Como combater o medo de avião

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Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

30 Agosto 2016 | 03h00

No Hotel Imperial do Japão, onde viu os shows de uma big band muito afinada na companhia da meiga Kaori, Mr. Miles manda as noticias da semana.

Mr. Miles: tenho medo de voar  como muitas outras pessoas. É  uma barreira que, infelizmente, não consigo vencer – e, portanto, só viajo com suas crônicas e alguns filmes  de cinema. Existe alguma coisa que  eu possa fazer além de análise e hipnose, que, no meu caso, não funcionaram? Ana M. Pessoa Langermann, por e-mail

Oh, my dear, sinto muito por você... Tenho muitos amigos em situação parecida e sei que, truly, é difícil ultrapassar a barreira do pânico. A boa noticia, however, é que isso acontece, portanto never give up. Na semana passada, inclusive, este matutino publicou uma reportagem a respeito desse assunto que pode ajudá-la: bit.ly/medo-voar.

Meu bom e saudoso amigo, o analista Nelson Montag, ele mesmo um grande viajante, costumava dizer que, quase em todos os casos que tratou, o problema era outro. In other words: não propriamente a incapacidade de acreditar na tecnologia de veículos mais leves que o ar, mas, em última instância, o medo de ficar apertado entre centenas de outros passageiros. A sujeição à claustrofobia resultante e o pavor de perder o controle sobre a situação. A vergonha de chorar ou gritar. O vexame de ser visto como quem fosse frágil e descontrolado. O medo, enfim, de ser, in fact, algo que você realmente não é – pelo menos quando está em terra firme.

Quem sou eu para discutir ou debelar essas dores d’alma? O máximo que posso oferecer são alguns exemplos de superação que me pareceram curiosos. Vou evitar falar do chá de sucupira ou do creme de musgos verdes que alguns amigos tentaram. Com sucesso, em poucos casos, com longas cólicas intestinais na maioria.

A mais revolucionária da técnicas foi aquela utilizada por minha querida Nat Shein, uma pessoa peculiar. Obrigada a viajar para seguir carreira – ou trocar de emprego e sentir-se miserável –, Nat resolveu investir no “upgradismo”. Ou seja: em um trecho intercontinental, investiu na aquisição de um assento na classe executiva, onde, at least, poderia beber várias taças de champanhe para obnubilar seu sofrimento. 

Disse-me ela que, após adquirir a caríssima passagem, sentiu-se, antecipadamente, menos ansiosa que de ordinário. Uma vez a bordo, achou magnífico não ter de dividir o espaço a cotoveladas e poder esconder seu medo com uma mera parede retrátil – um desses separadores tão comuns na business class de boas companhias aéreas.

Para ajudar, além do ótimo espumante, a viagem ofereceu-lhe uma noite sem turbulências.

Believe me, dear Ana: a pobre moça adorou a viagem. Chegou a ficar convencida de que as classes mais luxuosas dos aviões de carreira não são sujeitas a qualquer tipo de acidente. Contou-me, divertida e sem indulgência, que não importa o que ocorra à maioria dos passageiros; quem viaja na parte dianteira dos aviões sempre chega ao seu destino. 

Ao convencer-se de sua própria piada, minha amiga voltou a voar. O medo foi-se embora e, therefore, hoje ela voa tranquila até na classe econômica. Talvez você possa experimentar essa técnica, my dear

Ou descubra que – e isso quem garante sou eu, com firma registrada em cartório! – não importa o tamanho do medo. A alegria de superá-lo, aliada ao prazer de conhecer o mundo e sentir-se solta como uma brisa matinal, vai ser sempre muito maior.

Finally: gostaria de lembrar que se, em seu caso, nada disso der certo, estão sempre às ordens os navios, os trens, os ônibus e os automóveis. Sempre há um jeito de ser feliz.

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 312 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

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