Felipe Rau/Estadão
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Como manter a rotina de exercícios durante a viagem

Disciplina é a chave para continuar com treino longe de casa. Bastam 15 minutos com frequência de 120 batimentos por minuto

Nathalia Molina, Especial para o Estadão

18 de junho de 2022 | 05h00

Não é possível que você não tenha 15 minutos por dia, em 24 horas, para se exercitar. Longe de mim ser a pessoa a lhe dizer isso. Logo eu, que tantas vezes me repeti internamente essa provocação, mas a preguiça de sair da cama nem acusou o golpe e a mente seguiu inerte sobre o travesseiro. E a motivação perde a batalha ainda mais facilmente quando estou na correria de viagens.

No entanto, goste eu, você, ou nenhum de nós, a constatação feita pelo coordenador-geral de Educação Física da Universidade Paulista (Unip), Bergson de Almeida Peres, é tão desconcertante quanto certeira. “Não há desculpa para falar que não se tem tempo para fazer uma atividade física, mesmo numa viagem”, diz Peres.

“De acordo com o Colégio Americano de Atividade Física (instituição nos Estados Unidos que publica estudos sobre o tema), para a saúde, o ideal é que o indivíduo se exercite pelo menos 15 minutos por dia. Mas aí tem de ser sete dias por semana e desde que a frequência cardíaca atinja de 120 a 140 batimentos por minuto”, reforça Peres. Dedos na lateral do pescoço, sem apertar, permitem verificar os batimentos, ensina. “Você conta durante 15 segundos e multiplica por quatro, para chegar ao total.”

Se faz tanto sentido que 15 minutos não são nada diante do dia inteiro, então por que é tão complicado? “A gente sabe as dificuldades de manter a rotina de exercícios durante uma viagem. Tem de se organizar em termos de horários para conseguir”, diz o coordenador-geral de Educação Física da Unip. Para isso, é preciso encarar o treino como mais um dos hábitos, entre escovar os dentes, tomar banho e se alimentar, recomenda Peres.

“Motivação não é constante. Uma coisa que você precisa ter é disciplina, e ela é construída dia a dia”, afirma o personal trainer Marco Rebucci. “A partir do momento em que uma pessoa insere a atividade física na vida dela e assume o compromisso de trabalhar e viver com excelência, ela sente falta disso. E não estou falando de um treino de atleta, mas de movimentar o corpo, de ser voltado para saúde e bem-estar. A estética vem como bônus.”

A terapeuta Beatriz Borges aprendeu isso com o personal trainer. “Muitas vezes a gente se perde muito no foco. Pensa ‘eu vou viajar, aproveito e solto tudo’. Mas a gente só cria uma disciplina quando vê o resultado”, diz. “A gente se sente mais disposto, até no modo de lidar com o outro. Se fico sem treinar, já começo a ficar um pouco estressada. O suor libera algumas coisas travadas dentro da gente”, acredita.

Mais disposição para o roteiro

Mesmo quem viaja em grupo ou com a família pode ter benefícios em separar uma parte do dia para se exercitar, diz Rebucci, “para fazer uma trilha com amigos, jogar bola, ter energia para crianças”. “Tenho uma aluna de 60 anos que voltou a brincar com a neta de sete. Treinar faz total diferença na energia”, afirma. E, numa época em que viagens multigeracionais são tendência, a convivência entre pessoas de idades distintas é cada vez mais presente.

“Sempre que a pessoa escolhe manter uma rotina de acordar, se exercitar e ir para o dia – desde que o treino não esgote essa pessoa, que seja uma atividade física voltada para o bem-estar –, ela vai ter mais disposição e humor para aproveitar a viagem que ela buscou.”

O coordenador de Educação Física da Unip recomenda que o viajante busque a maneira com que se sinta confortável para seguir com os exercícios nos dias longe de casa. “A pessoa pode conseguir um plano bem curto numa academia ou fazer uma atividade física num parque. Hoje em dia muitas cidades demarcam um espaço para a atividade física. Se conseguir encontrar esses lugares, pode fazer exercícios sem custo nenhum”, indica Peres.

Academias melhores nos hotéis

Rebucci, que também gosta de viajar, percebeu que os hotéis vêm melhorando a estrutura oferecida a hóspedes que desejam continuar a se exercitar nas viagens. “Boa parte dos quatro-estrelas estão mudando, botando equipamentos bem elaborados, segmentados para cada grupamento muscular, como peitoral e pernas”, diz o personal.

Beatriz acaba de voltar do Caribe e conta que o hotel onde ficou não tinha academia. Ela não desistiu até encontrar uma alternativa em outro lugar. “Era um hotel ao lado do outro. Andei até o último, onde achei uma academia”, lembra Beatriz. “Eu amo viajar. Estou exatamente há um mês sem parar em casa”, diz a mineira de Poços de Caldas, que mora em São Paulo.

Ela dá preferência a se exercitar com pesos e aparelhos, mas afirma que, se não tivesse encontrado a academia no Caribe, iria correr na praia. “Tem vários treinos de força funcional, só com o peso do corpo, que dão ótimos resultados”, completa Rebucci.

Atualmente a maior parte do trabalho dele é digital, assessorando gente que nem sempre tem rotina fixa e que muitas vezes viaja. “Não há problema em reduzir a constância, treinar um dia sim, um dia não. A gente sabe que às vezes não dá. Mas não pode ficar dois, três dias sem”, diz o profissional, que fala de atividade física no Instagram @marcorebucci.

O personal trainer até criou um método de exercícios, em que o aplicativo (R$ 197 por três meses, com e-book sobre alimentação) passa uma rotina de treinos. “A pessoa manda o feedback e, se precisar, oriento”, explica. “Sempre trabalhei com digital. Mas, na pandemia, me veio a clareza de que tinha de ajudar. Consigo atingir muita gente online.”

Dicas para um treino melhor no destino

Estrutura do hotel: Pergunte no lugar de hospedagem que aparelhos oferecem aos hóspedes. Se não existir estrutura ou ela for insatisfatória, o personal trainer Marco Rebucci recomenda que o viajante busque uma academia no destino para negociar um plano só para os dias lá.

Improviso na viagem: Dá para usar o que está disponível no destino, de corrida na rua a exercício no quarto. “A pessoa pode fazer um abdominal de várias maneiras. Por exemplo, apoiada no antebraço e na pontas dos pés, com o corpo estendido e fora do chão, ela faz uma contração isométrica do abdominal”, diz Bergson de Almeida Peres, coordenador-geral de Educação Física da Unip. “Pode fazer 4 séries de 20 segundos.”

Adaptações no treino: O ideal é manter a periodicidade com que você se exercita no dia a dia. Se não der, os especialistas dizem que é aceitável diminuir o ritmo e treinar menos dias ou horas. O que importa é não parar de vez.

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