Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Conheça algumas das mais simbólicas estações da história de Paris - Parte II

ENTRE LIVROS - CLUNY LA SORBONNE, LINHA 10

Renata Reps, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2013 | 02h18

Mudando de linha de metrô, mas voltando para região central da cidade, segue-se até o quinto distrito. São os arredores da primeira universidade criada na capital francesa, a Sorbonne Paris 1. Alguns anos antes de o conhecido prédio do centro de ensino ser erguido, em 1257, o famoso Quartier Latin já levava esse nome por se tratar de uma área onde se estudava em latim.

Foi um pouco mais perto do Rio Sena, no pátio da Igreja Saint Julien Le Pauvre (79 Rua Galande) que os primeiros clérigos começaram a ensinar filosofia e teologia a estudantes que passaram a vir de toda a Europa, transformando Paris em uma cidade de excelência para o estudo e a pesquisa. Eram as primeiras aglomerações universitárias a surgir no Velho Continente.

A Praça René Viviani, que fica logo atrás da igreja, é um pequeno jardim simpático e tranquilo que exibe a árvore mais antiga de Paris. A acácia foi plantada no ano de 1601 pelo jardineiro do rei Henrique IV, Jean Robin, e persiste imponente depois de quatro séculos de vida. O local é vizinho da conhecida livraria Shakespeare and Company (shakespeareandcompany.com), imortalizada pelos filmes Meia-Noite em Paris, de Woody Allen, e Antes do Pôr do Sol, de Richard Linklater. Especializada em literatura inglesa, tem como charme a decoração à moda antiga que entremeia as estantes. A programação cultural inclui rodas de leitura e discussão, lançamento de livros e workshops de leitura e escritura em língua inglesa.

Ali pertinho, caminhe até a Rua du Fuarre para encontrar o charmosíssimo restaurante e casa de chá La Fourmi Aillée (parisresto.com). Trata-se de uma antiga livraria que manteve suas prateleiras de obras originais e combinou-as a sofás e mesinhas de pedra para criar um ambiente alegre e requintado. No inverno, delicie-se com as sopas - a de peixe é uma delícia; já no verão, as saladas e quiches são o que mais vale a pena. Vegetarianos e carnívoros vão encontrar boas opções.

LEMBRANÇAS DE LUTÉCIA - JUSSIEU, LINHA 10 E 7

As ruínas de um lugar marcante para a história da cidade seguem como ponto de encontro para seus moradores. No século 1º, a recém-formada vila gaulo-romana erguia seu mais imponente monumento: o Anfiteatro, uma grande arquibancada a céu aberto para 17 mil pessoas. Lá, espetáculos de teatro e dança dividiam espaço com as batalhas entre gladiadores e animais.

Atualmente, o que sobrou da construção são as Arenas de Lutécia, passeio aberto ao público desde 1896. O grande banco de areia serve como campo de bocha - esporte muito apreciado na França - e as arquibancadas viraram uma grande área de piqueniques.

Depois da visita, vá até a margem do Sena e conheça o Instituto do Mundo Árabe (imarabe.org), museu concebido para ser uma ponte entre o Oriente e o Ocidente. Local de homenagem a uma cultura tão presente na formação contemporânea da cidade, o instituto tem uma programação multicultural, com artes plásticas, cinema, música e dança. Enquanto as coleções permanentes ajudam a traçar a evolução da arte árabe, as mostras temporárias refletem o cenário atual. Até 8 de setembro, a exposição O Teorema de Nefertiti contesta as formas de apresentação da arte moderna e incita um olhar mais crítico do público.

Na direção oposta, caminhe até as Ruas Descartes e Mouffetard para descobrir o atual bairro estudante de Paris. Restaurantes, sorveterias, bares e pubs amontoam-se em uma das vias mais agitadas da capital - principalmente no happy hour, das 18 às 21 horas, quando as bebidas têm preços reduzidos. Para quem não quer perder os campeonatos de futebol, a parada certeira é o bar L'Antidote (lantidote-paris.com), com boa carta de cervejas e coquetéis. Se a fome bater, prove o crepe grego mais famoso da cidade, na Rua Mouffetard, 66: a farta iguaria de caviar de berinjela com queijo feta do Petit Grec é um dos destaques do cardápio e custa 5 euros.

MONTE DOS MÁRTIRES - BASILIQUE SAINT-DENIS, LINHA 13

Em meados do século 3, quando a cidade de Lutécia era parte do Império Romano, um jovem monge católico veio difundir a fé em Cristo para uma população politeísta e adepta da boemia e dos prazeres da carne. São Denis, considerado o primeiro bispo de Paris, começou a realizar missas em capelas clandestinas subterrâneas. Quando descoberto, teve a cabeça decapitada no monte mais alto da cidade - lugar em que vários tiveram o mesmo destino e que ficou conhecido depois como o Monte dos Mártires, ou Montmartre.

Segundo a lenda, depois de morto, São Denis caminhou com a cabeça debaixo do braço por 6 quilômetros em um caminho que depois foi nomeado Rua des Martyrs - a Rua dos Mártires. Até que ele não mais teve forças e caiu: no lugar de sua queda foram erguidas as bases para o que se tornaria a Basílica de São Denis.

Situada na cidade homônima que fica na periferia ao norte de Paris, a igreja é de uma beleza gótica estonteante, principalmente em seu interior. Grandes vitrais em forma de rosáceas e uma ogiva que reforça a abóbada inundam o edifício de luzes coloridas. Mas o principal tesouro deste local de peregrinação está no subsolo: na cripta da igreja está enterrada boa parte dos reis que governaram o país. Mesmo que as reais ossadas tenham desaparecido durante a Revolução Francesa, os mausoléus desde os primeiros reis francos, passando pelos carolíngios, merovíngios, até a dinastia dos Bourbon, podem ser visitados nesta viagem pela história da França.

É também nesta estação de metrô que fica o Stade de France (stadefrance.com), estádio de futebol onde o Brasil jogou contra a França na fatídica final da Copa de 1998. Atualmente, nele realizam-se sobretudo amistosos ou outros tipos de eventos, como os grandes shows de bandas internacionais. Mesmo assim, é possível visitá-lo - inclusive os vestiários, tribunas e as margens do gramado. O bilhete de entrada vale 15 euros.

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