Bia Reis/Estadão
Bia Reis/Estadão

Bruna Toni e Bia Reis, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2017 | 05h00

CIDADE DO MÉXICO - De um México a outro era possível passar num segundo. Retratada com uma palheta infinita de cores, a trajetória de sete séculos da capital mexicana resumia-se em 450 metros quadrados de parede, estampada pelos traços e pela aquarela de Diego Rivera. 

A História do México, nome do mural produzido pelo pintor no Palácio Nacional, de 1929 a 1935, porém, prendia nosso olhar e essa nossa alma latina por muito mais tempo do que um segundo. De Teotihuacán à chegada dos espanhóis. Da luta pela independência à ditadura de Porfírio Diaz. De Zapata aos movimentos sociais do século 20. Personagens e cenários preenchiam nossa imaginação por completo.

No entanto, quem anda pelas ruas da capital mexicana, a vibrante Cidade do México, encontra explicação para os sentidos aguçados diante da arte. É que as cores que tanto inspiraram muralistas como Rivera estão na realidade dessa metrópole de 8,8 milhões de habitantes, a 2.235 metros de altitude. Nela, os tempos se misturam, formando a essência de um povo cujas raízes pré-colombianas mantêm suas marcas no cotidiano contemporâneo tanto quanto a insistente globalização.

Basta começar o passeio para encontrar ruínas astecas dividindo espaço com construções de estilo europeu; barracas de rua e restaurantes exalando cheiro de milho e carne de porco sempre cheios; uma esquina separando Trotsky de Frida Kahlo; mariachis disputando o movimento da noite com um cartel de lucha libre.

Fora do foco turístico de luxo e tranquilidade dos resorts de Cancún, a Cidade do México é o lugar que melhor mostra o lado cultural, político, histórico e gastronômico do país. Por isso, merece uma viagem dedicada só a ela ou ao menos uma semana antes de seguir a outros destinos – que podem ser interessantes, claro, mas dificilmente te levarão a todos aqueles Méxicos possíveis e sonhados no mural de Rivera. / BRUNA TONI

SAIBA MAIS

Aéreo: São Paulo – Cidade do México – São Paulo, direto, custa a partir de R$ 2.284 na Latam e desde R$ 4.668 na Aeromexico

Terrestre: a locomoção para áreas turísticas é facilmente feita de metrô, mas o movimento é bem grande nos horários de pico.

Clima: Com clima ameno, a capital pode ser visitada o ano todo. Entre junho e setembro chove  mais, mas nada que atrapalhe.  

Site: visitmexico.com

Encontrou algum erro? Entre em contato

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2017 | 04h30

Entre erros e acertos em meio a um ainda desconhecido cruzar de ruas e avenidas com nomes de heróis ou datas nacionais, chegamos ao centro da quarta maior praça do mundo. O intenso movimento de pessoas para qualquer direção que se olhasse a partir daquele espaço cercado por construções claramente antigas nos traços arquitetônicos e na cor do envelhecimento indicava que ali estava o lugar que, há quase 700 anos, pulsa como coração do território chamado Cidade do México desde 1521.

Seu nome oficial é Praça da Constituição, mas não há um só mexicano que a chame assim. Para encontrá-la de maneira certeira, melhor perguntar por seu nome popular, Zócalo, uma referência à base que foi erguida na praça para receber um monumento à independência do país - monumento este que jamais chegou a ficar pronto, restando apenas a base. 

Se não soubéssemos das dimensões da Cidade do México, seria até crível dizer que toda a vida da capital está concentrada em seu centro. Seu espírito comercial está nas lojas de redes famosas e em barracas mais modestas. Ambas oferecem de tudo um pouco: há livrarias, engraxates, casas de câmbio, produtos esportivos, sapatos de noiva, restaurantes, bolos com a bandeira mexicana e mais uma enorme variedade de símbolos nacionalistas que surpreendem.

