Renata Reps/AE
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Comer, um ritual sagrado na rotina parisiense

Com tantas opções gastronômicas na capital francesa, como escolher? "Vou sempre aos mesmos restaurantes. Tenho dois ou três preferidos e opto por eles, pois o risco de me decepcionar com tanta oferta é muito grande", diz o economista François Grellier, 36 anos. A maioria dos parisienses faz isso. Comer é um ritual importante: como eles controlam a alimentação nos dias de semana - ficam à base de sopa, salada e sanduíches frios - escolhem bem os pontos que merecem o teste de seus paladares.

RENATA REPS /PARIS, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2012 | 03h09

A pergunta que um francês sempre vai fazer quando você diz que está com fome é "E você tem vontade de comer o quê ?". "Qualquer coisa" jamais será uma resposta aceita. Dizem que mesmo que alguém almoce e jante fora todos os dias por três anos, não vai conseguir conhecer todos os estabelecimentos de Paris. Portanto, escolha. Pelo clima, pelo ambiente, pelo preço e, claro, pelas dicas de quem conhece.

Hora do brunch

Café da manhã e almoço de uma só vez. De todos os empréstimos que os franceses fizeram dos norte-americanos, o que está mais na moda é o brunch. Bruncher, como eles dizem, significa sentar-se com amigos e comer croissants, pains au chocolat, tomar suco de laranja e café. E frutas, quem sabe uma taça de vinho. Além de queijos, pães, iogurtes, omeletes...

No Le Loup Blanc, o ritual completo sai por 22 (sem vinho). Já no Pavillon du Lac, restaurante panorâmico no parque des Buttes-Chaumont, a opção de 24 inclui carpaccio e cupcakes. Há ainda brunchs tradicionais como o do Chez Casimir (6 Rua de Belzunce, 10º arrondissement). No bufê, sirva-se à vontade por 26: difícil vai ser reconhecer os pratos da culinária regional da Bretanha. Espécies gigantes de escargots, patês de fígado de porco, terrines de miúdos e sopas frias de peixes estão no polêmico menu. Vá preparado.

Criatividade além da mesa

Não se assuste se, quando chegar, o host pedir para você aguardar sua mesa dentro do armário. Ou se, no caminho para a mobília, você se deparar com o dono do restaurante sentado na poltrona de casa, cujo acesso é por dentro de seu estabelecimento profissional. No La Derrière, o barato é entrar pelos fundos: a área de serviço, a cozinha, depois a sala, os quartos lá em cima, tudo para o cliente se sentir em casa. Inclusive com mesas de pingue-pongue e pebolim.

Valeria só pela ideia genial, mas a comida também tem gosto de casa, como o leve foie gras cozido em terrine (19 euros) e a deliciosa bochecha de boi (22 euros). Para finalizar, pergunte a um dos bem apessoados garçons qual a sobremesa mais fresca do dia. Se tiver sorte, será o mil folhas com amoras, framboesas e groselhas de dar água na boca.

Só com reserva

Reserve sua mesa no Frenchie Restaurant assim que comprar a passagem - a espera é de dois meses. Apesar do nome de gringo, o Frenchie é reconhecido pela gastronomia francesa de alta qualidade, assinada pelo chef Gregory Marchand. Renomado entre parisienses e estrangeiros, não é dos mais caros: o menu com entrada, prato principal e sobremesa custa 45. No bar à vins, que fica ao lado e tem uma primorosa carta de vinhos, não é preciso reservar.

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