Talita Marchao
Talita Marchao

Confeitarias no centro do Rio de Janeiro trazem de volta charme do século 19

Salões como os das casas Cavé e Colombo fazem com que visitante se sintam em épocas passadas e servem café com doces portugueses

Talita Marchao, Especial para o Estado

07 de fevereiro de 2020 | 16h00

Caminhar pelas ruas entre casarões do Rio antigo, cruzar os trilhos do bonde – embora o atual VLT seja moderno e silencioso – e sentar-se em uma das confeitarias tradicionais do centro é o tipo de programa que atravessa os séculos. Os cafés e os salões de chá frequentados por escritores e artistas hoje são ocupadas por cariocas e turistas que saboreiam um café, um mate gelado – bem ao gosto dos locais – e doces portugueses.

O passeio com ares de Belle Époque começa pela Casa Cavé, a confeitaria mais antiga do Rio (de 1860) aberta até hoje. Fica na Rua Sete de Setembro. O salão restaurado tem poucas mesas e preserva a essência portuguesa em seus vitrais e no piso. A lista de clientes famosos inclui Dom Pedro II, Olavo Bilac e Carlos Drummond de Andrade. Muito frequentada por cariocas, a atração aqui são os pastéis de nata (R$ 8,70) e o sorvete (R$ 8,70 a bola). Os preços são mais simpáticos do que a famosa Confeitaria Colombo, localizada a alguns metros, na Rua Gonçalves Dias.

A Colombo, fundada em 1894, impressiona qualquer um que tenta conseguir uma mesa para comer em meio aos seus grandes espelhos e à sua decoração de época. Não é raro ver as grandes filas para atendimento e dezenas de turistas com os celulares tentando enquadrar toda a beleza do salão principal, com os cristais nas prateleiras e as vitrines repletas de doces. O cardápio tem pratos portugueses e franceses, e o preço é salgado (R$ 10,90 o pastel de nata; R$ 7,50 o café espresso). Vale pela experiência de fazer uma refeição em um dos lugares mais charmosos do Rio antigo – até a rainha Elizabeth II comeu ali.

Perto fica a Rua do Ouvidor, muito citada nas obras de Machado de Assis e uma das mais antigas da cidade. Ponto de encontro da sociedade carioca, foi uma das primeiras a receber iluminação elétrica no fim do século 19.

É nessa rua que fica a Confeitaria Manon, de 1942. Ela ainda mantém o charme da década de 1940 – foi tombada pela Prefeitura em 1993 – e seu salão é uma réplica do interior do transatlântico Serpa Pinto, que fez a rota entre o Rio de Janeiro e Lisboa. Sua cozinha não tem só influência portuguesa, mas também espanhola. O carro-chefe são as madrilenhas, um pão doce com creme e goiabada.

Fome de comida e de livros

A Rua Luís de Camões, ainda no Centro do Rio, guarda duas surpresas para amantes de livros e doces: o Café e Histórias, onde livros e doces se unem em meio às prateleiras repletas de obras do sebo Letra Viva. A casa serve almoço também, com opções vegetarianas, e fica a poucos metros do imponente Real Gabinete Português de Leitura.

A coleção começou a ser feita por um grupo de portugueses em 1837, mas só passou a ocupar o atual edifício em 1871. O lugar é de encher os olhos: é considerada uma das bibliotecas mais bonitas do mundo e tem obras raríssimas entre os mais de 350 mil livros. Entre eles, a edição de Os Lusíadas, de Camões, publicada pelo escritor português em 1572. É o único gabinete fora de Portugal a receber um exemplar de cada obra publicada no país europeu.

Não possui visitas guiadas, mas qualquer um pode entrar e fotografar o espaço gratuitamente – apenas o térreo tem circulação permitida. Na saída, não deixe de notar a fachada em estilo manuelino, visto também no Mosteiro dos Jerônimos e na Torre de Belém, em Lisboa.

Serviço:

Casa Cavé: Rua Sete de Setembro, 133/137

Confeitaria Colombo: Rua Gonçalves Dias, 32

Confeitaria Manon: Rua do Ouvidor, 187 / 189

Café e Histórias: R. Luís de Camões, 2

Real Gabinete Português de Leitura: R. Luís de Camões, 30

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