 

Outra característica que chama a atenção são seus pisos desnivelados e suas construções inclinadas, que escancaram o velho problema de afundamento da cidade, erguida sobre o Lago de Texcoco. Apesar do processo de drenagem, a pressão sobre terrenos arenosos e a desmedida extração de água para atender uma das cidades mais populosas do mundo agravaram a situação, principalmente no centro.

Tortuosa assim é Catedral Metropolitana, que junto com o Palácio Nacional, sede da presidência, forma a dupla de edifícios mais importante do Zócalo. Ali, a primeira coisa que você vai aprender (se é que não foi exatamente isso que o levou até lá) é que, desde 1325, dois séculos antes de os espanhóis chegarem, a praça já era o centro político e religioso de Tenochtitlán, a capital do Império Asteca. Motivo pelo qual eles, os espanhóis, decidiram manter seu centro de poder no mesmo local.

Assim, a Catedral Metropolitana foi erguida sobre os escombros do templo adjacente ao Templo Mayor, cujas ruínas estão preservadas e podem ser vistas bem ao lado da praça (leia mais abaixo), enquanto o Palácio Nacional está sobre o que um dia foi o palácio de Moctezuma, ou imperador asteca. 

 

Multicultural. Um dos maiores símbolos do domínio espanhol no México, a Catedral Metropolitana levou 200 anos para ser concluída desde que Hernán Cortez, chefe da primeira expedição espanhola ao país, ordenou sua construção, em 1573. Por isso, sua composição é uma mescla curiosa dos estilos gótico, barroco e neoclássico. 

E não só de influências europeias sobrevive o Zócalo. Dentro do Palácio Nacional, a principal atração é algo demasiado mexicano: os murais de Diego Rivera. Cobertas pela arte colorida e provocativa do pintor, as paredes dos corredores do edifício hipnotizam, tamanha a expressividade das cenas produzidas entre 1929 e 1951. 

Para vê-las sem custo algum, basta ir de terça a domingo, quando também há visitas guiadas às 10h (120 pesos ou R$ 20).

 

 

WALKING TOURS

O coletivo Estación México faz diariamente, a partir das 11h, walking tour pelo centro histórico – é gratuito, você colabora se e com quanto quiser. Parte da Catedral Metropolitana e vale para começar a conhecer a cidade. 

GASTRONOMIA

O lado gastronômico do centro é imperdível e impressiona pela qualidade e pelo preço. Passe numa padaria para levar pães doces e em um de seus restaurantes onde o lombo do porco que recheia os tacos é assado na rua. Peça pelos típicos taco al pastor e pela sopa pozolo.

Também é possível almoçar em resturantes mais sofisticados pelo equivalente a R$ 80. Um deles é o Azul Moderno, localizado no centro histórico. O restaurante fica no pátio central de um prédio antigo, muitíssimo bem conservado, onde há lojas de artesato, decoração e roupas. Prepare-se para se perder pelos corredores. Árvores de tronco retorcido cobrem o teto do restaurante e velas iluminam o salão, lindamente decorado com cerâmicas e toalhas coloridas. Renda-se ao peixe com banana da terra e guacamole e invista, se tiver coragem, nos grilos como entrada. Para almoços no fim de semana, convém fazer reserva.

 

VÁ A PARTIR DO ZÓCALO

​1. Templo Mayor

bit.ly/tmayor​

As ruínas do mais importante templo asteca foram descobertas em escavações que se intensificaram anos 1970 e ficam a poucos metros da Praça da Constituição. Os pesquisadores observaram que o templo foi ampliado ao menos sete vezes até alcançar os 45 metros de altura que tinha à época da chegada dos espanhóis ao México - as marcas dessa impressionante engenharia estão visíveis nas várias camadas de pedra sobrepostas. Algumas das peças encontradas, como um monólito pré-hispânico de 8,5 toneladas, estão no museu anexo ao sítio arqueológico, aberto de terça a domingo, das 9h às 17h (65 pesos ou R$ 11).

