Thiago Lasco/Estadão
Thiago Lasco/Estadão

Comida de rua: o que se come pela Ásia

Salgados recheados, sanduíches diferentões, tigelas de noodles: o que carrinhos e barracas vendem de mais saboroso do outro lado do mundo

Thiago Lasco, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2019 | 07h00

Provar a comida de rua pode ser uma das experiências mais interessantes da sua viagem. Ela proporciona um contato autêntico com os costumes daquele lugar, com os ingredientes, temperos e receitas que fazem parte da rotina do povo. O melhor de tudo é que custa pouco. 

Claro que é importante ter alguns cuidados. O primeiro deles é dar preferência a barracas com muito movimento e clientela de nativos. Se os locais fazem fila para comer ali, então provavelmente a comida servida é de boa qualidade e também fresca, pois a rotatividade de clientes é alta. Fique de olho nas condições de higiene e vá em frente.

A Índia é um capítulo à parte. Condições de higiene precárias e receitas carregadas de óleo, pimenta e condimentos fortes são uma combinação que provoca diarréias, intoxicações alimentares e infecções em muitos viajantes - existe até uma gíria para o mal-estar típico, "Delhi belly". Isso não significa que você deve ficar neurótico e se privar completamente de experiências que podem ser muito autênticas, mas sim que terá de ter algumas precauções a mais. 

A questão mais problemática é a contaminação da água. Para evitar o contato com ela, use apenas água engarrafada (atenção para o lacre, pois adulterações são frequentes) tanto para beber como para escovar os dentes. Fuja de sucos, saladas e alimentos crus (podem levar gelo e/ou ter sido lavados com água encanada) e só coma frutas que você mesmo descascou.

Como a carne pode ter sido exposta ao calor extremo e a moscas e outros bichos, o mais seguro é adotar uma dieta vegetariana - o que não será difícil, pois essa é a preferência de metade da população da Índia. Leve sempre álcool gel consigo (para garantir, em qualquer lugar, que terá as mãos limpas antes de comer). E - isto vale também para outros destinos na Ásia - vá devagar com a pimenta. Peça tudo pouco picante e deixe seu organismo se habituar gradualmente.

Pad thai (Tailândia)

O que é: macarrão de arroz transparente salteado na wok, com broto de feijão, amendoim, limão, molho de tamarindo, camarões e pimenta.

Onde encontrar: o pad thai mais tradicional da cidade é o do Thipsamai (313 Maha Chai Road), em que um grupo de cozinheiros prepara a iguaria em uma cozinha improvisada na calçada desde 1966.

Som Tam ou Som Tum (Tailândia)

O que é: uma refrescante salada de tiras de papaia verde com ingredientes como fish sauce (condimento essencial na culinária thai), limão, alho, coentro, amendoim moído, broto de feijão e, claro, pimenta. O resultado é uma combinação agridoce que pode ser mais suave ou mais picante.

Onde encontrar: embora sua origem seja o norte da Tailândia, é fácil encontrar esse prato barato e refrescante por todo o país e também no Laos, Vietnã e Camboja.

Khao neeo mamuang (Tailândia)

O que é: espécie de arroz-doce pegajoso feito com muuuuito leite de coco (algumas receitas também levam amido de tapioca) e pedaços de manga. Em um país pouco ligado em doces, esta é a sobremesa mais comum.

Onde encontrar: em qualquer lugar na Tailândia, dos carrinhos parados em atrações turísticas aos restaurantes mais finos. Em Bangcoc, a Yaowarat Road, em Chinatown, é um dos pontos mais disputados para encontrar boa comida de rua.

Insetos fritos (Tailândia)

O que são: sim, temos que falar sobre isso. Grilos, gafanhotos e até minhocas são fritos, salgados e temperados com molho de soja. Ficam crocantes - e, se você quer mesmo saber, nutricionistas dizem que o teor de proteína deles é o triplo do encontrado na carne de boi. 

Onde encontrar: nas ruas de Bangcoc e, especialmente, na Khao San Road, que congrega os bares e baladas que atendem a comunidade mochileira internacional.

Pho (Vietnã)

O que é: esta sopa de macarrão de arroz é uma espécie de "primo zen" do lámen/ramen japonês. O caldo é bem menos gorduroso, feito a partir de ossos e tendões fervidos com cebola e gengibre. Para dar mais sabor, é servido com temperos como manjericão, hortelã, coentro, limão e muita pimenta, além de fatias fininhas de carne (tipo lagarto) ou frango.

Onde encontrar: principalmente em Hanói. É muito consumida pela manhã, como a primeira refeição do dia dos vietnamitas.

Banh mí (Vietnã) 

O que é: sanduíche de baguete (trazida pelos franceses) recheado de carne de porco ou frango, mais pepino, cenoura, coentro, algumas pimentas e, para dar liga, diferentes tipos de patê (cada lugar tem sua receita). É picante (mas não incendiário) e alimenta.

