Lucineia Nunes/Estadão
Lucineia Nunes/Estadão

Cenário vertical

No norte da Argentina, a região de Salta e Jujuy abre caminhos ainda pouco explorados com atrações de encher os olhos e aguçar o paladar, de vinhedos a montanhas multicoloridas

Lucinéia Nunes / JUJUY, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2013 | 02h17

Rústico, árido, deslumbrante, o cenário é pontuado por povoados diminutos, cactos e montanhas coloridas. Registros arqueológicos dão conta de que a região já era povoada há mais de 10 mil anos. Ruínas e sítios históricos estão aqui e ali. A paisagem, linda, é perfeita para passeios e atividades ao ar livre. Mesmo assim, o turismo no norte da Argentina ainda é tímido se comparado ao sul do país.

Entre a Bolívia e o Chile, a província de Jujuy surpreende pela variação de altitude, que vai de 350 metros a 4 mil metros acima do nível do mar, de leste para oeste. Ao sul está Salta, destino que os viajantes costumam incluir no roteiro ao visitar a região. Buenos Aires fica a 1.693 quilômetros – não é logo ali. Mas, como os voos a partir de São Paulo fazem conexão na capital, fica fácil combinar os programas.

A Quebrada de Humahuaca é uma das principais atrações de Jujuy, a 65 quilômetros de San Salvador de Jujuy, capital da província. Em 2003, o vale foi declarado Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela Unesco por sua vasta riqueza arqueológica, com pinturas rupestres, cemitérios incas, igrejas e ruínas pré-hispânicas. Seus principais vilarejos – Purmamarca, Maimará, Tilcara e Humahuaca – formam um corredor de 155 quilômetros com o Rio Grande emoldurado por cactos e montanhas gigantescas. Enquanto o verão é marcado pelas chuvas, o inverno é extremamente seco – e, por isso, uma das épocas mais recomendadas para visitar a região. Apesar do frio intenso, os dias são ensolarados. Os moradores dizem que se o vento sopra do norte, o dia será quente, entre 25 e 30 graus. Mas, se vem do sul, a temperatura cai abruptamente para 5 graus.

Velho e novo juntos. Na colonial Purmamarca quase tudo é preservado há centenas, milhares de anos, dos hábitos alimentares às casas de adobe – feitas de barro e palha. Até mesmo as construções mais recentes – lojas e hotéis charmosos – têm de seguir o estilo arquitetônico.

A população vive da criação de caprinos e lhamas e da agricultura, especialmente do cultivo de milho – de várias cores, tingidos pelos minerais da terra –, além de quinoa, batatas, cana-de-açúcar, hortaliças e tabaco. E, mais recentemente, do turismo, com o surgimento de hotéis-butique, que impulsionaram a melhora da infraestrutura local.

E pensar que até 2001 o vilarejo não tinha nem sequer sistema de telefonia. Agora, muitos hotéis oferecem quartos amplos e totalmente equipados, com vista para as montanhas, e spa.

Em Los Colorados, um pequeno e antigo povoado vive aos pés de montanhas multicoloridas. Ali está o majestoso Cerro das Sete Cores, a 2.195 metros de altitude, um dos cartões-postais de Purmamarca e responsável por atrair muitos turistas à região.

É possível chegar à praça principal do vilarejo de carro. Mas optar por uma das trilhas a pé é ter o privilégio de contemplar a paisagem da montanha e conseguir belas fotos. Na praça há bancas e lojas que vendem de doces e bijuterias a peças de artesanato de argila ou de cobre, e muitas roupas de lã de vicunha ou lhama.

Arqueologia. O vilarejo de Tilcara – a “capital arqueológica” de Jujuy – também tem sua feira na praça central, que é rodeada por ruas comerciais, com restaurantes de cozinha andina e lojas de roupas, pratarias, esculturas e comidas típicas, como grãos, compotas, alfajores, camafeus de nozes, torrones e doce de leite. Ali também é possível comprar chá e folhas de coca para amenizar os efeitos da altitude.

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