Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Como a pandemia mudará nossas viagens em 2021

Quando os cruzeiros voltarão à normalidade? Será exigido um certificado de vacinação contra a covid-19? Confira algumas tendências para o ano

Tariro Mzezewa, Ceylan Yeginsu, Elaine Glusac e Sarah Firshein, The New York Times

10 de janeiro de 2021 | 07h00

O mundo das viagens viveu uma montanha-russa em 2020. Mesmo com o início das campanhas de vacinação nos Estados Unidos e na Europa, os países fecharam as fronteiras para visitantes do Reino Unido, por causa de uma nova cepa do coronavírus. E, mesmo que o número de pessoas voando nos Estados Unidos venha aumentando novamente - chegando a 1 milhão por dia no fim de semana antes do Natal - permanece em vigor em muitas partes do país uma colcha de retalhos de quarentenas e regulamentos de testagem.

Em todo o mundo, a covid-19 matou mais de 1,5 milhão de pessoas, adoeceu milhões de outras e provocou um curto-circuito nas economias. De todos os setores que sofreram com seu impacto destrutivo, a indústria de viagens foi ferida como nenhuma outra.

Outras calamidades do passado também abalaram as viagens. As medidas de segurança instituídas depois dos ataques de 11 de Setembro agora fazem parte da nossa experiência comum. Não está claro quais mudanças estarão no panorama das viagens daqui a um ano - ou daqui a dez anos - mas algumas respostas estão começando a ficar mais claras.

No alvorecer do novo ano, examinamos nove das dúvidas mais urgentes enfrentadas pelos viajantes e pela indústria de viagens como um todo. Aqui estão as respostas.

Vou precisar provar que fui vacinado para viajar?

Em novembro, a Qantas Airways anunciou que, assim que uma vacina contra o coronavírus estivesse disponível, os passageiros que pretendessem voar pela companhia aérea precisariam provar que a haviam tomado. Alan Joyce, presidente-executivo da companhia, descreveu a prova de vacinação como “uma necessidade”. "Conversando com meus colegas de outras companhias aéreas de todo o mundo, acho que vai ser uma coisa comum”, disse ele.

De fato, muitas companhias aéreas estão testando diversas tecnologias para agilizar o processo de documentação de saúde, entre elas alguns aplicativos de saúde móveis como CommonPass, ICC AOKpass e VeriFLY, para garantir que os passageiros possam apresentar seus dados de saúde de uma forma segura e verificável.

Ainda não se sabe se será necessário algum tipo de formulário ou certificado universal de saúde para viajar, porque isto exigiria a participação de vários países e organizações, mas é algo que já aconteceu antes. O Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, conhecido por muitos como carte jaune, ou cartão amarelo, foi originalmente criado em meados da década de 1930 pela Organização Mundial da Saúde. Outras versões foram usadas para provar vacinação contra doenças como febre amarela, tifo e varíola, e muitos países ainda exigem prova de certas vacinas. Para os viajantes que se mudaram para países estrangeiros ao longo dos anos, não é incomum compartilhar informações pessoais de saúde, uma vez que muitos pedidos de visto e residência exigem exames médicos.

Os aplicativos de hoje precisam abordar uma série de questões relacionadas ao transporte de dados de saúde, como problemas de privacidade e padronização. Por um lado, ninguém quer andar por aí com um registro de saúde impresso que pode conter informações confidenciais, além das provas de teste ou vacinação. Por outro lado, esses registros poderiam ser adulterados com ferramentas de edição de imagens. E, neste mundo cada vez mais global, os documentos de saúde de um viajante podem ser escritos em algum idioma desconhecido para o funcionário de aeroporto.

O Commons Project, a organização sem fins lucrativos que está desenvolvendo o CommonPass, disse que seu aplicativo se conecta a sites de instalações médicas e esses sites carregam dentro do aplicativo a verificação do teste concluído ou do registro da vacina, limitando a quantidade de informações privadas que são compartilhadas. Outros aplicativos estão adotando uma abordagem semelhante.

Um pedido comum das pessoas de toda a indústria é que os governos trabalhem juntos para padronizar os requisitos de testagem e vacinação. Por exemplo, viajantes que são vacinados nos Estados Unidos devem saber que sua vacinação e documentação serão válidas na Tailândia e vice-versa. (Brian Chen e Tariro Mzezewa)

Quanto tempo preciso esperar até que as viagens recomecem?