 

2. Palácio de Belas Artes

bit.ly/belasartesmx​

Sede do Balé Folclórico e dos museus de Belas Artes e de Arquitetura, já recebeu orquestras do mundo todo e nomes como Placido Domingos e Luciano Pavarotti. Também foi o local escolhido para receber os funerais de Frida Kahlo e Juan Gabriel, cantor nacional que é para os mexicanos o que Roberto Carlos é para nós, brasileiros. Em seu interior, exposições de artistas nacionais e murais de Diego Rivera, José Orozco, David Siqueiros e Rufino Tamayo. 

 

3. Casa dos Azulejos

Chama a atenção a fachada azulada do edifício barroco de 1793, coberta de azulejos espanhóis da região de Tavelera de ka Reyna. Monumento nacional, o antigo Palácio dos Condes de Orizaba pertenceu a muitas famílias, foi sede do Jockey Club e, desde 1919, abriga uma loja de departamento da rede Sanborns. Tem café e restaurante no pátio.

4. Casa Churra 

casachurra.com.mx​

Há várias casas que vendem churros, um legado dos ibéricos que se tornou bem popular entre latinos - sim, é impossível não recordar do seriado Chaves. Sem tentar resistir, experimentei a versão de avelã da Casa Churra (27 pesos ou R$ 4,50). Há também opções com amora, caramelo, morango, acompanhadas de sorvete, e até porções dos doces compridinhos. 

 

5. Barrio Chino 

O cantinho chinês do México começou a se formar no fim do século 19. Apesar de ter ‘bairro’ no nome, limita-se a um quarteirão. É decorado com luminárias vermelhas e douradas. Com mesas na rua, os restaurantes têm opções à la carte e por quilo. Lá, repare na ruelinha Callejón D las Damas, cuja história, contada por nosso guia do walking tour, é bastante curiosa. Nela, anos atrás, algumas mulheres ficavam à espera de homens para levá-los aos subsolos das casas. Mas, ao contrário do que faziam parecer, o objetivo não era o sexo, e sim encobrir os jogos ilegais que ocorriam ali.

6. Museu de Desenho

mumedi.mx​

Sua entrada no número 74 da Avenida Francisco Madero é discretíssima. Como seus vizinhos, ocupa um prédio antigo, e, o que parece ser só um café, se transforma num espaço descolado onde cabem exposições de ilustrações, desenhos e cartazes e uma lojinha com produtos originais (e caros).

7. Secretaria de Educação 

gob.mx/sep​

O edifício na Calle República de Argentina é obrigatório a quem quer conferir mais do legado artístico de Diego Rivera. Atual sede da Secretaria de Educação e antiga escola onde Frida Kahlo estudou, preserva murais do pintor de 1922 que retratam as raízes pré-colombianas e lutas nacionais. Entrada gratuita. / BRUNA TONI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Bruna Toni e Bia Reis, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2017 | 04h30

A ida ao distrito de Hidalgo tinha um foco: conhecer o Museu Nacional de Antropologia. Mas, qual não foi nossa surpresa ao desembarcarmos na estação de metrô El Rosário e nos depararmos com a imensidão do Bosque de Chapultepec, onde está, entre outras atrações, o museu.

Considerado o pulmão da capital, tem 678 hectares por onde se espalham fontes, lagos, plantas e animais, além do Museu Nacional de Antropologia, o Castelo de Chapultepec e o Museu de História Nacional.

Fora dos padrões hollywoodianos, apesar de grande, o Castelo de Chapultepec (70 pesos ou R$ 12) fica no alto da colina de Chapulín, a 2.325 metros de altitude – e a subida até lá é um agradável caminho murado e florido onde os corajosos praticam cooper.

 

Desde que foi construído, no século 18, a mando do vice-rei Bernardo de Galvez, foi Colégio Militar, observatório astronômico e residência presidencial. Também esteve sob domínio francês e foi palco de guerra durante a invasão norte-americana, entre 1846 e 1848. Tornou-se Museu de História apenas em 1944, no governo Lazáro Cárdenas. Entre as preciosidades da coleção, estão mais de 23 mil peças do universo numismático, que ajudam a contar a história nacional. 

Se tiver pouco tempo para visitar tudo, comece a pelo castelo, mais breve, e fique com o dia livre para o verdadeiro tesouro: o Museu de Antropologia.

