Mônica Nóbrega/AE
Mônica Nóbrega/AE

Com emoção, mas nem tanto

Experimente o rafting, novidade no Tocantinzinho, e outras opções de dificuldade moderada

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2009 | 02h32

Alguma ansiedade podia ser notada na voz e nos gestos do guia Maurício Martins enquanto orientava o grupo a entrar no bote amarelo e puxava a embarcação até a suave correnteza do Tocantinzinho. As águas do rio eram verdes e muito transparentes. Características que tornavam o rafting ainda mais especial - e convidativo.

A descida naquela tarde de julho inaugurou o primeiro rafting da Chapada dos Veadeiros. Um circuito para viajantes que já têm alguma desenvoltura na natureza, nem que seja para saber evitar o desespero ao cair no rio. Se esse é o seu caso, pode se jogar na água sem receio - desde que, é claro, esteja devidamente amparado pelos equipamentos de segurança.

Marina Gonçalves Silva recebe os turistas no rancho Praia das Pedras com sorrisos e um cardápio simples, no qual constam peixe, rapadura, sucos de frutas da terra e pimenta, tudo com toque caseiro. Além de infraestrutura básica: mesinhas à sombra de um quiosque e banheiro. A agência Itakamã, responsável por lançar o rafting no Tocantinzinho, usa esse lugar como ponto de partida para o passeio.

 

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Enquanto os aventureiros se aprontam na prainha da margem, o menino Brivaldo, filho caçula de Marina, exibe a destreza adquirida no contato diário com o rio. Os cliques só silenciam quando o guia convoca para o embarque - e lembra que levar a máquina fotográfica não é uma boa ideia. E assim, minutos depois, nosso grupo inaugura o mais novo passeio disponível na Chapada dos Veadeiros.

Dez cachoeiras e quedas- d'água desafiam os rafteiros no percurso. Segundo Maurício Martins, proprietário da Itakamã, a época da seca vai mudando a configuração do rio e alguns trechos chegam a ficar mais sinuosos e interessantes.

Por enquanto, os raftings no Tocantinzinho estão confirmados até outubro. Depois, será preciso analisar o efeito das chuvas sobre o nível do rio. Outra ameaça, em nada relacionada à natureza, pode inviabilizar o passeio em dois anos. O local está na mira de uma barragem e de uma usina hidrelétrica. Mostrar o potencial turístico do rio, para Maurício, é uma forma de tentar evitar que isso ocorra.

A Praia das Pedras funciona também como área de camping - de forma restrita, é verdade. A proprietária conta que dá preferência aos visitantes que chegam em família e aos grupos com maioria de mulheres e de crianças. Além disso, não vende bebidas alcoólicas e não permite que os turistas levem suas próprias garrafas.

"Trabalho aqui com meu marido e meus filhos e estamos em um lugar muito isolado, de difícil acesso. Tenho de garantir a segurança de todos", justifica. A diária do camping sai por R$ 60, com três refeições e passeio de voadeira incluídos.

linkPara ir: o rafting custa de R$ 100 a R$ 265. Informações: http://www.itakama.com.br/. Praia das Pedras: (0--61) 9638-4509.

O caminho pontuado por cristais até as corredeiras do Rio Preto, dentro do Parque Nacional, é muito bem marcado. Praticamente uma estrada. O que torna o trajeto um pouco mais desafiador é a proibição do trânsito de carros. Assim, as subidas e descidas do percurso têm de ser vencidas, necessariamente, a pé. Na ida e na volta.

Por esse motivo, o conselho do administrador do parque, Daniel Borges, é fazer a caminhada no seu ritmo, sem pressa. "Pare, fotografe uma flor, uma pedra, descanse", sugere. Há seis meses, ele conta, um dinamarquês de 92 anos fez o passeio. "Ele chegou aqui às 8 e saiu às 18 horas, o horário de fechamento da portaria. Foi devagar, aproveitou e saiu feliz."

As corredeiras compensam plenamente a caminhada. Pedras formam piscinas e cascatas refrescantes. Faz lembrar um clube, inclusive porque o local é o escolhido pelos visitantes para o piquenique (não esqueça de recolher o seu lixo, mesmo orgânico, e levá-lo de volta na mochila).

Se depender da atual administração e da aprovação do plano de manejo, o parque deve ganhar trilhas adaptadas para cadeirantes e transporte. Enquanto as mudanças não se concretizam, a entrada é grátis - mas é obrigatório contratar um guia.

linkPara ir: www.icmbio.gov.br/parna_veadeiros.

O começo da trilha que leva aos cânions do Raizama não chega a ser exatamente um desafio. Os primeiros dois quilômetros são essencialmente planos, até a área esculpida pelo curso do Rio São Miguel. O caminho começa aberto, com vegetação típica do cerrado, como a lobeira, alimento favorito do lobo-guará, e o chapéu de couro, arbusto retorcido e de folhas duras.

Aos poucos, a trilha se fecha e a paisagem muda. Ganha os contornos do cânion estreito, tão difíceis de serem retratados com perfeição pela máquina fotográfica. Nesse passeio, a dificuldade só aumenta se você quiser. Na época da seca, os mais corajosos podem encarar um canionismo pelo leito de rio. Outra opção é continuar pela trilha de pedras até as corredeiras. Você vai contra a correnteza do São Miguel,alternando trechos a nado e caminhadas pelas pedras até chegar ao ponto da diversão: mergulhar em um rebolo e deixar que a água naturalmente o jogue para fora.

 

linkPara ir: na Travessia (http://www.travessia.tur.br/), o passeio sai por R$ 150 por carro (para até 4 pessoas), com visita ao Vale da Lua.

 

Colaborou Adriana Moreira

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