José Patrício/Estadão
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Gilberto Amendola
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Como estragar uma viagem

O que é pior, ficar sem documentos ou sem os óculos?

Gilberto Amendola, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2019 | 03h05

Nunca subestime a capacidade humana de estragar um dia perfeito. Mesmo ao fazer tudo certinho, às vezes a aleatoriedade caótica do “deu mer...” pode nos pegar. Listei aqui cinco formas de azedar uma viagem. Espero, de coração, que nenhuma delas pegue você na estrada.

1. Perder o passaporte

Você põe a mão no bolso da frente. Tenta de novo no bolso de trás. Vai olhar a mochila. Respira fundo e pensa: onde eu enfiei...? Sim, o pior dos pesadelos é perder o passaporte no meio de uma viagem. É como se em pleno voo alguém puxasse o seu tapete mágico e pronto: queda livre! Tudo aquilo que representava férias, diversão e aventura vai se transformar em puro transtorno. São ligações para a embaixada, filas, taxas e outros perrengues. Por isso, sou o maníaco do passaporte. Quase como um compulsivo, passo parte do tempo checando se está tudo ok com ele. Trato como filho, guardo nos lugares mais seguros e rezo. Se não lembro o paradeiro do passaporte, minha pressão chega a cair.

2. Óculos quebrados

São anos planejando uma viagem, sonhando em conhecer pontos turísticos e se deslumbrar com visuais paradisíacos. Isso tudo, claro, se você não perder ou quebrar os seus óculos durante uma viagem. Ou sentar em cima deles ainda durante o voo. Imagina, no meu caso, com quase seis graus de miopia, tudo se transformaria em um borrão. A Torre Eiffel não seria diferente de qualquer torre de telefonia celular; a Ponte do Brooklyn seria apenas e tão somente uma ponte Rio-Niterói um pouco mais ajeitada. Além disso, imagina a frustração em visitar museus. Poxa, você ali tão perto da Monalisa, mas enxergando só uma parede branca com uma coisa que parece uma mancha.

3. Diarreia

Dias trancado em um hotel com medo de sair às ruas e ser, de súbito, atacado por uma machadada intestinal. Tanto dinheiro investido em uma viagem e você só aproveitou a tecnologia japonesa do vaso sanitário. Pior mesmo é quando a tal diarreia te pega no meio de um passeio coletivo. Aí, a coisa aperta e você precisa se separar do grupo para se refugiar em um banheiro público. Quanto inconveniente! As pessoas lá te esperando para entrar na fila de uma atração, conjecturando sobre sua saúde e situação, e você sofrendo. De repente, batidas na porta. Se você estiver dentro de um banheiro de um café ou restaurante, a vergonha é pior ainda. Você já decorou os rabiscos e poemas da parede. Precisa sair, mas sabe que não pode. Do lado de fora, alguém pergunta se você está vivo e ameaça chamar a polícia. Na hora em que você decide sair, pânico, ao olhar para o lado você descobre que não tem papel higiênico. 

4. Chatos

Os chatos estão em todos os lugares. São como zumbis de filme. Gremlins. Pode aparecer um ao seu lado já no voo de ida. O chato pode estar fantasiado de alguém que vai tentar te convencer a comprar alguma coisa ou a entrar para uma religião. O chato passa o voo inteiro mostrando fotos de familiares ou contando detalhadamente o próprio roteiro de viagem. Tem o companheiro(a) de viagem que se revela um chato também. Alguém muito caxias com horários e roteiro, alguém que acorde às 6h da manhã achando que já perdeu metade do dia. Os chatos compõem o maior exército transnacional do mundo. 

5. Perder a mala (na ida)

Na volta também é ruim. Mas na ida é um inferno. Você está em uma cidade desconhecida e pelado. Tudo que você arrumou e dobrou com carinho para fazer bonito no exterior ficou para trás. Agora, vai ficar fedendo, virar a cueca do avesso e ter de se arrumar com apenas uma calça jeans. Você vai receber uma compensação capenga da companhia aérea e esperar no hotel, ansioso, pelo reencontro com a mala. Seria menos problemático esquecer o filho no aeroporto. Por falar nisso... Júnior! Júnior!

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