Clima sombrio (e divertido) entre bruxas

Imerso em neblina 305 dias por ano e com temperaturas que caem fácil até os 20 graus negativos, Monte Brocken atrai visitantes com passeio de trem e lendas sobrenaturais

Mônica Nóbrega

18 Maio 2010 | 02h41

Inóspito. No topo da estação do Monte Brocken, turistas desembarcam em meio a gelo, neve e muito frio. Foto: Mônica Nóbrega/AE

 

WERNIGERODE - Antes de o trem começar a escalar os 1.142 metros de altura do Monte Brocken você provavelmente vai rir das lendas de bruxas que ouvirá enquanto espera na estação. A partir do momento em que os vagões se puserem em movimento montanha acima, a ideia de que criaturas sombrias possam mesmo frequentar aquele bosque deixará de parecer absurda com a mesma velocidade que a névoa, quase discreta lá embaixo, vai se transformando em uma nuvem densa. Até o ponto em que se torna gelo envolvendo os ramos das árvores e, então, neve.

Localizado a cerca de 15 quilômetros de Wernigerode, a cidade mais próxima, o Monte Brocken é o ponto mais alto da Cordilheira do Harz. Vive imerso em neblina por 305 dias a cada ano, em média. A temperatura lá em cima cai com facilidade até os 20 ou 30 graus negativos. Congela até os fios de cabelo que sobraram para fora do gorro.

Tempestades de neve são bem comuns no pico. Interditam a linha férrea e obrigam os visitantes a esperar lá em cima por condições mais adequadas - há um hotel, felizmente, com 19 quartos, diária de 55 por pessoa e restaurante (brockenhotel.de). Raros, mesmo, são os dias de sol. Os de calor, inexistentes.    

 

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E por que 1,1 milhão de turistas sobe a um lugar tão inóspito a cada ano? Apesar das condições adversas (ou, talvez, exatamente por causa delas), o passeio é dos mais interessantes que se pode fazer na região. O trem existe desde 1899 e realizava até 12 viagens por dia para levar suprimentos aos trabalhadores que operavam uma torre de TV e faziam medições de clima. Hoje, além dessa função, há também um museu e a história, mais uma vez, ligada à ditadura soviética naquela região da Alemanha.

As subidas turísticas foram interrompidas em 1961, quando o trem virou exclusividade dos soldados. Por incrível que pareça, o Monte Brocken também foi cercado por um muro, construído entre 1984 e 1 985. Quem vive nos arredores fala em paranoia das autoridades, porque não há explicação mais convincente para tal atitude. Mesmo sendo base militar, o monte não estava em região assim tão estratégica.

Tanto que a montanha era quase esquecida. Para se ter uma ideia, foram moradores da região que subiram em bloco (e a pé) para contar aos soldados que o Muro de Berlim tinha caído. O grupo, formado por cerca de 1.500 pessoas, empunhava faixas onde se lia "Povo livre, Brocken livre". O lugar foi reaberto ao turismo em 1991. Ganhou um museu, onde você pode conhecer detalhes de toda essa história. E ainda tirar uma foto "voando" em uma vassoura de bruxa.

Festival. Conta-se que feiticeiras realizam no monte o festival Walpurgis Night, de 30 de abril a 1.º de maio. Encontram-se com o diabo, dançam em torno da fogueira e sobem ao topo. Crença que ganhou força, dizem, depois que o escritor Wolfgang Goethe subiu ao monte ? e, ao que parece, deu mais fôlego à lenda.

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