Chef cria menu ao gosto do autor

Foi batendo papo numa rede à beira-mar em Ilhéus que o chef e consultor Paulinho Martins conseguiu arrancar de Paloma Amado, filha do homem, quais eram os pratos e ingredientes que faziam o escritor viajar. Regada a cerveja, a prosa foi tão longe que levou o cozinheiro a criar um menu degustação em homenagem a Jorge Amado - que ele apresentou no 6.º Paladar Cozinha do Brasil, promovido pelo Estado, no começo do mês, em São Paulo.

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

31 Julho 2012 | 14h36

A culinária é sempre uma parte importante dos livros de Jorge Amado - vide os quitutes de Gabriela e de Dona Flor. O escritor, afinal, era bom de garfo e, como bom baiano, adorava moqueca. Mas o chef não poderia simplesmente repetir um clássico. "Descobri também que ele era apaixonado por pitu (pequeno crustáceo de água doce) e jaca, que segundo Paloma, ele comia de qualquer jeito e a qualquer hora", conta Martins. Assim surgiu a moqueca de pitu e jaca.

Outra boa história é da época do exílio em Praga, quando Jorge "contrabandeava" itens como coco ralado, leite de coco, mandioca e dendê. "Ele encarava a cozinha para fazer rabanadas com coco. Paloma me contou que quando ele fazia queria mostrar o sabor e saía distribuindo para os vizinhos", diz.

Ela disse também que o pai era louco por pato - assim veio a inspiração para o Pato da Gabriela, com o animal cozido em vinho tinto, cravo e canela, desfiado e misturado com arroz branco. O prato pode ser degustado no Bataclan, em Ilhéus, por R$ 36 - Paulinho, que vive na cidade, ajudou a criar o cardápio do restaurante que funciona ali. Mas para experimentar a versão completa do menu do chef só mesmo agendando com ele pelo site panelabrasil.com.br. / FELIPE MORTARA

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