Felipe Mortara|Estadão
Felipe Mortara|Estadão

Dicas de Chiang Mai

Verde, compacta e fácil de descobrir em curtas caminhadas, a principal cidade do norte da Tailândia é um descanso

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2016 | 05h00

CHIANG MAI - Sem querer levantar polêmica, faço aqui uma afirmação, no mínimo, recorrente. Quem não foi a Chiang Mai não sentiu a Tailândia. Pode ter vivido a agitação de Bangcoc, visto as praias de Phuket, mas o país é muito mais. Ainda bem que existe essa cidade menor, com seus 500 mil habitantes, clima mais ameno, ar interiorano e uma autenticidade comovente. Aqui vive uma Tailândia pulsante, pouco globalizada e que respira os ares de um passado inspirador. 

A 690 quilômetros ou 1h10 de voo da capital, eis uma cidade verdinha, gostosa de caminhar, fácil de encontrar tudo. O que você mais buscará são templos, talvez os mais belos que vi. Na primeira caminhada você já vai topar com Wat Phra Singh, lar da mais venerada imagem da cidade, a do Buda Leão. Idealizado pelo rei Pa Yo, em 1345, o hall que abriga a imagem foi concluído em 1400 – exemplo da arquitetura lanna, seguida no período em todo o norte da Tailândia. 

Pelas paredes, antiquíssimos afrescos dourados de uma delicadeza comovente, em estilo burma. Às 11 horas pode-se ver jovens monges – alguns de apenas 5 anos – almoçando sentados no chão. Tudo com uma naturalidade surreal, como se os cliques da câmera fossem silêncio. 

A uma quadra dali, o templo de Wat Chedi Luang abriga ruínas de uma imensa stupa que chegou a ter 84 metros de altura, tamanho respeitável para os idos de 1441, quando foi erguida. Dizem que a culpa é, em partes, de um terremoto no século 16 e de um ataque com balas de canhão pelo rei Taksin em 1775, durante a reconquista de Chiang Mai da mão dos homens de Burma (atual Mianmar). A coisa mais bacana dali é bater papo com um monge; entre 13 e 18 horas sempre há um deles sentado ao lado de uma placa onde se lê “monk chat” (converse com o monge). Deixe um donativo.

Insuperável é a beleza de Doi Suthep, 8 quilômetros a oeste do centro. No cume de uma montanha, a 2 mil metros de altitude, é preciso subir uma escadaria de 306 degraus ou ir de bondinho. Fundado em 1383 pelo rei Keu Naone para adorar um pedaço de osso que se acreditava ser do ombro de Buda, o templo e sua reluzente stupa coberta de ouro são impressionantes.

Problema de peso. Outra famosa atração de Chiang Mai são as fazendas que cuidam de elefantes. Até 1989 esses animais eram muito usados no trabalho pesado. Após a proibição da prática, milhares foram abandonados e tornaram-se um problema para o país. A partir daí surgiram refúgios que tratam dos bichos e os expõem aos turistas. 

Ocorre que nem todos cuidam tão bem dos elefantes e há na internet denúncias de maus tratos. Entre os santuários mais renomados está o Elephant Nature Park (desde 2.500 baht ou R$ 283), onde os visitantes podem dar banho nos gigantes, alimentá-los e interagir com eles. 

Muito mais radical, porém menos interativo, o Night Safari (400 baht ou R$ 45) é um projeto megalomaníaco do ex-primeiro ministro Thaksin Shinatrawa. Embarque em um trenzinho e veja girafas, veados, cangurus, ursos e leões. Tudo sob a luz de fortes holofotes. Alerta: as fotos ficam terríveis. O que valeu o ingresso foi o Predator’s Show, arena em que felinos mergulham em um aquário para pegar pedaços de carne. O tigre e a onça-pintada são deslumbrantes. 

Ching Mai atrai visitantes também pelos cursos que oferece. De meditação, gastronomia, idiomas, boxe tailandês, desenho de joias, ioga e, é claro, massagem. Uma busca na internet mostra dezenas de opções para alguns dias ou até meses de aulas com profissionais de várias nacionalidades que escolheram Chiang Mai como lar. Não vai demorar para você entender o porquê.

CURIOSIDADES

Em Chiang Mai, vá até o templo de Wat Chai Mokgong, compre um pote com peixinhos e solte-os no Rio Mae Ping fazendo um pedido. Em seguida, embarque em um passeio de 1h30 ida e volta (750 baht ou R$ 85).

Mais conteúdo sobre:
Tailândia Ásia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.