Com as vacinas sendo aprovadas e aplicadas na Grã-Bretanha, no Canadá, nos Estados Unidos e em outros lugares, a indústria de viagens tem esperança de que as pessoas passem a de fato reservar as viagens, em vez de apenas pesquisá-las online.

“Uma vacina de coronavírus segura, eficaz e bem distribuída é a base para o retorno à normalidade nas viagens”, escreveu por e-mail Scott Keyes, fundador da Scott’s Cheap Flights, uma plataforma de reservas online. “Boas notícias no front das vacinas são ótimas notícias no front das viagens”.

Mas a distribuição inicial da vacina pode não significar um rápido retorno às viagens em massa. Enquanto alguns especialistas acreditam que a demanda reprimida fará com que as pessoas corram em bandos para agendar “férias vacinadas”, outros, entre eles Anthony Fauci, o maior especialista em doenças infecciosas do país, acham que o retorno às viagens será gradual, com as pessoas moderando seu impulso.

“Acho que vai ser gradual”, disse Fauci ao Times este mês. 

Até que a vacina seja vastamente distribuída, testes rigorosos continuarão sendo uma parte fundamental da experiência de viagem - antes e depois da viagem. (É bem possível que o teste seja oferecido como uma comodidade em muitos hotéis). Ainda assim, para muitas pessoas do setor, as vacinas são um motivo para se ter esperança.

“Depois de meses de um tom ‘cautelosamente otimista’, agora olhamos para a vacina como um jeito de trazer de volta alguma demanda por viagens”, disse Mike Deitemeyer, executivo-chefe e presidente da Aimbridge Hospitality, cujo portfólio conta com mais de 1.500 marcas e propriedades independentes em 49 estados e 20 países.

As viagens rodoviárias, que se destacaram em 2020, devem continuar populares, pois garantem conforto e controle para os viajantes. As linhas de cruzeiros estão relatando fortes reservas para o verão de 2021 no Hemisfério Norte e as viagens aéreas devem aumentar no segundo trimestre do ano, com as viagens internacionais ultrapassando as viagens domésticas, de acordo com a empresa de marketing de viagens MMGY Global, uma mudança significativa em relação às reservas para 2020. (Tariro Mzezewa)

Quando poderei voltar a um navio de cruzeiro?

Desde que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) suspendeu sua proibição de viagens marítimas nos Estados Unidos em outubro, as empresas de cruzeiros têm se esforçado para criar uma infraestrutura que atenda aos requisitos que a agência de saúde estabeleceu para a retomada segura das viagens.

A maioria das grandes empresas de cruzeiros planejava reiniciar as operações no início de 2021, mas o ressurgimento do coronavírus forçou muitas delas a adiar as datas.

Carnival, Royal Caribbean e Norwegian interromperam todas as viagens até o final de fevereiro, mas é improvável que qualquer operação de grande escala comece logo após essa data. Algumas viagens já foram adiadas para o final de 2021 e 2022.

“Pedimos desculpas aos nossos clientes, mas precisamos continuar adotando uma abordagem cuidadosa, atenta e comedida enquanto mapeamos nosso retorno às operações em 2021”, disse Christine Duffy, presidente da Carnival Cruise Line. “Nosso compromisso com a saúde e a segurança de nossos hóspedes, tripulação e comunidades que visitamos está na vanguarda de nossas decisões e operações”.

Os protocolos de saúde e segurança do CDC preveem testes extensivos, medidas de quarentena e distanciamento social. As operadoras de cruzeiros são obrigadas a realizar cruzeiros de simulação para testar a nova estrutura antes de solicitar a licença da agência que lhes permita reiniciar as excursões com passageiros.

A maioria dos cruzeiros retomará a navegação com capacidade reduzida e itinerários limitados. Nos Estados Unidos, as excursões iniciais serão limitadas a sete dias, de acordo com as diretrizes do CDC. As máscaras serão obrigatórias em todas as áreas públicas a bordo, até mesmo nos conveses ao ar livre, de acordo com a Associação Internacional das Linhas de Cruzeiros, o grupo comercial do setor.

Mesmo com medidas de segurança reforçadas, várias empresas de cruzeiros que navegaram nos últimos meses na Europa e no Caribe se viram obrigadas a interromper suas viagens após relatar surtos de vírus a bordo.

