Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Como é uma aula de esqui na estação de Valle Nevado

Esquiar tem algo como andar de bicicleta. Mesmo depois de um tempo sem praticar, a memória corporal desperta

Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2018 | 04h30

  Chilenos têm um jeito direto e assertivo que, aos ouvidos brasileiros, soa um pouco duro. Nossa primeira impressão do professor de esqui foi de alguém um tanto impaciente. Dos quatro alunos da nossa aula em grupo (43 mil pesos, R$ 254), o único que nunca tinha pisado sobre esquis na vida desistiu nos primeiros 20 minutos, inseguro.

Escolhi a mais básica das aulas, mesmo com alguma experiência anterior – mas distante – nos esquis. O começo da aula é mais chato e cansativo. É um tal de abrir e fechar pernas, subir ladeira de ladinho, treinar a tal posição de “ un trozo de pizza”, encontrar o equilíbrio sobre o que parece um piso ensaboado sem a opção de mover os tornozelos imobilizados pela bota. Então, finalmente, chega a hora de embarcar no teleférico pela primeira vez. Na outra ponta dele, lá embaixo, está a pista mais básica do Valle Nevado.

Esquiar tem algo parecido com andar de bicicleta. Mesmo depois de um tempão sem praticar, a memória corporal desperta na primeira oportunidade e resgata aprendizados antigos. De repente, descendo a pistinha dos aprendizes no meio da criançada – sempre infinitamente melhores que os adultos –, me vi reencontrando os movimentos básicos de fazer curvas à direita e à esquerda e frear sem grande dificuldade. Andrés Chino Vasquez, o instrutor que àquela altura já alternava entre bravo e animado, elogiou meus movimentos. “Sua prática está voltando.”

Chino é o mais antigo dos 180 instrutores que trabalham nas temporadas de inverno do Valle Nevado. Tem 30 anos de casa, ensina no resort desde a abertura. A verdade é que não é nada bravo: é só o modo de falar. Diz que o esqui é mais fácil que o snowboard no começo. “Mas depois que você pega o jeito no snowboard, evolui mais rápido que no esqui.” Eu me sentia evoluindo rápido no esqui; desci várias vezes a pista dos aprendizes naquela manhã, me dando ao luxo de parar para fotografar uma colega e por ela ser clicada e filmada.

Aos sábados, o restaurante francês La Fourchette faz um churrasco para o almoço (27.900 pesos, R$ 165 por pessoa) e, se o tempo está bom, espalha mesas no terraço ao ar livre. A temperatura não passava dos 3 graus, mas, com o corpo quente da aula e do sol na cabeça, deu para ficar com o mínimo de roupa e beber uma cerveja gelada.

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