Cinco dias de sossego em Alagoas

Cinco dias de sossego em Alagoas

VIAJE NA PERGUNTA

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2016 | 04h01

Vou para Maceió em setembro para passar quatro ou cinco dias. Quero desfrutar de lugares tranquilos, incluindo praias. Sugestões? (Gilberto, São Paulo)

Na minha opinião, Maceió tem o litoral mais bonito entre as capitais nordestinas. As praias urbanas têm belo recorte e mar lindíssimo (apesar de nem sempre apresentarem condições de balneabilidade). Rodando 45 minutos para fora da cidade encontram-se praias de primeiríssimo time, como Barra de São Miguel e Gunga, ao sul, e Ipioca, ao norte. Sossego, porém, não é uma das qualidades que podem ser associadas a Maceió. A cidade está totalmente voltada para o turismo de massa, e nenhum de seus pontos mais bonitos escapa aos ônibus de passeios.

Mas a apenas duas horas de viagem na direção norte você encontra um trecho do litoral alagoano com vocação para o turismo de baixo impacto. Trata-se da região de São Miguel dos Milagres, que abrange também Barra de Camaragibe, Porto de Pedras e Japaratinga, por vezes referida como Rota Ecológica, mas conhecidas pelos mais jovens simplesmente por Milagres. São praias duplamente protegidas. A primeira proteção é uma barreira de corais que deixa suas águas calmíssimas e mornas (às vezes, quentes!) o ano inteiro. A segunda proteção é um providencial desvio da estrada principal, que forma um anel viário de Barra de Santo Antônio a Maragogi e evita que essa preciosa costa se torne um corredor de passagem (o fato de a travessia entre Porto de Pedras e Japaratinga ser feita de balsa também ajuda).

A fórmula imbatível para uma temporada de sossego é escolher uma pousada pé na areia na região e fazer o contrário do que manda o costume em Alagoas. Em vez de zanzar de praia em praia, estacione na sua pousada pelo tempo que puder. 

Você vai se surpreender com tudo o que vai descobrir. Uma caminhada de meia hora, 45 minutos para a esquerda levará a pontos da praia aonde ninguém chega de carro. A mesma coisa acontecerá se você caminhar à esquerda. Na maré baixa, durante as luas cheia e nova, o mar vai fugir por algumas horas – nesse momento, suba numa jangada para ir até a piscina natural mais próxima (que jamais vai estar apinhada como as outras de Alagoas). Saia da pousada apenas para visitar o Projeto Peixe-Boi – e, no caminho, contemple o casario centenário de Tatuamunha.

Charme, simpatia e boa mesa são default em todas as pousadas da região; escolha a que mais lhe agradar (ou que couber no seu bolso) e você não se arrependerá. Mas reserve com antecedência; as pousadas são pequenas e ficam frequentemente lotadas. 

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