Bruno Domigos/Reuters
Bruno Domigos/Reuters

Cinco roteiros para celebrar o orgulho LGBT mundo afora

Para casar, curtir a cultura drag, dormir com luxo e tranquilidade ou apenas turistar

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2018 | 08h04

Neste domingo, a 22ª Parada do Orgulho LGBT vai tomar conta da Avenida Paulista, em São Paulo. No ano passado, o evento reuniu 3 milhões de pessoas e garantiu a ocupação de 90% dos leitos da rede hoteleira na região da Paulista e do centro da cidade. No entanto, não é preciso esperar o desfile para celebrar a diversidade. Selecionamos cinco roteiros de viagens LGBT que podem ser feitas o ano todo.

 

1-Para celebrar o amor

 

 

O Brasil é um dos 26 países onde o casamento homoafetivo é legalizado. Mas que tal transformar a união também em uma viagem a dois? Las Vegas é um clássico – a grande maioria das capelas realiza cerimônias entre pessoas do mesmo sexo. A Gay Chappel of Las Vegas, no entanto, foi criada por um casal gay, Ron Decar e Jamie Richards, e é especializada no público LGBT. Há várias opções temáticas: com Elvis como juiz de paz (a partir de US$ 260), no gazebo da propriedade, gótico, rock’n’roll e conto de fadas, que inclui dois soldados escoltando a noiva (ou noivo) e uma entrada triunfal (US$ 1.795).

Mas é possível ter algo parecido aqui no Brasil mesmo. Inaugurado no início de maio, o espaço temático Casamento dos Sonhos, em Gramado, realiza cerimônias no estilo Las Vegas também para casais do mesmo sexo. É possível se casar oficialmente, com um juiz de paz, ou apenas por diversão, em pacotes variados. O cover de Elvis também está lá, mas dá para variar de tema, com o pacote romântico, medieval ou de seu filme favorito (Star Wars, Harry Potter)... Para chegar ao local, que conta com uma capela e um jardim com carruagem estilo conto de fadas, dá para optar por uma limusine ou até uma ferrari. Os pacotes custam entre R$ 490 e R$ 1.600.

 

 

2- Para manifestar o orgulho

Algumas são mais festivas, outras mais politizadas. Mas há centenas de paradas que buscam celebrar o orgulho LGBT mundo afora – confira o calendário aqui. Em junho, além da de São Paulo, há a parada de Tel Aviv, no dia 8. Lisboa realiza a sua dia 16 e, no dia 23, promove um Arraial do Orgulho Gay. Em Paris, a parada celebra sua 40ª edição no dia 30. Conhecida pela luta por direitos dos homossexuais, São Francisco, nos EUA, dedica os dias 23 e 24 para uma série de eventos do orgulho LGBT, culminando com um desfile, no domingo – mesmo dia da parada de Nova York. 

Em Amsterdã, há eventos temáticos de 28 de julho a 5 de agosto, com uma parada entre os canais da cidade. Buenos Aires, conhecida por sua natureza gay friendly, realiza a sua em 10 de novembro – nessa época, aproveite também o Queer Tango Festival, entre os dias 12 e 18, com apresentações e aulas para iniciantes.

3- Para curtir a cultura drag

Com um total de 13 edições, o premiado reality show Rupaul’s Drag Race reúne um grupo de drag queens que deve passar por uma série de desafios de performance, costura e passarela. O sucesso do programa impulsionou a cultura drag e criou uma legião de simpatizantes, que buscam ver ao vivo apresentações de suas participantes favoritas. 

O apresentador Rupaul Charles aproveitou a popularidade do programa para criar, em 2015, a Rupaul DragCon – evento no estilo das ComicCons de quadrinhos, mas com foco na cultura drag. Há expositores de figurino e maquiagem, sapatos de saltos inacreditavelmente altos, workshops. A de Los Angeles foi realizada no início de maio, mas Nova York também terá a sua, entre 28 e 30 de novembro. Os ingressos já estão à venda e custam a partir de US$ 40. Na programação, painéis com ex-participantes (como Trixie Mattel, vencedora da última edição do All Stars), quadros clássicos do programa (como o desfile e o Snatch Game, um  quadro de imitações) e, como não poderia faltar, shows com drag queens...

Há outras opções para mergulhar na cultura drag. Em Chicago, por exemplo, o Kit Kat Lounge é um bar e restaurante de decoração clean, com uma carta de mais de 200 martinis, todos por US$ 12,95. As “divas”, como eles se referem às artistas, se apresentam em intervalos de 1 hora, em média, e passam de mesa em mesa (pode tirar fotos à vontade). Los Angeles tem a Hamburger Mary, que serve hambúrgueres bem avaliados (inclusive veganos) e realiza shows diversos, incluindo um bingo beneficente.