 

Paraíso antropológico. Imenso, o Museu de Antropologia surpreende logo na entrada. Na praça central, há uma estrutura de concreto de 84 metros de extensão, sustentada por um único pilar de 11 metros de altura, por onde despenca água por todos os lados. Chamam a atenção também a riqueza do acervo e a forma de exposição. Em 23 salas, divididas em dois andares, está um dos mais importantes legados da cultura pré-hispânica. 

No térreo ficam os achados arqueológicos do México antigo, e cada sala se dedica a uma civilização ou região. Acima está o acervo etnográfico. Portas laterais levam a áreas externas, onde se concentram réplicas de estátuas e reconstruções. Há muitas crianças e jovens mexicanos: eles frequentam os museus com a família, e não só com a escola.

 

Em cada sala há objetos do período retratado escavados, pinturas, estátuas e reproduções de cenas da vida doméstica de um povo ou de uma guerra – em tamanho real ou miniaturizado. Você ainda encontrará informações sobre alimentação, comércio, sociedade e religião.

Um dos destaques é a Pedra do Sol. O objeto, talhado de forma minuciosa, representa 20 dias do calendário ritual asteca e impressiona pelas dimensões: 24 toneladas e 3,6 metros de diâmetro. / BRUNA TONI e BIA REIS 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2017 | 04h30

Coyoacán chegou a mim, pela primeira vez, por meio de um cubano. O distrito, a quase uma hora de metrô do centro histórico, é o cenário de boa parte da elogiada obra de Leonardo Padura, O Homem que Amava os Cachorros. O romance trata do encontro trágico de dois personagens históricos, Leon Davidovich Trotsky, o líder do Exército Vermelho na Revolução Russa, e seu carrasco, Ramón Mercader.

Apesar de o livro ser uma ficção, Coyoacán não aparece na trama por acaso. Foi realmente ali que, na década de 1930, Trotsky e Natália Sedova, sua companheira, encontraram abrigo após serem deportados da União Soviética por Stalin. Primeiro, moraram com Diego Rivera e Frida Kahlo na Casa Azul (há menções sobre a época no local). Depois, mudaram-se para uma casa vizinha, às margens do Rio Churubusco, onde o exilado passou seus últimos dias até ser assassinado por Mercader dentro dela, em 1940. 

Por isso, quando encontrei finalmente a casa descrita por Padura (na esquina das ruas Viena e Abasolo há uma placa indicando as direções) foi como se tivesse sido transportada à primeira metade do século 20 e todos aqueles personagens estivessem ali, vivenciando comigo um mundo em ebulição. 

 

O acervo que a casa-museu preserva inclui fotografias históricas em versões originais (já que muitas delas foram adulteradas por Stalin em seus anos no poder), objetos pessoais de Natália e Trotsky, manuscritos, mobília e utensílios domésticos da época, além de caricaturas modernas do líder político.

Para quem não conhece a história da Revolução Russa e de um de seus mais importantes líderes, vale aguardar a visita guiada e gratuita pela casa, marcada pelos tiros que sofreu durante a estada de Trotsky e pelas adaptações feitas para tornar o lugar mais seguro – ou uma verdadeira prisão. O jardim, parte importante do dia a dia da família, continua vivo e guarda os restos mortais do casal. Entrada: 40 pesos ou R$ 7; bit.ly/casatrotsky

 

Frida e Diego. Quem gosta de arte e quer conhecer um pouco da vida dos dois mais populares pintores mexicanos deve apostar em dois museus: o Museu Frida Kahlo, em Coyocán, e o Museu Estúdio Diego Rivera, em Barranca del Muerto, a cinco quilômetros do primeiro.

O Museu Frida Kahlo funciona na casa onde a pintora nasceu e viveu grande parte de sua vida. Colorido, iluminado e arborizado – o jardim merece atenção especial –, o local abriga pinturas da artista de todas as fases de sua carreira e objetos pessoais, como cartas, diários, livros, louças, pincéis e uma infinidade de artigos de decoração. No Dia dos Mortos, em novembro, é montado ali um altar com as famosas caveiras, flores e figuras da tradição mexicana, como esqueletos, animais alados e insetos. 

