Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Chegaram os dias de moderação

miles@estadao.com

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2017 | 03h00

Mr. Miles está na África, o destino a que sempre recorre quando os acontecimentos do mundo entristecem-no. Dizem que foi à Namíbia, mas há quem o tenho visto no Quênia, acompanhando a grande migração dos animais na reserva de Maasai Mara, um dos melhores momentos para ver de perto a jornada de milhões de animais rumo a pastagens mais úmidas. 

É na paz da natureza selvagem e no efeito relaxante dos melhores uísques que nosso correspondente costuma se livrar do que chama “bad vibes”. Esta coluna foi escrita antes de sua partida, em sua casa no Condado de Essex. E contempla as questões de dois leitores.

Querido Mr. Miles: ainda é recomendável viajar com tantos desastres naturais ocorrendo no mundo? 

Anita Vitali Almeida, por e-mail

Of course, my dear! E mais do que nunca! Unfortunately, estamos em uma época de excessos. Excesso de ódio, de fúria verbal e de ameaças ao nosso planeta. It’s awful!

Chego a pensar – enquanto compartilho um single malt com a querida Trashie – que há vestígios da existência de Deus (quem quer que ele seja) nos terremotos, furacões e tufões que assolaram diversas partes de nossa querida Terra. Vejam só: líderes apatetados brincam com a existência da humanidade e, suddenly, o céu e a terra mostram sua força inigualável. 

Quem tem um mínimo de amor pela vida e pelos outros há de adotar, for sure, uma atitude de humildade. Não ataquem ou serão atacados, parece dizer alguém ou ninguém, embora a mensagem seja clara.

However, dear Anita, isso não é motivo para deixar de viajar. In fact, é hora de viajar pelo mundo e apreciá-lo nas estações mais moderadas do ano. ‘É primavera de novo. A Terra, agora, é como uma criança que conhece poemas de cor’, disse-me Rainer Maria Rilke, quando eu o visitei em Montreux, décadas atrás, logo após o fim de um gélido inverno. O poeta estava enfeitiçado pelas novas cores que via – e que você também vai poder ver no Hemisfério Sul.

“Repare que o outono é mais estação da alma do que da natureza”, comentou outro amigo poeta, my dear Charles Drummond de Andrade.

Há quem diga que menos é mais. Pois nessa muda do tempo, tudo é menos. Menos gente viajando. Menos calor. Menos frio. Menos folhas nas árvores do outono. Menos pó nas estradas da primavera.

Como cidadão britânico, sou obrigado a reconhecer que nossas ilhas parecem viver um eterno outono. However, é preciso andar por nossos parques e florestas no ‘verdadeiro’ outono para entender como essa estação, generosa, nos dá tempo e provimento para suportar o inverno. Já em meu querido Brasil, o efeito é menos visível. Chove menos nas lindas praias do Nordeste e chove mais nos campos e serras do Sul.

Well, darling, no momento em que escrevo essas linhas (e repreendo Trashie depois de sua quarta dose consecutiva), passaram os terremotos e acalmaram-se os furacões. Outros podem vir (ou, my God, já vieram antes da publicação dessa coluna). E esse planeta mutante continua a merecer seus viajantes. Assim como nós merecemos o outono e vocês, a primavera.” 

Prezado viajante: qual é a melhor época para viajar pelo mundo? 

Antonio Meirelles, por e-mail

“Corrigindo tudo o que eu disse acima, dear Tony, a melhor época para viajar é assim que as suas malas e os seus sentidos estiverem prontos, revogadas todas disposições em contrário.” 

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

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