E vale lembrar que sempre diva Cher, fonte de inspiração para centenas de drags, está em turnê com o show Classic Cher. Em agosto, ela fará várias apresentações em Washington D.C; entre setembro e outubro, ela realiza diversas apresentações na Austrália antes de voltar para os Estados Unidos, em novembro, para uma temporada em Las Vegas. Informações sobre tíquetes em cher.com.

4- Para um sono tranquilo

Felizmente, pedir uma cama de casal para duas pessoas do mesmo sexo já é algo corriqueiro em muitos hotéis mundo afora. A rede Accor, por exemplo, ganhou este ano o selo de Empresa Amiga da Diversidade entregue pela Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) por seu trabalho com a comunidade LGBT. Associada à IGLTA, Associação Internacional de Viajantes Gays e Lésbicas,  na sigla em inglês, a empresa conta com um comitê para auxiliá-la em ações focadas no público homossexual e no treinamento de seus funcionários. 

Nos Estados Unidos, a rede de hotéis-butique Kimpton é considerada uma das mais comprometidas com o público gay. Entre as ações da marca, quem doa US$ 10 por dia durante sua estada para o Trevor Project ganha 15% de desconto por diária. O projeto tem como objetivo oferecer apoio psicológico e prevenir suicídio de jovens LGBT, oferecendo aconselhamento em uma linha aberta 24 horas por dia. Outras redes que também constam entre bons exemplos de inclusão são a Starwood, a primeira dos EUA a anunciar na Parada Gay de Nova York, além de Marriott, Hyatt e Hilton

Na Europa, o site GayWelcome.com listas mais de 4 mil opções de hotéis gay friendly ou mesmo exclusivos para o público gay. Aliás, há cada vez mais opções nessa última categoria. Em Puerto Vallarta, no México, o luxuoso Almar Resort se autodenomina “hetero friendly”, fica em frente à praia e conta com piscina de borda infinita, jacuzzi e ammenities L’Occitane (diárias a partir de R$ 460). Conhecida por suas festas badaladas, Mykonos, na Grécia, conta com o Elisium, em Mykonos, cuja piscina com vista para o Mar Egeu é o centro nervoso da casa. Ali ocorrem festas, shows e pool parties animadas (diárias a partir de R$ 600).

Também conhecida por ser uma cidade gay friendly, Buenos Aires é um verdadeiro oásis de hospedagens amigáveis para casais homossexuais. Localizado na região do Puerto Madero, em Buenos Aires, o refinado Faena, decorado por Philippe Starck,  é um antigo queridinho da comunidade LGBT, com quartos lindamente decorados a partir de US$ 529 e bicicletas para emprestar e percorrer a cidade. Não é o único na capital portenha: o Mio, elegante um hotel-butique com quartos a partir de US$ 250, está entre os mais elogiados pela comunidade LGBT.

5- Para turistar

Independentemente de sua orientação sexual, viajantes querem mesmo é viajar. No entanto, o preconceito ainda existe em muitos lugares: em cerca de 70 países a homossexualidade é considerada crime (leia mais sobre o assunto aqui). Bermuda, no Caribe, vive uma polêmica:  menos de um ano depois de aprovar uniões homoafetivas, o governo do país anunciou que vai voltar atrás na decisão, causando uma série de petições online e um boicote por parte de famosos como a apresentadora norte-americana Ellen Degeneres. Por outro lado, alguns destinos vêm se destacando justamente pela inclusão – e, claro, por suas belas paisagens.

Caso da Dinamarca, primeiro país a oficializar o casamento gay, em 1989. Na capital, Copenhague, o Centralhjørnet, de 1917,  se autodenomina o bar gay mais antigo do mundo – a partir de outubro, com o inverno rigoroso se aproximando, a casa investe em shows de drags, música e jazz. A Nova Zelândia foi pioneira em adotar a nomenclatura “gay friendly” em estabelecimentos, em 1998, e cada vez mais aparece em guias LGBT como um destino amigável. Conhecida por ser a meca dos esportes de aventura, Queenstown realiza a Gay Ski Week de 1º a 9 de setembro, com atrações pagas e gratuitas para celebrar o orgulho LGBT.

Com seus lindos cenários divulgados na série da HBO Game of Thrones, a Islândia também está entre os países liberais – quando o casamento gay foi oficializado, em 2010, a então primeira-ministra do país Johanna Siguroardottir aproveitou para se casar com sua companheira publicamente. 

Na Ásia, a Tailândia é um dos países mais gay friendly – em muitos sites especializados, Bangcok é chamada de “a capital gay da Ásia” por sua infinidade de estabelecimentos com foco nesse público. Pattaya tem algumas das praias mais badaladas, como Dongtan Beach e Jomtien Beach, enquanto Chiang Mai se destaca pela vida noturna.

 

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