Marcio Fernandes/Estadão
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Adriana Moreira
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Como viajar com os seus pais

Uma vez eu disse a uma amiga que pela primeira vez viajaria sozinha com a mãe: você quer ser feliz ou ter razão?

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 03h33

Viajar com crianças é especialidade da minha colega Mônica Nobrega, que a cada 15 dias publica a coluna Criança a Bordo. Mas, Mônica querida, é melhor ir se preparando: em algum momento da vida a chave vira, e será seu filho quem irá levá-la para viajar. É inevitável: uma hora, os papéis se invertem. E é melhor estar preparado para isso.

Fazer uma viagem de longa distância com os pais e com as crianças têm semelhanças. É preciso ter em mente que o roteiro terá um ritmo mais lento. Que será preciso abrir mão de certas coisas (ou fazer algum programa que você detesta) para deixá-los felizes. Que haverá mais paradas para o banheiro. Que não vai dar para comer um sanduíche em pé em qualquer lugar e sair correndo para um museu em seguida.

Claro que há pais e mães com preparos físicos diversos. Ainda assim, é você quem terá de se adaptar ao ritmo deles, e não eles aos seus. Como disse certa vez a uma amiga que estava tensa porque pela primeira vez viajaria sozinha com a mãe: você quer ser feliz ou ter razão?

Sim, porque a chave para ser feliz numa viagem desse tipo é não fazer questão de estar certo o tempo todo. Sua mãe quer parar o tempo todo para ver lojinhas? Recupere a estratégia infantil e saia-se com um “na volta a gente passa aqui”. É do tipo religiosa, mas você nem lembra a última vez que entrou numa igreja? Vá com ela a uma missa. E depois siga para outro programa planejado.

Viajar com os pais é diferente de viajar com os amigos, com quem em algum momento podemos declarar independência e fazer o nosso próprio roteiro. Quando levamos nossos pais, é importante que os gostos deles sejam colocados como prioridade, e não os nossos. Pense quantas vezes eles fizeram o mesmo por você ao longo de todos esses anos e você nem se deu conta.

É claro que você não precisa aceitar qualquer roubada para agradá-los. Mas tudo é uma questão de usar o tom e a argumentação certos. E de tomar algumas providências prévias.

Destino

Leve em consideração as condições físicas e os gostos pessoais de seus pais para escolher o lugar e a época do ano ideais. Se o sonho de seu pai é ver neve, não vai adiantar viajar com ele para Bariloche em dezembro. Se sua mãe passa mal com calor, levá-la ao sul da Espanha em julho será uma tortura. Com os pais, a pesquisa prévia é essencial.

Um lugar confortável para a primeira viagem deles ao exterior é Portugal: ao menos três amigas levaram suas mães para o país nos últimos meses (inclusive outra colunista do Viagem, a repórter Bruna Toni, que está lá neste momento). O motivo? Idioma e culinária conhecidos, preços atraentes, facilidade de locomoção e clima agradável o ano todo. Mãe, logo te levo também, tá?

Mobilidade

Avalie a mobilidade dos seus pais para montar o roteiro dia a dia. Se eles não podem ou não gostam de andar muito, planeje como será a chegada e a partida dos pontos turísticos. Colocar longos intervalos de descanso também é uma alternativa: serve uma praça bonita, um café, um almoço mais longo.

Dê uma atenção também ao hotel: nos Estados Unidos e na Europa, é comum que o chuveiro fique dentro de uma banheira, o que exige firmeza (há muitos relatos de escorregões entre idosos). Se for o caso, peça um quarto adaptado.

Seguro

Vale para todos os viajantes, mas com idosos é preciso ter ainda mais atenção. Tenha certeza que o seguro engloba a idade deles e esclareça o passo a passo do atendimento se precisar usá-lo. Acredite: na hora da venda, atendentes prometem mundos e fundos que, muitas vezes, não se cumprem em uma emergência.

Remédios

Nunca despache a medicação: carregue na bagagem de mão para não passar apuro se a mala for extraviada. Em caso de remédios de uso contínuo, leve receita médica em inglês e uma quantidade extra. Vai que o voo atrasa ou vocês decidem estender a viagem?

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