,50.

Pizzeria Di Matteo

Fundada em 1936 e localizada na Via dei Tribunali, 94, coração da cidade, exibe orgulhosa na parede uma foto do ex-presidente dos EUA Bill Clinton abocanhando uma delícia da casa. O site deles chega a ter uma editoria dedicada ao político, que visitou o local em 1994, quando estava no exercício de seu mandato e participava da reunião do G7 na cidade. Além da tradicional margherita (€ 3,50), experimente também as pizzas fritas (a partir de € 4), outra tradição da cidade.

L'Antica Pizzeria da Michele

Os clientes esperam pacientemente na fila que extrapola a calçada e ocupa a Via Cesare Sersale, 1, para poder entrar no espaço  simples, porém autêntico, fundado em 1870. O local foi cenário do filme Comer, Rezar e Amar, com a personagem de Julia Roberts se derretendo de amores pela famosa marguerita da casa. O cardápio, aliás, é tradicionalíssimo: margherita ou marinara (a partir de € 4). E ponto.

Pizzeria Gino Sorbillo

Vizinha à Di Matteo, na Via dei Tribunali, 32, a pizzaria tem outras unidades na cidade e até em Milão e Nova York, mas nada como o charme do endereço original. Aqui também é preciso paciência, pois costuma ter filas. Enquanto espera, pode se deliciar com um drinque, como o aperol spritz que custa € 3. Além da tradicional margherita (a partir de € 4), o estabelecimento oferece versões sem glúten e pizzas fritas também.

Trattoria da Concetta

Essa charmosa trattoria no Quartieri Spagnoli serve pratos típicos da culinária napolitana e um vinho da casa espetacular a inacreditáveis € 3 a garrafa. Não deixe de experimentar a berinjela à parmegiana (a partir de € 3,50) e qualquer fruto do mar do cardápio, com pratos entre € 6 e € 16. Um jantar com entrada, prato principal e vinho para um casal custa, em média, € 30.

Trattoria da Nennella

Se seu objetivo é ter uma experiência intensa e experimentar o máximo da gastronomia, prepare-se para a fila dessa trattoria que também fica no Quartieri Spagnoli. Aqui o menu tem preço fixo incluindo entrada, primeiro e segundo prato por € 15 ou sem a entrada por € 12. De brinde vem a animação italiana. Se você acha o Parabéns A Você do Outback um escândalo, é porque ainda não presenciou o da Nennella. Garçons e staff do restaurante literalmente batem as tampas das panelas umas nas outras para fazer coro

com a mesa do aniversariante da vez. Mais italiano, impossível.

ONDE FICAR

Hotel Royal Continental

Com quartos e terraço com piscina com vista para o Lungomare e o Castelo do Ovo, este é o hotel 4 estrelas em que a autora Elena Ferrante concedeu sua única entrevista ao vivo, a seus editores. Diárias a partir de € 134.

Grand Hotel Vesuvio

Este tradicional 5 estrelas existe desde 1882 e também fica no Lungomare. Tem dois restaurantes panorâmicos, piscina coberta e serviço de aluguel de barcos e carros com motorista. Diárias a partir de € 260 com café da manhã incluído.

B&B Relais Piazza dei Martiri

Para quem quiser se hospedar com vista para a Piazza Dei Martiri, onde ficava a sapataria de Lila no bairro de Chiaia. Com diárias a partir de € 100 na alta temporada, este cama e café oferece serviços de baby sitter e tem estacionamento por € 15 ao dia.

ONDE CURTIR

Nápoles é uma festa! Com um milhão de habitantes, a cidade definitivamente tem seus espaços públicos ocupados, com praças, ruas e becos sempre cheios.

Praça Bellini

Aqui o esquema é curtir ao ar livre, sentando para bater papo como faz a juventude napolitana. O clima descontraído é uma mistura de Praça São Salvador e Lapa, locais da boemia no Rio de Janeiro. E se na cidade a comida custa pouco, com a bebida não seria diferente. Os bares ao redor da praça vendem cervejas a partir de € 1, como a italiana Peroni, e existem opções de cervejas sem glúten, como a espanhola Estrela Damm Daura a € 2,50. O aperol spritz custa a partir de € 2.

Quartieri Spagnolli

As ruelas do quarteirão, com um mix de restaurantes e bares, são movimentados em qualquer hora do dia. Vale tanto para dar apenas um passeio, como para emendar alguns drinques após o jantar em um dos restaurantes da região. Por aqui o aperol spritz também é vendido a partir de € 2.

COMO CHEGAR

Não há voos diretos para Nápoles saindo do Brasil. É possível voar para lá com conexão em Roma pela Alitalia ou com a Latam via Barcelona, Paris ou Madri. Outra opção é ir de trem rápido, a partir de Roma, com a Trenitalia.  A viagem dura 1h e custa a partir de  27,90.

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