Em outubro, oito pessoas a bordo do Costa Diadema testaram positivo para o vírus depois de uma excursão às ilhas gregas. Em novembro, sete passageiros e dois tripulantes testaram positivo durante uma viagem do SeaDream Yacht Club pelo Caribe. Mais recentemente, o Quantum of the Seas da Royal Caribbean interrompeu seu “cruzeiro para lugar nenhum” e voltou a Cingapura depois que um passageiro de 83 anos inicialmente testou positivo para o vírus. Outros testes revelaram que o passageiro estava negativo.

Embora as principais empresas de cruzeiros com capacidade para transportar mais de 250 passageiros tenham afirmado que exigirão testes antes de os passageiros embarcarem, os detalhes dos protocolos de testagem durante os cruzeiros ainda não estão claros.

Independentemente dos novos protocolos e do aumento das tarifas, o recente lançamento de vacinas contra o coronavírus gerou otimismo no setor, que perdeu bilhões de dólares e milhares de empregos desde que a pandemia interrompeu as viagens de cruzeiro em março.

“As empresas de cruzeiros estão fazendo todo o possível para garantir que possamos voltar com segurança, e acho que elas estão quase lá”, disse Shannon Wright, esteticista de 45 anos de Newcastle, Inglaterra, que reservou dois cruzeiros para 2021. “Vale a pena esperar”. (Ceylan Yeginsu)

Quando voltarei a viajar a trabalho? E quanto às minhas milhas?

2020 foi o ano em que as viagens de negócios caíram a zero, levando consigo a lucratividade de companhias aéreas, hotéis e salas de convenções. Por um tempo, a interrupção também prejudicou os saldos de pontos de fidelidade tão cobiçados por viajantes a negócios e muitos outros, já que milhas e pontos de cartão de crédito pareciam menos valiosos quando ninguém estava viajando.

Mas os programas de pontos estão longe de morrer, dizem os especialistas, citando melhores condições de reserva, o valor crescente dos clientes fiéis para as empresas de viagens e o advento de programas criativos que permitem que você gaste pontos mais facilmente em coisas que não sejam passagens aéreas ou assinaturas de revistas. Nestes tempos quase estacionários, os programas estão tentando manter os membros existentes.

“A maioria das companhias aéreas aumentou o valor de seus pontos se livrando das taxas”, disse Brian Kelly, fundador do The Points Guy, um site de viagens dedicado a prêmios. Ele observou também que foram retiradas as taxas para alterar itinerários ou reembolsar milhas de viagens canceladas. “É mais valioso resgatar usando milhas, porque elas são totalmente reembolsáveis, enquanto os bilhetes em dinheiro só podem ser trocados”.

O banco de pontos - ainda crescendo um pouco graças aos cartões de crédito que durante a pandemia se expandiram para oferecer bônus em coisas como mantimentos - e o aumento das oportunidades de viajar com a ampla distribuição de vacinas sugerem que a competição para resgatar assentos está chegando, levando a uma eventual desvalorização dos pontos. Mas isto não vai acontecer tão cedo, dizem os especialistas, em parte porque muitas companhias aéreas usaram seus programas de fidelidade como garantia quando pediram dinheiro emprestado durante a pandemia.

“As companhias aéreas terão o cuidado de não prejudicar o valor e a fidelidade dos clientes quando a crise passar”, disse Vik Krishnan, diretor de viagens da consultoria de negócios McKinsey & Co.

A maioria dos analistas imagina que qualquer recuperação de viagens de curto prazo será impulsionada por viajantes a lazer desesperados por férias ou para ver a família, não por passageiros de negócios.

Além das preocupações de saúde e do congelamento das viagens corporativas, “os viajantes a negócios precisam de um lugar para ir, e atualmente as ocupações das salas de escritórios são muito, muito baixas, então não existe uma verdadeira razão para se viajar para qualquer cidade”, disse Jan D. Freitag, diretor nacional de análises do mercado de hotéis no Costar Group, uma empresa imobiliária comercial, apontando para dados que mostram uma média nacional de ocupação de escritórios em torno de 24%.

Ele espera que as viagens de negócios aumentem no terceiro trimestre de 2021. A McKinsey & Co. aponta a recuperação total só para 2023 ou mais.

Antes que os viajantes a negócios possam voltar a acumular pontos para valer, devem surgir mais maneiras de usá-los. “Do ponto de vista do resgate, podemos ver a necessidade de dar muito mais ênfase às ‘micro recompensas’”, disse Krishnan, referindo-se a itens do dia a dia, como um café com leite na Starbucks, em vez de guardar todos os pontos para uma viagem em família ao Havaí.

