Comércio e lazer no ritmo da maré

O rio é a alma de Macapá: as mesas dos bares e restaurantes da orla recebem os protagonistas do futebol-lama e famílias inteiras aos domingos

Bruna Tiussu, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2012 | 08h11

MACAPÁ - A disputa era narrada como um clássico: de um lado, jogadores do Peixe-boi, do outro, atletas do Muru-muru, ambos arriscando dribles e passes combinados, suando a camisa na manhã daquele sábado (ensolarado, obviamente) em busca de preciosos pontos no campeonato de futelama da capital. A torcida se acomodava na beira do trapiche, com olhares voltados ao Rio Amazonas. Porque o rio serve para navegar, como tão bem fazem os navios cargueiros grandalhões que se vê no horizonte - mas também para uma boa pelada. Aliás, não há “campo” mais acessível por ali. Basta esperar a maré baixar, no começo ou fim do dia, e colocar a bola em jogo.

Como ocorre em boa parte das cidades da Região Norte, o rio é a alma de Macapá, do comércio ao lazer. São as mesas dos bares e restaurantes da orla que recebem os protagonistas do futelama depois do jogo, para a merecida cervejinha - no caso, Kaiser, a que atualmente está em alta no Estado. Também é nelas que famílias inteiras se acomodam aos domingos, para um almoço especial, daqueles que contam com o peixe mais fresco do cardápio.

O trapiche, que recebe o visitante com uma sorveteria incrível, é destino para um passeio sem pressa. O ideal é caminhar por toda sua extensão de cerca de 470 metros, aproveitando a calmaria do rio e a brisa. Que, mais tarde, pode se transformar em ventania que levanta vestido e despenteia o mais comportado dos cabelos. Neste caso, dê um alô no maquinista e volte de carona. Depois de sete anos estacionado, o bondinho do Trapiche Eliezer Levy está de volta desde o fim do ano passado, simplesmente para levar e trazer turistas. Que tal?

Outro ângulo interessante para se admirar a grandeza do Amazonas é do alto da Fortaleza de São José, uma baita construção que ocupa 84 mil metros quadrados, com muralhas que chegam a 8 metros de altura. A visita é grátis (de terça-feira a domingo) e, lá dentro, dá para conhecer a antiga casa dos soldados, armazém de pólvora, enfermaria, igrejinha, calabouço e um desaguadouro, que em tempos passados foi usado para torturar escravos.

Além do rio. Uma das (poucas) coisas que um turista chega em Macapá já sabendo é que a cidade é cortada pela imaginária linha do Equador. Pois saiba que quase tudo que se faz por lá fica em terras nórdicas. Mas a bendita foto com um pé em cada hemisfério é válida, sempre feita no Marco Zero, monumento com latitude zero grau.

Para um pouco de cultura local, há duas sugestões: a imperdível é o Museu Sacaca (Avenida Feliciano Coelho, 1.509, grátis), reaberto este ano. O local, montado a céu aberto, reúne réplicas das moradias mais típicas, como as indígenas e dos ribeirinhos; um regatão, antigo barco que realiza o comércio desde o período colonial (naquela época, por escambo); além de árvores e pássaros da região. Tudo com alguma possibilidade de interação.

 

Caso sobre tempo, o Museu Joaquim Caetano (Avenida Mario Cruz, 17, grátis) fica no centro - este sim, mais dedicado a contar a história da formação do Estado, seus vários processos de colonização e as recentes descobertas no campo da arqueologia.

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