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Como é fazer o teste RT-PCR de covid-19 de uma criança?

Depois de dez meses de pandemia, fiz o meu primeiro teste de covid em família, com meu filho de 10 anos. Confira como foi a experiência

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2021 | 03h00

Eis que, aos dez meses de pandemia, no começo de janeiro fiz o meu primeiro teste de covid-19. Em família: o meu filho, de 10 anos, também passou pelo famigerado RT-PCR. Trago percepções da experiência para você saber como é testar uma criança.

Fiz o exame no Aeroporto de Guarulhos por dever de ofício. Essa é a opção mais prática para quem vai viajar para o exterior e tem de apresentar um teste negativo feito poucas horas antes do embarque – a antecedência varia de 24h a 72h, dependendo do país. O laboratório CR Diagnósticos, que faz o teste, tem dois postos na cidade de São Paulo, um em Suzano, na Grande São Paulo, e um em Brasília. No shopping Mooca Plaza, o esquema é drive-thru, sem sair do carro, e o resultado do teste sai até as 7h da manhã do dia seguinte à coleta. 

No aeroporto, a estrutura está montada na área de check-in do Terminal 3, em frente ao embarque. O laudo é entregue em até 4 horas depois da coleta. E o funcionamento é 24 horas. 

Por volta de 3h15 da tarde de um sábado, a fila estava grande, e parecia ainda maior porque círculos adesivados no chão marcam o distanciamento de 1,5 metro entre as pessoas. Essa exigência, no entanto, não é observada lateralmente, de modo que você está sempre perto demais do vizinho do corredor ao lado. O atendente nos deu a previsão de 1 hora de espera. E nos entregou papéis: um formulário da Anvisa por pessoa e folhetos com códigos QR para escanear e, no celular, preencher o formulário online do laboratório. Sim, várias folhas de papel passam de mão em mão em plena pandemia. Tenso. 

Os funcionários se esforçam para reduzir a sensação geral de caos. As outras pessoas, nem sempre. À minha direita, um casal fora da fila estava empenhado em conversar com a filha, à minha esquerda, que esperava pelo exame. O pai usava a máscara sem cobrir o nariz, enquanto a mãe baixava a sua e elevava a voz para falar, lançando assim seus aerossóis na nossa direção. Muita gente não leva o uso de máscaras a sério. 

Na hora da coleta, meu filho e eu fomos levados à mesma cabine. Ele foi primeiro – e isso foi ótimo. O swab, o tal do cotonete que é enfiado no nariz para coleta do material, causa dor e faz os olhos lacrimejarem. Quando terminou, meu filho estava banhado em lágrimas sem ter efetivamente chorado. Seria difícil segurar o medo dele caso tivesse visto, antes da coleta, a mãe na mesma situação.

Tudo somado – os R$ 1.050 dos três testes RT-PCR, os R$ 70 por três horas de estacionamento e a aglomeração no Terminal 3 –, a experiência do teste de covid-19 no aeroporto é cara e tensa, mesmo que necessária. Mas funciona: três horas depois, quando fui buscar os resultados no site do laboratório, uma hora antes da previsão, eles já estavam lá. Em tempo: ao receber o resultado negativo, meu filho disse que a sensação era a mesma de tirar nota alta numa prova. Eu não teria encontrado uma definição melhor. 

 

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