Também estão expostos a cadeira de rodas e o colete ortopédico que Frida usou ao longo de anos e que tanto marcaram sua obra. As filas para a entrada são longas, mas é possível evitá-las comprando tíquetes no site (200 pesos ou R$ 34).

 

 

Composto por duas casas geminadas, o Museu Estúdio Diego Rivera foi construído no início dos anos 1930 para Rivera e Frida, por um dos mais importantes arquitetos mexicanos da época, Juan O’Gorman. As duas casas são ligadas por uma passarela no telhado, e uma longa fileira de cactos cerca as construções.

O amplo estúdio de Rivera emociona quem já assistiu, em algum momento, imagens do pintor trabalhando. Lá estão grandes esqueletos de papel machê, objetos de cerâmica pré-colombiana e outros de uso pessoal, como pincéis, balança para pesar tinta em pó e cadeiras. 

Ao subir um andar pela estreita escada, o visitante encontrará o quarto de Rivera, bastante simples, mas original. Repare na janela estreita, retangular, que rodeia o teto e permite uma visão do sol durante quase todo o dia. Custa 31 pesos ou R$ 6, e as visitas guiadas são gratuitas.

 

Noite agitada. Quando a visita aos museus acabou, decidimos aproveitar para conhecer melhor o distrito antes de seguir o longo caminho de volta – do metrô até os museus são cerca de 20 minutos caminhando. Um acerto: o andar descompromissado nos trouxe uma das noites mais animadas da viagem, cultural e gastronomicamente falando. 

A primeira parada foi no Mercado de Coyocán, a três quadras da Casa Azul. Como já era fim de tarde, muitas das barracas estavam fechadas. Mesmo assim, não saímos de lá sem experimentar um belo ceviche. 

Seguimos para o centro de Coyoacán, onde fica o Jardim Centenário, inaugurado em comemoração aos cem anos da independência mexicana. Amplo, com jardins bem cuidados e vida cultural vibrante, está rodeado por uma feira de artesanato e dezenas de bares e restaurantes. Nosso escolhido foi a taqueria El Chamán, onde provamos taco recheado de carne de costela e queijo e degustamos o mezcal, a versão menos destilada (e mais saborosa) da tequila. / BRUNA TONI, COLABOROU BIA REIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Bia Reis, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2017 | 04h30

TEOTIHUACÁN - Entrar em Teotihuacán, “local onde os homens se tornam deuses”, é se transportar para outro tempo. Para isso, é preciso uma preparação: vá com roupas confortáveis, tênis e chapéu e leve protetor solar. Você caminhará longas distâncias, subirá muitos degraus, mas será agraciado com vistas incríveis, de perder o fôlego.

Entre os principais sítios arqueológicos do México, com vestígios de uma das civilizações mais importantes da Mesoamérica, Teotihuacán fica a cerca de 50 quilômetros da capital mexicana. Contam os guias que, após o período de declínio, as ruínas de Teotihuacán ficaram escondidas sob camadas de terra e vegetação. Parte da localidade foi descoberta e passou a ser escavada em 1864, mas as principais atrações foram encontradas a partir dos anos 1970.

Fundada antes da era cristã, Teotihuacán chegou a abrigar 200 mil pessoas em uma área de 20 quilômetros quadrados e exerceu domínio sobre outros povos durante cerca de 500 anos. Os antigos habitantes fizeram coisas interessantes, como banheiros dentro de casa – na época, o costume era ter o cômodo na área externa. Após ser abandonada pelos próprios moradores, em 650 d.C., Teotihuacán foi considerada sagrada pelos astecas.

A via principal da cidade é a Avenida dos Mortos, que corta o terreno retangular onde encontram-se mais de cem pirâmides de diferentes tamanhos. Além das pirâmides, você se surpreenderá com o Templo de Quetzalcóatl, erguido no ano 200, onde é possível ver uma série de máscaras de pedra. Os destaques do passeio são as Pirâmides da Lua, com quatro níveis, e a do Sol, uma das maiores do mundo – cada lado tem 200 metros, e o pico está a 65 metros de altura. 

