Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Companhia animal para congelar de vez ou só refrescar o calor

Confesso: a ideia de sentar e assistir a um show em meio a parques de diversões nunca me atraiu. Mas nada como o passar dos anos para mudar uma pessoa - e eis-me aqui, emocionada entre rodopios de golfinhos e saltos da Shamu.

ORLANDO, O Estado de S.Paulo

25 Junho 2013 | 02h20

Blue Horizons foi o meu favorito. Especialmente porque os animais não são as únicas estrelas. Golfinhos dão saltos incríveis e os bailarinos os acompanham. Giram com eles dentro d'água, sem perder o fôlego nem a exatidão dos movimentos. De repente, surgem araras coloridas, que voam pelos céus e pousam ora sobre a arquibancada, ora sobre os treinadores. As crianças deliram. E os adultos, como eu, também.

É claro que One Ocean, o show da baleia orca Shamu, também agrada. Mas ali as estrelas são mesmo as baleias, já que os treinadores não entram mais na água desde um acidente fatal, em 2010. Os saltos e gracejos das gigantes impressionam, e as crianças se aglomeram nas primeiras fileiras para ficarem ensopadas quando os animais jogam água para fora dos tanques. É uma festa - especialmente nos dias de calor.

Também para se molhar, Journey to Atlantis diverte. O barquinho percorre a cidade perdida, com quedas às escuras ou às claras, muita água e adrenalina na medida. Se quiser mais frio na barriga, siga para a Manta, a montanha-russa que imita os movimentos da arraia. Só ali vi as pessoas gritarem antes de o brinquedo sair: assim que as cadeiras ocupam a posição horizontal, colocando todos de barriga para o chão, os gritinhos são inevitáveis. Quem tem coragem de abrir os olhos durante o passeio, mesmo que seja só de vez em quando, pode ver o parque todo. Gostei tanto que fui duas vezes.

Para não sofrer com o frio é melhor visitar as atrações indoor - como a novíssima Antarctica: Emperor of Penguin - antes de se molhar. O mesmo vale para Turtle Trek. Logo na entrada, o visitante passa pela área dos belos e gigantescos peixes-boi (ou manatis).

Depois, pegue os óculos 3D para se sentir na pele de uma tartaruga-marinha. Desde o momento em que sai do ovo, são muitos os desafios: uma gaivota faminta, uma rede de pesca, um tubarão. Até o momento de voltar para a praia onde nasceu e botar seus próprios ovos. Além de bonito e divertido, faz a gente pensar.

 

Jornada ao território antártico

A placa avisa que você chegou ao Polo Sul. Por entre as imensas montanhas cobertas de gelo (curiosamente, em forma de pinguim), uma passagem. É ali que se dá o encontro dos visitantes com Puck, o simpático pinguinzinho que nos apresenta a Antarctica: Emperor of Penguin. Não é simulador, brinquedo nem simplesmente uma área dedicada a pinguins. Vai além.

 

Puck faz as vezes de anfitrião, em um vídeo logo na entrada. Depois, é preciso escolher o tipo de percurso: wild ou mild (respectivamente, com ou sem emoção, mas sem radicalizar em nenhum deles). Fomos de wild e giramos, giramos e giramos para um lado, giramos, giramos e giramos para o outro.

 

Mais carrinhos chegam perto, deslizando pelo chão coberto de placas magnéticas. Entre uma e outra sacudida, Puck aparece, faz uma graça, nos mostra o que está por vir. De repente, paramos em frente a uma enorme tela, onde uma foca tenta atacar o pinguinzinho. Os carrinhos respondem aos movimentos bruscos e, quando Puck sai da água, uma parede atrás de nós se abre. Chegamos à colônia de pinguins.

 

A temperatura, para nós, é congelante: zero grau. Para as aves, simplesmente perfeita. Elas nadam nos tanques d’água, observam os visitantes com curiosidade, descansam. Ao todo são 250, de quatro espécies diferentes: pinguim-de-penacho-amarelo, adélia, gentoo e rei.

 

Dá para chegar bem pertinho deles, mas ninguém aguenta ficar muito tempo por ali por conta do frio. Afinal, você saiu da Orlando tropical direto para o frio antártico. Do lado de fora, um ambiente aquecido e, aí sim, vidros para ver os animais – nadando e se divertindo nos tanques, olhando com curiosidade para nós.

 

Segundo Bryan Morrow, diretor criativo do Sea World Parks, foram três anos desde a ideia até a inauguração do complexo, no mês passado. Não por acaso, trata-se do maior investimento do parque em uma única atração – o montante gasto, no entanto, não foi divulgado.

 

“Pouquíssimas pessoas conseguem, de fato, ir até a Antártida”, explica Morrow. “Por isso, decidimos trazer para cá um pouco desse hábitat.” Ele conta que a ideia era produzir uma atração para toda a família – e dar duas opções de percurso, com uma versão light, foi uma forma de incluir idosos e crianças pequenas.

 

Para reproduzir o ambiente antártico, cientistas colaboraram enviando informações aos engenheiros do Sea World. Uma delas é a mudança de iluminação de acordo com a época do ano, como ocorre na natureza. /A.M.

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