Como não ter medo de voar ou navegar

Como não recebemos nenhum tipo de comunicação, é justo imaginar que não se confirmaram, de novo, as suspeitas de que nosso correspondente britânico veio ao Brasil. A redação supõe que ele teria sido visto, a não ser que estivesse andando sem seu bowler hat - o que ele próprio acha inadmissível para um cavalheiro. No momento não temos notícia de seu paradeiro mas, certamente, seremos informados em uma de suas próximas cartas.

O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2013 | 02h15

Querido mr. Miles, preciso lhe fazer uma confissão. Sempre tive muito medo de viajar de avião, o que tem atrapalhado meu sonho de ser uma viajante ativa como o senhor. Outro dia, porém, a empresa em que trabalho enviou-me para uma viagem de negócios na Alemanha. Não pude evitar e foi com muito sofrimento que me dirigi ao aeroporto. Acontece que me deram uma passagem de classe executiva. Então eu fiquei naquele bonito salão com comidinhas e bebidinhas, embarquei mais tarde (sem pegar fila) e deram-me uma poltrona incrível, que até massagem fazia! Resultado: comi bem, vi um ótimo filme e o medo passou… Seria um milagre?

Renata Muller Filiardi, por e-mail

"Well, my dear: sua narrativa foi muito esclarecedora. Unfortunately, ainda que eu tenha visto as mais belas e variadas atrações e pessoas deste mundo, não acredito em milagres. Que me perdoem os leitores mais religiosos, mas sempre há alguma explicação para tudo. E quando ainda não existe uma resposta, fico contente em saber que temos muito a evoluir.

As for your question, darling, não tenho a menor dúvida em afirmar que o sentimento de segurança está ligado a coisas inesperadas como o conforto, a cordialidade e todas as demais características de um espaço maior, menos claustrofóbico e - por que não dizer? - mais reservado. Veja bem, dear Renata: a primeira sensação quando você entra no avião sem a tensão de uma longa fila de embarque é a de que o avião está quase vazio.

Isn't it amazing? Muitas pessoas que têm ou tiveram medo de voar, como meu incorrigível velho amigo Lewis S. Pigeons, já me disseram que a simples constatação de que há 300 pessoas a bordo, com, of course, um número semelhante de bagagens pesadas, provoca-lhes pânico. "Como poderá levantar um avião tão cheio?" questionam-se. E é quando as garras viscosas do medo os agarram…

Na classe executiva, e ainda mais na primeira classe, o avião parece mais leve. A qualidade do serviço (sempre mais atento) também resulta na intuição de que, se você está sendo bem cuidado, deve ser sinal de que a companhia aérea cuida bem, as well, de seus aviões. Don't you agree?

Na verdade, os espaços na classe econômica andam tão exíguos que o sentimento é exatamente o contrário. Como nesse setor as empresas economizam em tudo, é justo pensar que economizam também na reposição de peças; que os pneus são recauchutados, a gasolina, as you say, é paraguaia e há uma série de remendos feitos com silver tape. É assim que o medo viceja.

Vou lhe contar mais uma coisa: minha querida companheira Léa Star tentou fazer um cruzeiro e jurou que nunca mais voltaria. Hospedada em uma cabine interna, sem vista para nada, ela enjoou por centenas de milhas náuticas e não viu qualquer prazer na viagem. Several years later, tive a oportunidade de convidá-la para um novo cruzeiro. Ela não quis. Disse-lhe, however, que tivesse confiança em mim. Naquela viagem, ela desfrutaria de uma suíte com varanda para o mar. Desconfiada, repleta de adesivos estranhos e comprimidos multicoloridos, ela acabou cedendo. Renata, darling: foi um milagre igualzinho ao que você me relatou. Nada de enjoos, nada de medo, tudo prazer e descoberta. Em outras palavras, querida: viajar melhor é melhor do que viajar bem e melhor do que viajar mal. Mas o pior mesmo é ficar em casa…"

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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