City tours que não custam nada

Numa demonstração de esperado fair play, o homem mais viajado do mundo envia seus cumprimentos à comunidade germânica residente no Brasil pela precoce eliminação do English team do Mundial. A seu ver, "nossos representantes jogaram sem a pertinácia necessária e, quando esboçaram fazê-lo, um embaraçoso equívoco oftalmológico levou o juiz a considerar que a uma bola não basta ultrapassar a linha do gol. É preciso que ela também entoe Aleluia de Händel". A seguir, a correspondência da semana:

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2010 | 12h59

Prezado mr. Miles: ouvi dizer que existem alguns programas de primeira qualidade que podem ser feitos

em cidades atraentes sem custo nenhum. É mesmo possível?

Thomas Soltan, por e-mail

"Of course, my friend. Começo lembrando que o ato de flanar, que significa perambular sem destino ou compromisso em qualquer local atraente, é completamente free of charge. E torna-se especialmente lucrativo quando você tem informações suficientes para reconhecer o que lhe surge pelo caminho, entender sua história, em que circunstâncias foi feito and so on. Mas não é exatamente essa a sua questão, I presume. Pois saiba que, em algumas cidades charmosas, existem guided tours (passeios guiados), que não custam um centavo sequer, a não ser que você decida dar uma gorjeta para o cicerone ao fim da jornada.

Em Roma, for instance, é possível juntar-se, todos os dias, ao grupo chamado New Rome Free Tour (newromefreetour.com) que realiza um passeio muito interessante e diferente pelas atrações da cidade. Nem é preciso reservar. Basta aparecer, punctually, às 17h30, na Piazza di Spagna, junto ao Museu Keats Shelley (à direita, olhando para os degraus) e procurar o guia que usa um crachá azul. O tour parte todos os dias, faça chuva ou faça sol, e tem duração de cerca de duas horas.

Em Paris, a City Free Tour organiza caminhadas minuciosamente guiadas por diferentes regiões da cidade. São oito saídas semanais (duas ao dia) para flagrar a intimidade de Montmartre e outras quatro para invadir a história do Marais e da Bastilha. Nesse caso, é preciso reservar porque não se aceitam grupos com mais de 20 pessoas (cityfreetour.com). A linda Budapeste, na Hungria, também tem passeios gratuitos. E são vários, my friend. O mais tradicional, para beginners, sai todos os dias da Praça Vörösmarty às 10h30 e o ponto de encontro é a fonte do leão, que fica bem no meio (triptobudapest.hu). And don"t worry: as explicações não são em húngaro.

Os portenhos, que continuam cismando que nossas Falkland pertencem a eles, também oferecem um city tour gratuito. Em duas horas e meia você conhecerá muitas das atrações e das curiosidades de Buenos Aires. O passeio, de segunda a sábado, começa às 11 horas na esquina da Avenida Rivadavia com a Calle Rodriguez Peña (bafreetour.com).

Você pode achar tours gratuitos even in USA, my dear Thomas. Em New York, há um grupo de voluntários que leva forasteiros para conhecer os cinco distritos da cidade (um de cada vez, of course). Basta procurá-los no bigapplegreeter.org. Em Washington, onde, by the way, os museus são gratuitos, há o grupo DC by Foot que faz o mesmo trabalho ? e vai além dos monumentos públicos que você mesmo pode encontrar (dcbyfoot.com).

Enfim, my friend, basta procurar que você acha. Eu mesmo já participei de alguns desses passeios gratuitos e eles são sensacionais. Como vivem das gorjetas, os guias são verdadeiros showmen. Nem sempre tudo o que contam condiz com a verdade. Mas, em caso de dúvida, basta consultar este seu velho companheiro."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ESTEVE EM 132 PAÍSES E 7 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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