Onde encontrar: os melhores estão em Hoi An, a capital gastronômica do Vietnã. O banh mí do Bánh Mí Phuong (2b Phan Chu Trinh; tiembanhmiphuong.blogspot.com) ganhou a atenção do mundo depois de ter sido elogiado pelo chef-celebridade Anthony Bourdain (e atrai uma fila de turistas), mas não é difícil encontrar outros bons pela cidade. 

Bun cha (Vietnã)

O que é: almôndegas de carne de porco grelhadas, às vezes com tempero caramelado, são servidas sobre uma cama de macarrão de arroz - há versões apresentadas como uma sopa e outras secas, sem caldo. Alface, coentro e sweet chilli (molho de pimenta agridoce) dão o arremate.

Onde encontrar: em Hanói e Hoi An.

Com Ga (Vietnã)

O que é: arroz cozido em caldo de frango, com ervas, cenoura, pedaços de frango e geleia de pimenta. Talvez o mais próximo que se chegue de um PF brasileiro servido por um carrinho vietnamita.

Onde encontrar: originado na província de Quang Nam, é figurinha fácil em Hoi An, especialmente ao redor do mercado noturno de An Hoi.

Num Pang (Camboja)

O que é: é a versão cambojana do banh mí vietnamita - o que não é de se estranhar, já que os dois países, então parte da Indochina, tiveram a mesma colonização francesa. Uma francesíssima baguete é umedecida com patês ou variedades de maionese, recheada de carne de porco, refrescada com pepino e coentro e calibrada com pimentas.

Onde encontrar: na capital, Phnom Penh.

Samosas (Índia)

O que é: envelope de massa (que lembra um pastel ou rissole) com um recheio normalmente de legumes (batata, ervilha, cenoura, cebola) ou frango. São fritas e vendidas em porções que acompanham um dip (molhinho) à base de coalhada ou um chutney. 

Onde encontrar: são típicas do norte da Índia.

Vada Pav (Índia)

O que é: bolinhos de purê de batata com alho, pimenta, gengibre e coentro são fritos e servidos no pão, umedecido com algum tipo de chutney.

Onde encontrar: em Mumbai e em todo o estado de Maharashtra.

Panipuri (Índia)

O que é: esferas de puri (pão indiano sem fermento) fritas até ficarem crocantes e recheadas com ervilha, batata, grão-de-bico, coentro, pimenta e chutney.

Onde encontrar: na região de Magadha.

Gua Bao (Taiwan)

O que é: o bao, um pãozinho macio cozido no vapor, é dobrado no meio e recheado de barriga de porco, coentro, amendoim e um molhinho escuro. O arremate, por conta do freguês, pode vir com molho de pimenta.

Onde encontrar: nos mercados noturnos de Taipé.

Chou Doufu (China)

O que é: espécie de tofu fermentado que adquire um forte odor característico (a tradução do nome do petisco é "tofu fedido") após ter sido marinado em uma longa salmoura com leite fermentado, carne, ervas e legumes. É servido em espetinhos com um molho caramelado bastante picante. Não se assuste com o futum: quanto pior o cheiro, melhor o sabor.

Onde encontrar: em mercados noturnos na China e também em Taiwan.

Takoyaki (Japão)

O que é: bolinhos de massa de farinha de trigo, moldados e fritos na frente do cliente, com recheio de polvo em pedaços, gengibre e cebolinha. A porção, geralmente com seis ou dez bolinhos, é coberta com um molhinho escuro típico, às vezes maionese, algas nori picadas e lascas de peixe.

Onde encontrar: o berço da iguaria é a região de Kansai, onde está a cidade de Osaka, mas é fácil encontrá-la em yatai (barracas de rua) por todo o Japão.

Satay (Indonésia)

O que é: espécie de releitura oriental dos kebabs indianos, são espetinhos carne grelhados e servidos com molho de amendoim. Normalmente, usa-se frango ou carne bovina, mas há versões com carne de porco, cabra, camarão e tofu. Variantes mais raras e exóticas usam carne de tartaruga, coelho e até cavalo. 

Onde encontrar: a iguaria nasceu na ilha indonésia de Java - mas logo se espalhou: Malásia, Singapura, Tailândia e Brunei também gostam de satay. O Japão também tem seu espetinho, o yakitori.

Gimbap ou kimbap (Coreia do Sul)

O que é: é o sushi coreano. Os bolinhos de arroz branco cozido no vapor ("bap") são enrolados em folhas de alga nori ("gim") e recheados de peixe, ovos e legumes. Podem ainda levar kimchi, a picante conserva de acelga fermentada, kani kama, cenoura e pepino. 

Onde encontrar: por toda parte em Seul, desde ambulantes até restaurantes e supermercados.

Jalebi (vários países)

O que é: espécie de parente asiático do pretzel, é uma massinha de farinha de trigo frita e embebida em xarope de açúcar. A textura lembra borracha e o xarope forma uma casquinha bem melada.

Onde encontrar: Índia, Paquistão, Bangladesh e Irã são alguns dos países onde é vendido.

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