Comece por Atenas sua epopéia particular pelo país dos deuses

Capital guarda cartões-postais em forma de impressionantes construções (mesmo escondidas por tapumes)

Carla Miranda, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2008 | 03h09

Basta alguém dizer que acabou de voltar da Grécia para ser inundado por perguntas. E cada resposta, em vez de saciar o interlocutor, atiça sua curiosidade a ponto de ele fazer pelo menos mais cinco questionamentos - por segundo. O Partenon é tudo aquilo? Caiu na noite de Mikonos? Todas as casas de Santorini são brancas? A praias compensam? Provou o iogurte? E o azeite? Ufa!   Veja também: Cidade em 3 versões: turística, chique, real A 'casa' está pronta. Só falta os frisos voltarem Santorini, a perfeita tradução Prepare corpo e alma para Mikonos Não quer preocupação? Aposte num cruzeiro Para falar de Zeus. E da Olimpíada   A seqüência quase infantil de interrogações só não se torna irritante porque, depois dessa viagem, qualquer mortal estará se sentindo o escolhido dos deuses. Sim, você conheceu a Grécia, que por sinal é tudo aquilo e muito mais. E está doido para contar (e se gabar um pouco, porque ninguém é de ferro). Afinal, sabe que não são muitos os que tiram da lista o sonho de visitar um dos mais peculiares países da Europa, onde nasceu o que hoje chamamos de civilização. Os números frios corroboram sua impressão: pouco mais de 11 mil brasileiros estiveram na Grécia em 2006, a última estatística disponível. Isso corresponde a bem menos que 0,1% do fluxo de turistas no país, o 17º do mundo na lista dos mais visitados do globo, segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT). Muito embora as Ilhas Gregas - são mais de 2 mil, mas apenas 170 têm população fixa - exerçam atração irresistível, é por Atenas que você deve começar essa viagem. Revitalizada para os Jogos Olímpicos de 2004, a capital continua um grande canteiro de obras. Seja porque o rigor no cronograma não é o forte por lá ou pelo fato de a Comunidade Européia ser pródiga em liberar verbas para o país. Só entre 2000 e 2006, o bloco econômico destinou mais de 116 milhões para projetos de restauração e vultosas verbas já foram acertadas para os próximos anos. De uma forma ou de outra, a a capital oferece uma oportunidade ímpar de tropeçar em ruínas. Você fará isso o tempo todo, com direito a olhares de surpresa, seguidos de muitas fotos. Mesmo os gregos acham a cada dia resquícios de um passado que não estavam necessariamente procurando. Vão expandir o metrô, que hoje conta com três linhas, e topam com jóias, tumbas, uma rede de água, traços de estradas. Foi exatamente o que ocorreu na Estação Evangelismós, que ganhou paredes envidraçadas para deixar tudo à mostra. E em pelo menos outras duas: Syntagma e Akropoli. NO ALTO Independentemente de onde você estiver hospedado (e mesmo se tiver desembarcado de um dos muitos transatlânticos que espertamente incluem Atenas em sua rota), é em Akropoli que você vai descer. É que, como o nome diz, a estação está colada na principal atração turística de Atenas. Basta sair do metrô, dar meia dúzia de passos numa rua arborizada e ficar cara a cara com a Acrópole. Poucas coisas se comparam com a primeira visão desse conjunto de prédios que há séculos confirma a genialidade grega. Por mais viajado que você seja, existe a grande chance de pensar algo como: ''Não acredito que eu estou realmente vendo isso''. Dominando a paisagem, o Partenon, dedicado à protetora da cidade, a deusa da sabedoria. Construído no século 5º a.C.por encomenda de Péricles, o templo de colunas dóricas abrigava a Pathernos, gigantesca representação de Atena feita de ouro e marfim, uma das obras-primas do mestre Fídias. Majestoso até hoje, o prédio passa por reformas quase ininterruptas desde a década de 1970 - daí os andaimes e guindastes que atrapalham as fotos e a primeira visão que você tem da Acrópole. Essa obra interminável atualmente consome parcela razoável dos investimentos da Comunidade Européia no país e ainda não tem previsão para acabar. Antes que você fique desapontado com os tapumes e os andaimes, siga até a face leste do Partenon e consiga bons cliques, quase sem esses sinais inequívocos da obra. Logo ao lado, encante-se com o Erectéion, com suas incríveis colunas em forma de mulher, as cariátides. E com os dois teatros, o de Dionísio e o de Herodes Ático. Enquanto do primeiro resta pouco mais que a forma de semicírculo, o de Herodes foi reformado e recebe concertos ao ar livre. ÁGORA Já descendo a montanha, o caminho natural, feito pelos gregos há tempos imemoriais, leva você até a Ágora Antiga, outrora o coração político e comercial de Atenas. Ali ficavam escolas, lojas e a prisão onde o filósofo Sócrates foi obrigado a beber cicuta. A mais bem preservada testemunha desses tempos idos é, sem dúvida, o Hefaisteion, templo dedicado a Hefesto, o deus do fogo. Nesta época do ano, dificilmente você vai conseguir privacidade para desfrutar tudo isso. O mais normal é encontrar zilhões de turistas, muitos deles em grupos barulhentos e alguns claramente desrespeitando os resquícios de um passado glorioso. O que acha de ver uma senhora sentada em uma das ruínas? Ou adolescentes gravando seu nome na pedra? Trocando em miúdos, na Grécia você será um entre 16 milhões de visitantes. Na volta ao Brasil, no entanto, passará a integrar o time dos quase 11 mil sortudos que saem daqui anualmente para conhecer uma terra lindíssima e apaixonante, que há séculos cultiva uvas e democracia, oliveiras e filosofia. E encontrará ouvidos atentos para suas narrativas épicas sobre a viagem dos sonhos - dos seus e dos outros. Acrópole: entrada conjugada com a Ágora Antiga e outros monumentos custa 12 (R$ 30,18) Viagem feita a convite da MSC Cruzeiros

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