Cogumelos da Capadócia vistos do alto

Balões levam os turistas para sobrevoar as formações rochosas da região

Jerusa Rodrigues,

03 Novembro 2010 | 12h06

 

 

 

 

 

 

Disposição para acordar quando ainda é madrugada, por volta das 5 horas, e certa dose de coragem, que será necessária apenas nos primeiros minutos. Pensando bem, os pré-requisitos para embarcar em uma das aventuras mais deslumbrantes da Turquia não poderiam ser mais fáceis.

 

O passeio de balão pelos céus da Capadócia, região localizada 700 quilômetros a sudeste de Istambul, na província de Nevsehir, começa com um bem-vindo café da manhã, servido no ponto de onde partem os coloridos dirigíveis. Enquanto isso, os balões são preparados para alçar voo, o que ocorre exatamente às 6 horas – quando o vento é mais adequado, garantem os entendidos no assunto.

 

Vans enviadas pelas agências que vendem o passeio (a 160 por pessoa) recolhem os turistas nos hotéis e os levam até aquele ponto, em meio ao relevo característico da região.

 

Com todos embarcados no cesto, que tem capacidade para 18 pessoas, a subida começa em ritmo surpreendentemente tranquilo. E o voo continua assim, mesmo a 800 metros de altitude, enquanto os balões enfeitam a paisagem dourada com sua silhueta multicolorida.

 

 

 

Bicolor. Lá do alto é ainda mais bela a vista que se tem das formações rochosas conhecidas como chapéus ou chaminés de fadas. Essa lindíssima paisagem, de cores bege e branca, que faz lembrar dunas quando vista de longe, é resultado da erosão de rochas originárias da lava de vulcões – isso há 3 milhões de anos. São dois tipos de rochas que sofreram erosão em tempos diferentes. Por seu desgaste mais lento, a camada superior ficou maior que a de baixo, o que deu ao conjunto o aspecto de um chapéu. Ou de um cogumelo.

 

Tais formações chegaram a ser habitadas. Hoje, são locais de visitação turística, como os mosteiros e capelas de Göreme, escavados nas rochas e decorados com afrescos do século 4º ao 10º.

 

O passeio tem duração de uma hora e meia, durante a qual só se escutam risos, eventuais tentativas de conversas com viajantes dos outros balões (um deles se aproxima tanto que toca o nosso, o que faz lembrar um beijo) e os intermináveis e ansiosos cliques das máquinas fotográficas.

 

O frio que acompanhou os primeiros raios de sol daquela manhã de agosto, em pleno verão, também desaparece por completo, expulso pelo fogo ateado ao centro do dirigível. Mesmo quem garantiu morrer de medo da altitude antes do começo do sobrevoo, como uma italiana que fazia parte do meu grupo, àquela altura havia esquecido completamente qualquer sinal de receio.

 

Lá em cima, mal se notam os minutos, a hora passa mais depressa do que todos gostariam. O passeio chega ao fim sem que ninguém demonstre muita vontade de descer. Novamente em terra firme, somos recebidos com champanhe, para brindar a inesquecível aventura. E com merecidos certificados de voo.

 

 

 

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