Cidade do Cabo e da esperança

Considerada uma das seis mais belas do planeta, localidade tem atrações como a Table Mountain e praias repletas de pinguins. Cardápio turístico que não pode faltar no seu roteiro

Karina Gouvêa, Especial para O Estado

15 Dezembro 2009 | 02h15

Longe dos safáris na savana africana, a Cidade do Cabo está em uma região estratégica, a sudoeste do continente, emoldurada por belas paisagens, praias de águas gélidas e cristalinas e cadeias de montanhas de arenito e xisto, depositados ali há 700 milhões de anos. Considerada uma das seis cidades mais belas do planeta, segundo o Guinness Book, é protegida por um enorme paredão, que se eleva 1.087 acima do nível do mar, conhecido como os 12 Apóstolos e a Table Mountain (Montanha da Mesa), de onde Fernando Pessoa tirou inspiração para seus poemas.

Nos dias nublados, você pode observar o Table Towel, apelido dado pelos habitantes à camada de nuvens que cobre o topo da montanha. Para chegar lá, um bondinho (como o do Pão de Açúcar, no Rio) oferece espetacular vista de 360 graus da cidade.

Devidamente motorizado, com um veículo 4X4, é possível seguir pelas estradas sinuosas da Península do Cabo e admirar o encontro das águas dos Oceanos Atlântico e Índico e a rota de antigos navegadores que contornavam ali a África para chegar à Índia.

Além das badaladas praias de Camps Bay e Clifton Bay, com seus calçadões, bares e restaurantes, o que os turistas, principalmente brasileiros, mais procuram é ver de perto o Cabo da Boa Esperança, aquele mesmo dos livros de História. A mais ou menos uma hora e meia do centro da Cidade do Cabo, dentro de um parque nacional de 7.700 hectares de colinas, trilhas e praias, esse marco pode ser observado subindo o Cape Point, uma montanha mais ao norte.

 

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Pelo caminho, é possível flagrar alguns animais selvagens como babuínos e o hyrax (espécie de porquinho-da-Índia). Também é dele que o visitante consegue avistar as belas praias da False Bay (Baía Falsa), muito frequentada por surfistas e turistas que procuram banho de mar, digamos, um pouco mais quente, já que as águas do litoral da Cidade do Cabo são geladas, principalmente para os padrões brasileiros. A vista do Cape Point é de tirar o fôlego, uma pintura mesmo, com o mar - em tons de azul e verde - emoldurando o paredão e se chocando contra os rochedos cerca de 300 metros abaixo.

 

ONDE FICAR

A Cidade do Cabo tem acomodações para todos os bolsos. Se você não quiser gastar muito, a dica são os bed and breakfasts, confortáveis e bastante acessíveis. Caso esteja procurando por um albergue ou hotel simples, o melhor é ficar no centro da cidade, de preferência na Long Street. Quer opção mais sofisticada? O endereço é a Camps Bay e ao longo da rodovia M6, à beira-mar.

Já o top do luxo é o Cape Grace (www.capegrace.com). É um dos hotéis mais sofisticados da África do Sul, fazendo jus ao título de hotel butique, pela decoração diferenciada em cada um dos 121 quartos. Há também serviços exclusivos como motorista particular e babás que falam vários idiomas. São oferecidos, ainda, passeios requintados, como cruzeiros de iate da marina da Cidade do Cabo, com duração de duas horas. Agora, se quer ficar perto do estádio onde serão realizadas as partidas da Copa, corra para Green Point.

COMPRAS

Um plano multimilionário transformou a região portuária de Victoria & Alfred Waterfront, entre a Table Mountain e a Robben Island, num aglomerado de shoppings centers, mercados, teatros e restaurantes. Nas mesas com vista para o cais, você poderá experimentar comidas étnicas durante shows de música ao vivo e espetáculos de artistas de rua. Aproveite que o real vale mais que a moeda local, o rand, e vá às compras. Três boas opções são o Alfred Mall e o Victoria Wharf Shopping Centre, no coração do velho porto, com lojas, joalherias e cafés, e o The Waterfront Craft Market, um dos maiores mercados de artesanato da África do Sul, com artigos em cerâmica, couro, móveis, brinquedos educativos, vestuários e arte em vidro.

Do Waterfront (www.waterfront.co.za) também dá para encarar passeios de barco, helicópteros, hidroaviões, além de visitar um dos maiores aquários do país, o Two Oceans Aquarium. Quem tem certificado atualizado de mergulho e quiser por a coragem à prova pode agendar entradas em alguns tanques. A visita deve ser marcada no Alpha Activities Centre, que funciona próximo ao recinto das focas.

MUST SEE

O Parque Nacional da Table Mountain, a cerca de dez minutos da Cidade do Cabo, preserva três pontos turísticos obrigatórios: o Cabo da Boa Esperança, a Praia Boulders e a Silvermine. O Cabo da Boa Esperança é um paraíso para quem gosta de caminhar, pescar, surfar, nadar ou simplesmente apreciar a riqueza natural da região durante um piquenique.

O famoso Cape Point oferece uma das mais belas vistas do ponto mais ocidental da África. Se não quiser caminhar pela trilha pavimentada que leva ao topo, basta pegar o funicular até o farol e apreciar o cenário.

Visitas guiadas também levam turistas até a Boulders, praia de enormes rochas graníticas, que abriga a única colônia de pinguins africanos do continente. Aproveite também para mergulhar nas águas da False Bay. Já a Silvermine é ideal para quem quer se arriscar nas trilhas de mountain bike.

Vale ainda fazer caminhadas na Rota Jardim, um trecho litorâneo de 210 quilômetros que possui a flora mais variada do mundo. O Parque Nacional de Tsitsikamma (www.sanparks.org) tem trilhas que chegam a durar até cinco dias.

ESTÁDIO

A 200 metros da orla da Cidade do Cabo, bem perto do Oceano Atlântico, o Green Point Stadium, construído em terras usadas como campo de golfe, receberá oito jogos da Copa do Mundo 2010, incluindo uma semifinal. Quando estiver finalizado, o estádio terá cobertura com densidades diferentes para atenuar o ruído e capacidade para 70 mil torcedores, 24 mil lugares a menos do que o Soccer City, o maior da África, em Johannesburgo. Sua arquitetura foi toda pensada para não concorrer com a vista que os torcedores terão da Table Mountain.

Após a competição, o local será usado para eventos, shows e competições de rúgbi, esporte bastante popular na África do Sul. Durante o planejamento da infraestrutura também foi chamado de African Renaissance Stadium. O orçamento da obra gira em torno de US$ 386 milhões.

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