Comer e beber (bem), a saborosa rotina de Osaka

Os cânions de concreto e as vias elevadas de Osaka nunca vão ganhar qualquer concurso de beleza urbana. Mas quando o espírito de um lugar pode ser traduzido por kuidaore - conceito japonês que significa comer até não poder mais - a estética já não importa muito. Apropriadamente, a terceira maior cidade do Japão não tem escassez de requintados estabelecimentos - no total, são 108 estrelas Michelin, incluindo cinco restaurantes de três estrelas.

INGRID K. WILLIAMS / OSAKA , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2012 | 03h13

Mas a cultura alimentar transita também pelas barracas de comidas baratas em volta da orla recentemente renovada do canal Dotonbori. E quando o excesso de comida na barriga se tornar um problema, os descolados museus e parques de Osaka fornecerão o necessário alívio.

Descobrindo. Os arredores do hub de transporte de Umeda são um emaranhado hiperativo de trens e estações de metrô ligados em meio a lojas de departamento colossais. Para se orientar, vá para o sétimo andar da loja Hep Five (hepfive.jp) e embarque na roda gigante vermelha (500 ienes ou R$ 13), que gira acima do prédio de nove andares. A 347 metros de altura, as gôndolas oferecem vistas pacíficas do congestionamento abaixo, do novo complexo Osaka Station City e do famoso Sky Umeda Building.

Se ainda assim não tiver despertado, o Museu Nacional de Arte de Osaka (www.nmao.go.jp) pode dar uma forcinha. Projetado pelo arquiteto argentino César Pelli, o museu em si é subterrâneo, mas sua estrutura de vidro e aço é imperdível. Para outubro está prevista uma retrospectiva de El Greco (1541-1614).

Desça a rampa que envolve o Aquário Kaiyukan (kaiyukan.com), que abriga golfinhos, água-vivas e até um tubarão-baleia de 13 metros, além de outras criaturas do Oceano Pacífico. Em seguida, aprecie a vista do mar de uma perspectiva diferente. No 55.º andar da vizinha Cosmo Tower (actio.co.jp/platplanet) há um observatório que oferece deslumbrantes panoramas de 360 graus que englobam o oceano e a iluminada conurbação Osaka-Kobe.

Para sentir o espírito esportivo japonês, vá até o mais célebre estádio de beisebol do país, casa do Hanshin Tigers. Mas não se desespere se os Tigers não estiverem jogando, pois o novo museu dentro do estádio merece uma visita (400 ienes ou R$ 10).

Apetite. Dotonbori é uma área majoritariamente para pedestres e também o centro da vida noturna de Osaka, mas não é preciso nenhuma roda gigante ou parque de diversões para criar uma atmosfera festiva. Quem dá o tom são os néons, as enormes imagens de dragões e caranguejos penduradas nas fachadas e a sequência contínua de barracas de comida e restaurantes. Depois de localizar pontos de referência curiosos, como o palhaço baterista Kuidaore Taro, o takoyaki (bolinho de polvo frito), especialidade local, é uma boa recompensa. As esferas são servidas bem quentes no Jyuhachiban Takoyaki (1-7-21 Dotonbori, Chuo-ku) e cobertas com molho picante, maionese e pó de algas (350 ienes ou R$ 9, com seis unidades).

Okonomiyaki, uma expressão que pode ser traduzida como "grelhe o que você gosta", é uma mistura que pode incluir ovos, enguia, polvo, camarão, bacon, carne de porco, inhame e queijo. No Mizuno (mizuno-osaka.com), os comensais acompanham a preparação hipnotizante dos ingredientes, despejados em uma frigideira e, em seguida, salpicados com um molho inglês e maionese. O resultado é delicioso, como atesta a fila de pessoas esperando lá fora por um lugar no balcão. O almoço para dois sai por cerca de 2.500 ienes (ou R$ 64).

Em Osaka você vai descobrir que Kobe não é o único lugar do Japão que "mima" o gado. Na verdade, um bife mais delicioso vem do rebanho massageado e alimentado à base de cerveja da região de Matsusaka, a cerca de duas horas de Osaka. Dê seu veredicto no restaurante Yakiniku Matsusakagyu Hozenji Yokocho (matsusaka-projects.com), onde o menu inclui vários cortes que, em seguida, você mesmo tempera e grelha na mesa. Refresque-se depois do jantar com uma colher de sorvete yuzu. A refeição custa cerca de 9 mil ienes (ou R$ 230) para duas pessoas.

Para uma aula de história e gastronomia, visite o Momofuku Ando Instantant Ramen Museum (nissin-noodles.com), um local de peregrinação para os amantes do miojo, que leva o nome de seu inventor - sim, tem uma estátua dele do lado de fora. Combine sabores e ingredientes para criar sua própria versão ou compre uma edição limitada na sala de degustação.

'Kanpai'! Até meados dos anos 1990, a lei japonesa proibia pequenas cervejarias, o que levou megafabricantes a monopolizarem o mercado com loiras aguadas e sem sabor. Mas hoje a cena microcervejeira japonesa está em crescimento. Brinde com um caloroso kanpai! (saúde!) no Beer Belly (minoh-beer.jp), um acolhedor pub que fabrica sua própria cerveja. Experimente a imperial stout minoh, com fortes aromas de café e chocolate, ou a refrescante weizen, de trigo.

Quando o frenesi ofegante de Dotonbori se tornar irresistível, escape por uma rua lateral até o Bar Core (1-8-6 Dotonbori, Chuo-ku). Há espaço para apenas seis (magros) clientes de cada vez. Ao garçom de gravata borboleta peça um copo de uísque japonês - o Hibiki de 17 anos por 900 ienes (R$ 23) é uma excelente escolha - e saboreie enquanto uma multidão passeia do lado de fora.

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