Mariana Goulart/ Estadão
Mariana Goulart/ Estadão

Mariana Goulart, Jujuy

13 Março 2018 | 05h00

De dentro do avião, prestes a pousar no aeroporto de San Salvador de Jujuy, o que se vê é um mar de morros, cobertos por um verde denso. Só uma prévia do relevo que se espalha na região da capital da província de Jujuy, no norte da Argentina

Bem menos conhecida que outros ícones do turismo do país, Jujuy ficou mais acessível aos brasileiros com os voos diretos semanais operados pela Aerolíneas Argentinas desde janeiro deste ano. No voo em que embarcamos, poucos brasileiros estavam a bordo – a maioria era de argentinos, que voltava para casa depois das férias no Brasil. 

PARA OUVIR: Leia esta reportagem enquanto ouve uma playlist especial organizada no Spotify

Com raízes andinas fortes, Jujuy é uma cidadezinha de arquitetura colonial, construída na Quebrada de Humahuaca. Acostume-se a esse termo: quebradas são como vales entre cerros – morros e montanhas –, uma formação geológica muito comum na região, formada pelo mesmo choque de placas tectônicas que deu origem à Cordilheira dos Andes. Desde 2003, a Quebrada de Humahuaca, que se estende por 170 quilômetros e abriga vários vilarejos (incluindo Purmamarca e Humahuaca), é Patrimônio da Humanidade pela Unesco

Pela cidade

Desembarcar no Aeroporto de Jujuy exige paciência. Ele é pequeno, com apenas dois guichês de imigração – foi quase uma hora para sair de lá. Mas, passadas as burocracias, o resto é fácil: o aeroporto fica a 32 quilômetros da cidade e o trajeto pode ser feito de carro alugado, táxi ou traslado oferecido pelos hotéis.

Você não vai precisar de muito tempo para conhecer a cidade. Hospedar-se no centro é vantajoso porque boa parte dos pontos turísticos, bares e restaurantes fica ali – e as ruas planas são um convite a caminhar.

Percorrer essa região é estar sempre em companhia das montanhas, que podem exibir o verde da vegetação ou cores intensas, laranja, vermelho, tudo dependendo dos minérios presentes. No nosso roteiro, Jujuy foi o ponto de partida para conhecer as coloridas Purmamarca e Humahuaca. Dali, seguimos até a meca dos vinhos de altitude, Cafayate, passando pela animada Salta.

LEIA MAIS: Uma visão em 360º da Quebrada de Humahuaca e dos vinhedos de Cafayete

Com 480 mil habitantes, Salta surpreende por sua beleza. Localizada aos pés da Cordilheira dos Andes, a cidade conserva a arquitetura colonial, tem ruas amplas e arborizadas, dias ensolarados e noites frescas, e encanta pelo estilo de vida boêmio. Embora a maioria dos turistas passe apenas uma noite por lá antes de seguir para Cafayate, Salta merece um olhar cuidadoso. Além disso, o caminho entre as cidades é cheio de atrações. Planeje com sabedoria.

Um dia em Jujuy

Plaza Belgrano 

Não é preciso muito tempo livre para conhecer o centro de Jujuy. O local, em si, não tem atrativos muito diferentes de uma praça tradicional. Mas é ao redor dela – e nas ruas próximas – que estão os principais pontos turísticos da cidade. Um deles é a 

Catedral San Salvador de Jujuy, onde está a Virgen del Rosario

Casa de Gobierno

Na praça fica também a Casa de Gobierno, um suntuoso prédio estilo barroco francês erguido no começo do século 20 para ser a casa oficial do governo da província. Suas portas ficam abertas – é possível conhecer o salão principal, onde está a Bandeira Nacional da Liberdade Civil, criada pelo General Belgrano na época da luta pela independência. Na parte externa do palácio, repare nas quatro estátuas (três mulheres e um homem), feitas pela artista Lola Mora em 1923, que representam a paz, a justiça, a liberdade e o progresso. Na época, as obras causaram polêmica por representarem nus. 

Museu Histórico Provincial 

Apesar de breve, o passeio pela praça e pelo palácio do governo é uma boa maneira de conhecer a história da independência do país e entender sua importância para os povos do norte. A próxima parada é no Museu Histórico Provincial Juan Gallo Lavalle, que fica em uma casa colonial a cerca de duas quadras da praça, e fala sobre a província desde a época dos povos indígenas, passando pela colonização espanhola e, finalmente, pelas lutas de independência, no início do século 19. Juan Gallo Lavalle foi um importante personagem dessa história. Se uniu aos gaúchos e organizou movimentos para libertar a Argentina do domínio espanhol. Na casa onde funciona o museu, Lavalle se escondeu e descansou por um tempo, mas acabou encontrado pelos inimigos e executado. No museu, além da história de Lavalle, há peças que retratam a vida no norte do país na época colonial. Entrada 50 pesos (R$ 8).

