Amanda Romanelli/AE
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Charme à vista

Vida ao ar livre, gastronomia e animadas opções de diversão confirmam vocação multicultural de Washington, lar de gente do mundo todo

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2011 | 09h36

WASHINGTON - À primeira vista, o roteiro pode motivar interrogações. Ir a Washington DC é ver-se fadado a enfrentar visitas a prédios públicos e uma repetição sem fim de nomes lembrados a cada 4 de julho, data em que os americanos comemoram sua independência? Se os Estados Unidos têm Nova York, Las Vegas e São Francisco, opções certeiras de diversão, por que se arriscar na sisudez do centro do poder?

A aposta vale, justamente, pela surpresa. É possível, sim, divertir-se, comer bem, curtir passeios culturais, fazer compras - e até atividades esportivas -, tudo com muita classe, na capital e seus arredores, área conhecida como Capital Region. Com o prazer adicional de responder, com argumentos suficientes, às perguntas habituais sobre o que há na região além da Casa Branca.

Pois existe vida para além de monumentos e marcos históricos. Observar a residência dos Obamas é apenas um dos charmes a serem explorados em DC, sigla para Distrito de Columbia, encravado entre os Estados de Virginia e Maryland. Uma cidade projetada para servir à política mas, também, a seus habitantes.

 

Museus, cafés e restaurantes se espalham pelas largas avenidas e pelos parques ao longo do Rio Potomac e convidam a descobrir a cidade a pé. Também à margem do rio fica a novidade da temporada. Palco para espetáculos e musicais, a Arena Stage (arenastage.org) inaugurou em outubro uma nova sede, não muito longe do Capitólio e do Monumento a George Washington. Trata-se de um marco por ser uma das companhias teatrais mais antigas do Estados Unidos, fundada em 1950. Quase imediatamente, o prédio envidraçado de formas curvas virou destaque arquitetônico e, claro, alvo de máquinas fotográficas.

À noite, Washington se revela em festas por toda parte - algo que chega a ser óbvio para um lugar habitado por gente jovem (são 11 universidades em uma cidade de 600 mil habitantes) e vinda de todo o mundo.

Na estrada. Nos arredores de Washington, a Capital Region reserva mais boas descobertas aos visitantes. Bastam alguns quilômetros de estrada e cerca de uma hora de viagem para chegar a Richmond, capital do Estado de Virginia, ou a Annapolis, de Maryland. Cidadezinhas agradáveis, valem o bate-volta - ou até um pernoite, para quem prefere descobertas turísticas feitas com calma.

Richmond surpreende pelo orgulho de seu povo no relato de sua história. A cidade foi protagonista na Guerra da Secessão (1861-1865), quando assumiu o papel de capital dos estados confederados (sulistas, que queriam manter a escravidão).

Annapolis também teve seus dias de capital do país (no ano de 1783) e mantém, como patrimônio, casinhas de madeira do século 18. Algumas são residências, mas a maioria, ao longo da Main Street, abriga restaurantes. Vários deles servem a especialidade local: o crab cake, suculento bolinho feito com carne de caranguejo. Delícia que você também pode provar em um dos bares à margem da Chesapeake Bay, enquanto assiste ao ir e vir de veleiros no horizonte.

UMA BOA OLHADA NOS MUSEUS

Notícia em foco

Os sete andares do edifício localizado na Pennsylvania Avenue (conhecida como a "Avenida da América", pois liga a Casa Branca ao Capitólio) contam a história da imprensa e de suas coberturas marcantes.

No Newseum, duas exibições permanentes são imperdíveis. No subsolo estão oito blocos do Muro de Berlim e uma torre de observação da antiga Alemanha oriental. Depoimentos de repórteres que cobriram a queda do muro são exibidos. 

A galeria dedicada ao ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova York, está no 4º andar. Em memória à cobertura do 11 de setembro de 2001, ficam expostas 127 capas de jornais de todo o mundo noticiando a tragédia - o Estado é o único diário brasileiro na mostra. Ingresso a US$ 21,95 (adultos) e US$ 12,95 (crianças acima de 7 anos). Mais: newseum.org.

História americana

Mais que fatos listados nos livros escolares, a história contada ao longo dos três andares do Museu Nacional de História Americana (americanhistory.si.edu) é, basicamente, a da cultura popular do país, devidamente difundida pelo mundo. Ou o sapo Caco, dos Muppet Babies, não faz parte da infância dos brasileiros? O mesmo vale para o sapatinho vermelho de Dorothy, do filme O Mágico do Oz, e o chapéu de Michael Jackson.

Uma das mostras mais concorridas é a que exibe os trajes das primeiras-damas. Pertences pessoais de todos os ocupantes da Casa Branca também estão expostos - como brinquedos dos primeiros-filhos.

CASA BRANCA

O processo é demorado e democrático, mas estrangeiros podem visitar a Casa Branca. O pedido deve ser feito por meio da Embaixada brasileira em Washington. Mais:whitehouse.gov 

A repórter viajou a convite do Capital Region.

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