Cenários transformados em aquarelas

O artista inglês J.M.W.Turner (1775-1851) viajou ao longo de meses de Veneza aos Alpes suíços em busca de uma atmosfera diáfana. Ele desejava fazer seus quadros da mesma matéria de que são feitos os sonhos. Conta-se que Turner chegou em St. Ives ao entardecer, quando um nevoeiro diluía a paisagem e uma luz difusa pontilhava com toques de ouro apenas a crista das ondas, a ponta dos mastros e o cocuruto das gaivotas sentadas no respiradouro das chaminés. Estava consumado o encantamento. As telas que produziu ali instigaram vários artistas, e era comum vê-los com seus cavaletes no porto, reproduzindo o vaivém dos barcos, o dique de pedra, o casario.

O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2014 | 02h07

Hoje a maioria dos pintores e aquarelistas está instalada em casas com amplas janelas e vista para a baía e trabalha no conforto de seus ateliês. St. Ives tornou-se uma cidade de artistas e de muitas galerias de arte, o que levou a renomada Tate Gallery (tate.org.uk) a construir ali, em 1993, sua única filial. Para a pintora Rachel Nicholson, um dos melhores lugares para apreciar e desenhar a cidade é o Café da Tate, no último andar do museu.

A cidade e seus arredores também estiveram presentes no processo de criação da escritora Virginia Woolf. Em livros como Rumo ao Farol, A Viagem e As Ondas ela evocou imagens de sua infância vivida nesse litoral. Seus críticos acreditam que nesse cenário a escritora moldou seu estilo elegante e mordaz.

Minas e sereias. Distante cinco minutos de carro de St. Ives, cruzando diminutas vilas com igrejas sóbrias, mas sempre enfeitadas por um canteiro de flores silvestres em tons de amarelo e rosa, ficam as antigas instalações das minas de Botalack e Zennor. Nas vilas mineiras eram tradição e crença as lendas de sereias, cuja sedução D.H. Lawrence retratou no romance Women in Love. Mais recentemente, a aclamada autora Rosamunde Pilcher ambientou nas paisagens da Cornualha seus romances Os Catadores de Concha, O Dia da Tempestade e A Casa Vazia.

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