Ainda assim, o ano que começa pode ser o momento de reservar uma grande viagem com pontos, quando for seguro fazê-lo, já que a desvalorização será inevitável.

“Acho que provavelmente acontecerá um aumento no valor de como os pontos podem ser usados nos primeiros trimestres de 2021”, disse Alex Miller, presidente-executivo e fundador do UpgradedPoints.com, um site dedicado a maximizar pontos. Depois disso, ele espera “uma lenta desvalorização desses pontos no final de 2021 e em 2022”. (Elaine Glusac)

Se eu precisar cancelar minha viagem, as políticas flexíveis ainda estarão disponíveis?

Enquanto a crise do coronavírus esmagava as viagens, a flexibilidade varreu a indústria, das companhias aéreas aos cruzeiros, do aluguel de trailers aos hotéis, pois as operadoras tentavam garantir aos potenciais viajantes que eles tinham pouco a perder - financeiramente, pelo menos - nas reservas.

As companhias aéreas fizeram um esforço imenso para se curvarem ao sentimento do consumidor à medida que o volume de passageiros despencava, oferecendo trocas sem taxas mesmo em passagens não reembolsáveis. Os números permanecem em queda de quase 70% em comparação com o mesmo período do ano passado.

“As políticas de reserva flexíveis para tarifas econômicas persistem porque agora as pessoas que estão viajando são viajantes de lazer, com tarifas mais baixas”, disse Gary Leff, que escreve o blog de viagens aéreas View From the Wing. “Essas passagens precisam ter flexibilidade para fazer os clientes comprarem”.

As companhias aéreas têm falado em transformar a flexibilidade em algo permanente para outras tarifas, uma promessa que pode durar até que a indústria se recupere e volte aos níveis de 2019, o que o grupo da indústria Airlines for America não espera que aconteça antes de 2023 ou 2024.

Embora os hotéis há muito tempo ofereçam condições de cancelamento flexíveis, geralmente permitindo cancelamentos sem multa até um dia antes da chegada, os consumidores em 2020 descobriram - muitas vezes da maneira mais difícil - os termos variáveis das casas de aluguel por temporada, que podem variar de reembolsáveis até 24 horas antes do check-in a reembolsáveis apenas dentro de 48 horas de reserva.

“As políticas de cancelamento no mercado de aluguel por temporada não mudaram”, disse Clark Twiddy, presidente da Twiddy & Co., que gerencia mais de 1 mil aluguéis de casas de férias em Outer Banks, na Carolina do Norte. “Mas vimos um aumento significativo no seguro de viagens”, acrescentou ele, falando de aumentos de até 40%. (A Airbnb anunciou que está trabalhando para conseguir um parceiro de seguro de viagem para facilitar o seguro das reservas).

De acordo com a Associação de Operadores de Turismo dos Estados Unidos, a pergunta mais frequente dos viajantes que fizeram novas reservas neste outono foi sobre a política de cancelamento ou reembolso, à frente das questões sobre protocolos de saúde.

“O futuro das viagens é mais flexibilidade. Ponto final”, disse Jon Gray, presidente-executivo da RVshare, um mercado para aluguel de veículos recreativos, observando que os viajantes continuam cautelosos e tendem a fazer as reservas mais perto de suas datas de viagem. (Elaine Glusac)

Quero viajar com minha família, quais são as perspectivas?

De acordo com uma pesquisa de outubro da Vrbo,  empresa de aluguel de casas, 82% das famílias americanas já têm planos de viagem para 2021. Sessenta e cinco por cento planejam viajar mais do que viajavam antes da covid; 61% provavelmente escolherão destinos ao ar livre, em vez de urbanos.

O mais notável deste ano, porém, foi o cancelamento - ou o adiamento - das viagens multigeracionais.

“As viagens intergeracionais - ir a algum lugar com os avós - estão meio fora dos planos por enquanto”, disse Marianne Perez de Fransius, cofundadora e diretora-executiva da Bébé Voyage, site de viagens familiares e comunidade online para pais viajantes. “O que as pessoas estão falando é em visitar os avós, porque ainda não conseguiram fazer isso”.

Outros padrões que surgiram este ano provavelmente continuarão a definir as viagens em família em 2021, como as “viagens escolares”, que levaram as aulas por Zoom do ensino fundamental para a praia, e as viagens multifamiliares, que possibilitaram a socialização entre famílias em algum lugar - qualquer lugar - além da própria casa.

