Congraçamentos sem muita graça

Nosso adorável viajante manda notícias de Malta, país mediterrâneo onde tem vários amigos e algumas praias em que adora tomar sol.

O Estado de S.Paulo

19 Junho 2012 | 03h10

A seguir, a pergunta da semana:

"Well, my dear, em primeiro lugar dou-lhe um conselho: leve um crachá, caso os organizadores não façam a fineza de providenciá-lo.

Nós sempre temos a tendência de imaginar que continuamos os mesmos e que só os outros envelhecem. Sem querer ofendê-la, darling, eu diria que será mais fácil que seus colegas lembrem-se de seu nome do que de suas feições.

Reencontros dessa espécie têm alguma chance de dar certo, mas, no mais das vezes, eles acabam com um resultado depressing. A tentativa de reviver uma condição há muito encerrada, unfortunately, coloca-nos brutalmente diante do inexorável passar do tempo.

Já ouvi muitas histórias como a que você está prestes a protagonizar. É quase sempre a mesma tentativa de voltar no tempo, encontrar amigos que, na memória, eram alegres, vestiam roupas coloridas, pilotavam carros que já não existem e eram capazes de atitudes deliciosamente irresponsáveis. Ou, on the other hand, rever os alunos mais promissores do grupo, os mais charmosos que, eventually, até lhe provocaram paixões platônicas e os menos dedicados, que, com toda a certeza, dariam em péssimos profissionais.

Meu bom amigo Gerrard Silvertree participou de um evento desses há poucos meses. Poor guy: voltou arrasado. Não conseguiu reconhecer sequer os melhores amigos da faculdade. O peso dos anos transformara-lhes as feições, os corpos e as atitudes. De repente, em função do bendito crachá, decidiu dirigir-se a um amigo de quem fora, as you say, carne e unha. O senhor em questão, hoje abastado, tratou nosso Gerrard com frieza e arrogância. Pior: nem sequer lembrou-se dele. Gerrard insistiu e perguntou de amigos comuns. Ouviu, como resposta, que dois deles já não estavam nesse mundo e, um terceiro, o odiava porque o amigo da onça havia lhe roubado a esposa.

É claro que Gerrard viveu situações opostas. Gente que o cumprimentou efusivamente e, de quem, ele não tinha a menor lembrança. Em certo instante do congraçamento, Gerrard viu uma senhora gorducha, de cabelos mal pintados que, de longe, acenava-lhe calorosamente. Enquanto a 'desconhecida' vinha em sua direção, meu amigo puxou pela memória, mas não chegou a uma conclusão. Não seria a professora de sociologia? Não!

A mulher então o alcançou: 'Gerrard, dear, que prazer em revê-lo. Você não mudou nada - disse-lhe ela'. Não tendo como responder com a mesma frase, ele saiu-se com a seguinte pérola: 'Muito obrigado! Mas se não mudei nada por fora, por dentro estou um caco! Quem é você mesmo?' Foi assim que Gerrard reencontrou Rachel, a moça mais bela e cobiçada de sua turma na faculdade. Assustado com o que viu, ele me disse, ao voltar: 'Não vou mais em festas desse tipo, Miles. É como rever uma cidade querida que acabou de passar por uma guerra ou um tsunami.'

Espero, honestly and openly, que este não seja o seu caso, dear Sandra. Enjoy your trip!"

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ESTEVE EM 132 PAÍSES E 7

TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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