Para subir a Pirâmide do Sol é preciso energia e um pouco de paciência, especialmente nos fins de semana, quando o sítio costuma receber uma multidão de turistas. Cordas colocadas de cima abaixo ajudam o visitante a se equilibrar e subir os degraus. O esforço, acredite, será recompensado.

Próximo às Pirâmides da Lua e do Sol está o Palácio de Quetzalpápalotl, um labirinto de templos e residências que levou séculos para ser construído. Preste atenção nos murais do Palácio dos Jaguares, com desenhos de onças com plumas tocando instrumentos feitos de conchas e penas.

 

Vistas do alto. Se é difícil descrever a sensação diante das pirâmides de Teotihuacán, quando as contemplamos do alto, a bordo de um balão, torna-se quase impossível. Os passeios nos coloridos globos são realizados por agências como a Flying Pictures México, que vende voos compartilhados e privados desde 2.300 pesos ou R$ 384.

Para quem só quer observá-los, o Festival Nacional del Globo Teotihuacán, em 27 de maio, terá espetáculo de balões, shows e food trucks – 320 pesos ou R$ 54. 

É possível ir a Teotihuacán de ônibus – a passagem custa entre 40 e 50 pesos (de R$ 7 a R$ 9) – ou de carro, pagando 45 pesos (R$ 7,40) pelo estacionamento. A entrada na cidade antiga vale 65 pesos (R$ 11).

E aqui vai uma boa dica: chegando, pague um táxi para ir até o último portão, no ponto mais alto, e faça o passeio descendo a Avenida dos Mortos. Poupará fôlego para subir as escadarias das pirâmides. / BIA REIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2017 | 04h30

Cinco atrações na Cidade do México que são imperdíveis e boas para combinar com os demais passeios.

1. Lucha libre 

Um, dois ou três lutadores mascarados e fantasiados dividem o mesmo ringue, disparando golpes, acrobacias e saltos perigosos – até em direção às arquibancadas. Esporte e teatro cômico ao mesmo tempo, é super popular por lá. Na capital, assista na Arena México: bit.ly/luchaarena

2. Zona Rosa 

Quer uma noite agitada? A Zona Rosa, no bairro Juárez, é seu destino. Basta seguir pela Avenida Paseo de La Reforma no sentido contrário ao Zócalo para se deparar com o conjunto de ruas, algumas exclusivas a pedestres, que reúne restaurantes, bares, baladas LGBT, sex shops e até um cassino. 

3. Praça Garibaldi 

Outro lugar com vida noturna animada é a Plaza Garibaldi, a dez minutos do Zócalo. Com mesas ao ar livre, seus bares ficam lotados e rodeados pelos mariachis, que embalam o popular gênero mexicano. Por lá também é possível bailar em salões de dança como o Tenampa e o Tropical – um pouco decadentes hoje em dia, já receberam a elite mexicana e são bastante tradicionais. No Tenampa, as filas são grandes e o preço da cerveja um pouco mais salgado (a cerveja custa 46 pesos ou R$ 8 contra 28 pesos ou R$ 5 na maioria dos bares).

 

4. Santuário de Guadalupe

O Santuário Nacional é um dos mais visitados do mundo – média de 20 milhões de pessoas por ano. Formado por 17 áreas, entre capelas, batistério, criptas, museu e duas basílicas – a nova, de 1974, e a antiga, completamente inclinada por causa do afundamento. Mais: bit.ly/guadalupemx.

5. Estádio Azteca

O maior estádio da América Latina deixa qualquer um de boca aberta pelo tamanho e por sua história. Palco das finais das Copas de 70 e 86 no México, onde Pelé e Maradona brilharam, tem capacidade para 87 mil pessoas. Se conseguir, assista a uma partida. Ingressos: bit.ly/estadioazteca.

***

MAIS NO VIAGEM 

Made in China II - Teste às cegas de comida chinesa 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.