“Estamos testemunhando esse fenômeno várias vezes: famílias vendo este momento como uma rara oportunidade de se desenraizar por um curto período de tempo enquanto estudam em casa e moram num lugar que sempre quiseram experimentar”, disse Caitlin Ramsdale, diretora da Kid & Coe, um site de aluguel por temporada voltado para famílias.

Se os recentes padrões de navegação da Kid & Coe são indício de alguma coisa, as famílias já estão começando a pensar em como poderão ser as férias no “Depois”.

Estamos vendo muitas pessoas começando a imaginar como seria uma viagem ao sul da França neste verão”, disse Ramsdale. “Elas ainda não têm a convicção, mas já têm o sentimento”.

Mas há uma grande pergunta sem resposta: vacinas para crianças. Nenhuma das vacinas foi testada em crianças e, embora as vacinas estejam sendo aplicadas primeiro nos idosos, não está claro quando chegarão às crianças.

“Se as crianças não podem tomar a vacina, as pessoas estão preocupadas com o que acontece com os turistas”, disse Perez de Fransius. “Os países vão dizer: ‘vocês não podem entrar, a menos que todos estejam vacinados?’”.

Quanto ao maior rito de passagem familiar, a Disney, as extensas medidas de saúde e segurança contra a covid-19 dos parques, que vão desde limites de capacidade rígidos a filas virtuais, até agora tiveram sucesso em criar uma espécie de “bolha” cuidadosamente controlada.

“Antes da pandemia, a segurança não era a prioridade das pessoas”, disse Lou Mongello, apresentador do WDW Radio, um podcast sobre todas as coisas da Disney. “Agora, a primeira coisa que pensamos é: ‘Qual é o lugar mais seguro que posso ir para tirar meus filhos de casa?’”.

O Walt Disney World Resort, em Orlando, teve reservas perto de seu limite de capacidade no Dia de Ação de Graças e já está 77% reservado para o primeiro trimestre de 2021. Embora as crianças não possam abraçar a Cinderela, as medidas de saúde podem desempenhar outro papel no ano que começa: “Quem nos visitar neste ano verá que a experiência do parque ficou muito mais eficiente”, disse Mongello. (Sarah Firshein)

Que novas tendências de viagens devem continuar em 2021?

Você pode chamar de “férias trabalhando” ou “viagem a trabalho/lazer”: qualquer que seja o nome, as viagens mais longas possibilitadas pelo trabalho remoto em 2020 não mostram sinais de desaceleração.

“O nomadismo global será um grande tema em 2021”, disse Jack Ezon, fundador da Embark Beyond, uma agência de viagens de luxo. “As pessoas vão para algum destino por um mês porque ali podem trabalhar e se divertir ao mesmo tempo”.

As estadias de sete ou mais noites atualmente representam 17,5% das reservas de janeiro no The Betsy Hotel em Miami Beach, que reabriu em meados de dezembro pela primeira vez desde março. Em janeiro passado, as estadias com essa duração totalizavam 8,3%.

Jonathan Plutzik, proprietário do The Betsy, disse que o interesse por novos pacotes de estadia prolongada atravessa o espectro das gerações.

“Famílias com crianças pequenas querem espaço: espaços ao ar livre para estar com os filhos e espaço para trabalhar remotamente”, disse Plutzik. “Os cinquentões e sessentões também querem essas coisas, mais uma equipe de serviço completo e lugares para jantar e relaxar ao ar livre”.

Até que as vacinações estejam disseminadas, outros padrões também persistirão. As constantes mudanças nas restrições de viagens municipais, estaduais e internacionais seguirão fazendo com que as viagens locais e estaduais sejam as poucas opções para quem quer escapar.

Isto vai ao encontro do que a maioria dos consumidores diz que se sente pronta para fazer neste ano. Numa pesquisa de outubro da Airbnb, 61% dos entrevistados disseram que estão interessados em viagens a uma curta distância de casa. Os principais destinos de 2021 do Airbnb nos Estados Unidos incluem as Montanhas Smoky do Tennessee e Palm Springs, na Califórnia.

“2020 foi definitivamente o ano em que o mundo se tornou local”, disse Ezon. “As pessoas foram obrigadas a explorar seus próprios quintais, o que foi incrivelmente recompensador. Mas, em maio ou junho, com mais vacinas, as fronteiras provavelmente começarão a se abrir”. (Sarah Firshein)

TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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