Natália Zonta/AE
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Concorrida, romântica e com aroma de limão

Costa Amalfitana revela seu 'algo mais' nas ruas estreitas de Sorrento, Amalfi e nos corredores da Positano

Natália Zonta, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2009 | 02h26

As montanhas escondiam a paisagem cheia de azul. Mas, a cada curva vencida pelo trem de vagões simples lotado de turistas, a maresia anunciava com mais intensidade o que viria a seguir: em poucos minutos, estaríamos em plena Costa Amalfitana.

Em menos de uma hora de viagem a partir de Nápoles chega-se a Sorrento, cidade de onde parte a lendária estrada Costiera Amalfitana, que serpenteia um dos trechos litorâneos mais concorridos da Europa. São cerca de 60 quilômetros até Salerno, pontuados por cenários estonteantes.

Pode apostar: o adjetivo não é exagerado. As localidades desse pedaço da Itália transpiram um algo a mais difícil de ser explicado. Talvez o azul-anil do Mediterrâneo justifique o encanto. Ou o perfume de limão que domina os ambientes. Impossível é ficar indiferente à admirável capacidade de despertar sensações tão intensas.

 

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Um brinde com limoncello, a bebida local, ainda em Sorrento, prepara o espírito antes de cair na estrada sinuosa. Escolha, para tanto, um dos restaurantes no sempre movimentado centrinho, em meio a construções do século 15. Os mirantes são atrações à parte, para serem apreciadas com calma. Dias de tempo bom permitem avistar a badalada Ilha de Capri e a Baía de Nápoles.

Em qualquer esquina você pode comprar os artigos típicos de Sorrento. Invista em peças de marchetaria e no licor de limão que, dizem, foi criado na cidade. E, então, lembranças na mala, é hora de encarar a Costiera.

Certa habilidade ao volante é indispensável para dirigir entre as curvas à beira do abismo. Os inflacionados táxis, os ônibus turísticos e as linhas tradicionais, usadas por moradores, são alternativas - que pedem um pouco de paciência, mas funcionam. No caminho desfilam paisagens capazes de explicar por que a região é tão procurada por casais em lua de mel. Estar sozinho neste momento vai fazer você querer pular de um penhasco.

NA VERTICAL

A estrada se transforma em uma estreitíssima rua antes que seja possível manobrar o carro. No meio de uma confusão, multidões de pedestres e outro bom tanto de motoristas disputam cada canto de Positano, um dos endereços mais exclusivos da Costa Amalfitana.

A surpreendente cidade parece ter sido construída na vertical, tal a quantidade de escadas, rampas e descidas bruscas entre as ruelas muito íngremes. As casas dão a sensação de que podem escorregar para as profundezas do Mediterrâneo a qualquer momento. Incrustadas no morro, as construções compõem o cenário mais fotogênico de toda a costa.

PEDRINHAS

Ainda que o objetivo seja alcançar o mar, a caminhada deve ser lenta o suficiente para permitir a observação dos túneis verdes pelas vias de pedra. A vegetação farta alivia o calor. Lojas, artesãos, vitrines de doces e embutidos despertam a atenção. As pernas estarão cansadas na chegada à praia de pedrinhas - nada que abale a certeza de que é bom estar em Positano.

Tão bom que a despedida é difícil. Mas a próxima parada, Amalfi, está logo adiante. A maior cidade da região tem uma modesta enseada e um pequeno calçadão. O lindo Domo do século 10 é o cartão-postal. Sua fachada colorida e detalhada, do século 13, é alvo de flashes e da disposição de todos de ficar por ali. Conquiste a tapas a sua mesa em um dos cafés e permita-se descansar e contemplar.

Tampouco resista se bater a vontade de se perder pelas ruazinhas cheias de tentações. Cerâmicas coloridas e resmas de tomates secos (mais vitaminados e vermelhos, garantem os locais) são as mais frequentes.

A Costiera leva ainda a Ravello, Praiano, Atrani, Minori e, enfim, Salerno. Mas decido dar tempo ao tempo. E, simplesmente, parar por aqui e sentir a brisa, sem pressa.

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