Yuri Manara/Casamento dos Sonhos
Yuri Manara/Casamento dos Sonhos

Como me casei com Elvis em Gramado

Testamos como funcionam as cerimônias-relâmpago, ao estilo de Las Vegas, que chegaram à Serra Gaúcha há seis meses

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2018 | 04h00

Sim, é isso mesmo que você leu no título: me casei com Elvis Presley em Gramado. E não foi só isso: tive como madrinhas um trio de princesas da Disney, foto na carruagem da Cinderela e, claro, um repertório de clássicos do rock.

Embora tenha rendido imagens ótimas (no Instagram @viagemestadao você vai entender melhor do que estou falando), o casamento foi de mentirinha. Mas o passo a passo é verdadeiro e qualquer um – até mesmo você, leitor – pode fazer o seu e celebrar o amor independentemente de religião, opção sexual ou gosto musical. 

A ideia era experimentar, na pele, como seria participar de um casamento “express”, à moda de Las Vegas. Inaugurada há seis meses na cidade serrana, a empresa Casamento dos Sonhos foi criada pelos irmãos Rogério e Rafael Rios e já realizou cerca de 400 cerimônias. Curiosamente, a maior parte delas teve como objetivo renovar votos, algo sem valor legal, mas com muito apelo emocional.

Borboletas no estômago

Foi esse o caso da Deizyanne Xavier, de 31 anos, que renovou os votos ali depois de oito anos de casamento. “Foi uma surpresa”, contou a paraibana de João Pessoa, mostrando seu barrigão de sete meses de gravidez. Com um grupo de dez pessoas – incluindo o marido e a filha, de 5 anos –, ela se encantou com a capela branca ajardinada quando passaram na frente dela, na chegada à Gramado. Depois da surpresa revelada, Deizyanne diz ter ficado o dia todo com “borboletas no estômago”. E o vestido? E a roupa do noivo? Sem problemas: está tudo incluído no pacote. “Eles me arrumaram na hora, em 30 minutos estava pronta”, diz.

Entre as cerimônias temáticas disponíveis – como Harry Potter, Star Wars e Medieval – eles escolheram a opção com Elvis (mas não o mesmo que casaria comigo ainda naquele dia). O Rei do Rock levou a noiva ao altar, além de, obviamente, cantar clássicos como Blue Suede Shoes e Suspicious Minds. “Todo mundo dançou, foi lindo. Vai ficar eternizado”, disse Deizyanne.

Como eu não tinha noivo disponível (acontece, gente), mas me sobrava disposição jornalística para qualquer sacrifício, pedi a mão de Elvis em casamento. Algo inédito, me revelou Bruno Soares, responsável por coordenar os casórios. Ele também dá consultoria sobre o figurino e uma força na maquiagem, quando necessário. No meu caso, era.

Preparação

“Você vai usar esse corpete aqui e essa saia”, apontou ele, me mandando para o provador. “Faço seu cabelo e a maquiagem também.” Enquanto isso, minhas “madrinhas” – amigas gaúchas que estavam em Gramado –, foram se vestir para o evento. Afinal, que graça teria casar com Elvis com uma plateia (ops, convidados) em trajes convencionais? Foi assim, portanto, que ganhei Elsa, Cinderela e uma princesa não identificada por nós (poderia ser a Merida, de Valente) em minha singela cerimônia.

Fazia frio, e eu não tinha vontade de tirar minha meia-calça preta ou minha bota de cano longo. Mantive a meia-calça, mas Bruno exigiu que eu colocasse um belo scarpin prateado, coberto de glitter. Cedi, com um medo tremendo de cair de cara no chão na caminhada até o altar. 

Enquanto Bruno fazia mágica no meu visual, evoquei lembranças do casamento que participei (nesse caso, como convidada) em Las Vegas. O esquema é bem similar – contei essa história aqui –, mas, ao menos nas capelas que visitei na época, não havia a possibilidade de escolher na hora o traje dos noivos. Era preciso vir pronto para a cerimônia, com a exceção do buquê, reservado no dia anterior.

É claro que você pode trazer o próprio traje para a cerimônia em Gramado, mas nem eu nem Deizyanne precisamos fazer qualquer procedimento prévio no Casamento dos Sonhos. Dá até para comprar as alianças ali e há buquês para escolher na hora. Fiquei com um de rosas, num tom próximo ao pink.

A cerimônia

Finalmente, estava pronta para a cerimônia. A noiva sai direto do camarim para a capela – a porta abre já no corredor principal, onde estão dispostos os convidados, cheios de expectativa. Normalmente, Elvis a leva até o noivo – no meu caso, contudo, ele era o noivo, e me esperava no altar. Saiu de lá entoando I Can’t Help Falling in Love e foi ao meu encontro. Juntos, nos postamos em frente ao mestre de cerimônias para jurar amor eterno pelos próximos quinze minutos.

Elvis só se tornou Elvis há cinco meses, quando passou a compor a equipe de 12 pessoas, entre colaboradores e funcionários, da empresa. Ele, que na vida real se chama Rodrigo Sperb de Paula, tinha uma banda em tributo ao Rei do Rock, The Presleys. “Mas não imitava os trejeitos dele como agora, aprendi depois”, conta ele, que pode aparecer nos casamentos como outro personagem, dependendo do tema da cerimônia, e ainda trabalha em um hotel na parte da manhã.

Na capela, Elvis-Rodrigo demonstra seu talento cantando ao vivo, como fez quando estive lá. Ao todo, foram três canções ao longo da cerimônia, que dura 15 minutos. Depois, posamos para fotos ali e na bela carruagem na área externa, uma das mais disputadas pelos casais. “Tem gente que passa de carro e para só para tirar foto”, contou Bruno.

Hora do buquê

Casamento que é casamento só termina quando se joga o buquê, e todos os convidados – incluindo o próprio Elvis – tentaram pegar o meu. O sortudo foi o mestre de cerimônias, Francesco D’Avila (um dos quatro atores da casa), de modo que as princesas tiveram de continuar à espera do príncipe encantado.

A partir de R$ 970 já dá para fazer a própria cerimônia no local. O valor inclui roupas, sapatos, acessórios e buquê. Embora no meu caso tudo não tenha passado de uma brincadeira descontraída, quem opta pelo tema Romântico ganha um casamento similar ao tradicional. Mas o que faz mais sucesso é mesmo o do Elvis.

Antes de partir, devolvi as alianças de meu casamento-relâmpago e, ao pisar fora da capela, já estava solteira novamente. No dia seguinte, ao passar pela recepção do hotel onde estava hospedada, uma surpresa: Elvis era o recepcionista. Admito não ter reconhecido meu “ex-marido” em trajes civis num primeiro momento. Depois de me perguntar internamente por alguns segundos “de onde conheço essa pessoa”, a ficha caiu. E caímos ambos na gargalhada.

 

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