Doce de cayote

Depois do rápido tour pelo centro histórico, vale uma paradinha no La Petit Confiteria (Rua Lavalle, 415) para provar o doce de cayote (13 pesos ou R$ 2), fruta típica da região. O preparo do doce é bem parecido com as tradicionais compotas de fruta que conhecemos aqui – o sabor lembra doce de mamão. Inclusive, uma das maneiras que os argentinos mais consomem a sobremesa é acompanhada de queijo. No La Petit, o doce é usado no recheio de uma massa folhada assada, semelhante a um croissant

Tradição e folclore

Para terminar a noite com os sabores típicos argentinos, o Peña Apacheta Arte Nativo é uma boa escolha. Peña, aliás, é um tipo de restaurante com apresentações de músicas folclóricas, principalmente gaúchas. Nessas apresentações, os homens, de bombacha, chapéu e lenço no pescoço, batem os pés com força, como se ditassem o ritmo da dança. As mulheres, com seus vestidos rodados, inspirados nas roupas das camponesas, acompanham a coreografia, balançam os lenços e rodopiam ao redor dos companheiros. É difícil não se contagiar pela energia dos dançarinos. 

O Apacheta tem um amplo salão, com muitas mesas e um palco onde os artistas se apresentam. O cardápio é variado, mas o carro-chefe é a carne com batatas (purê, ao murro ou fritas), arroz ou saladas. Os pratos variam entre 195 e 385 pesos (R$ 31 a 

R$ 61) e são fartos. Eles também oferecem uma boa carta de vinhos, quase todos Malbec. Importante: aceita somente pagamento em dinheiro (real, peso e dólar). Rua General Guemes, 759.

Saiba mais

Aéreo: O voo direto São Paulo – Jujuy – São Paulo custa a partir de R$ 939,77 e tem saídas semanais, aos sábados, pela Aerolineas Argentinas. São 3 horas de voo.

Terrestre: saindo do terminal de Jujuy, há ônibus para Purmamarca, Humahuaca e Salta. Mais: balutsrl.com.ar.

Saúde: atenção à altitude. Abuse dos líquidos e pegue leve nos primeiros dias para seu corpo se habituar.

Site: argentina.travel.

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Mariana Goulart, O Estado de S. Paulo

13 Março 2018 | 04h55

As montanhas de Purmamarca foram nosso primeiro contato com as atrações naturais de Jujuy. Para isso, acordamos cedo: às 8 da manhã estávamos no carro prontos para desbravar a região. Ao longo do caminho, as árvores dão lugar aos cactos e o verde se transforma em infinitas nuances de laranja, vermelho e amarelo. 

Conforme nos aproximamos do vilarejo, surgem artesãos acompanhados de crianças e lhamas, e mochileiros. As cores estão por todos os lados. Não só nas montanhas, mas nas roupas das pessoas e nos enfeites que adornam os animais. Tudo isso contrasta com as casinhas de adobe que se espalham pelas ruas de Purmamarca. 

Chegamos junto com a chuva. Os artesãos corriam para cobrir as barracas, turistas e moradores tentavam se abrigar em cafés e debaixo de alguns poucos toldos. De repente, o burburinho das ruas foi cessando e todos pareciam ter feito silêncio para admirar a água que caía, transformando a poeira em barro. Chuva é algo raro por esses lados: a cidade é uma das mais secas da Argentina (a média de precipitação anual é de 364 mm), o que tornou esse momento ainda mais curioso para quem, como eu, colocava os pés no povoado pela primeira vez. 

O vilarejo está aos pés do Cerro de Los Siete Colores, uma formação rochosa com mais de 600 milhões de anos. As sete cores que ali existem são resultado da sedimentação de diversos minérios, um espetáculo para os olhos do visitante – ao nascer e ao pôr do sol, as cores se intensificam ainda mais. A distância entre o cerro e o povoado é mínima, e é possível avistá-lo de qualquer lugar. 

Mirantes

Para ter uma dimensão real, contudo, só do mirante. Aproveitamos a trégua da chuva para ter, do alto, a bela visão da montanha sobre o povoado. Paga-se 10 pesos (R$ 1,50) para subir.

Atrás dele está o Paseo de Los Colorados, um vale de três quilômetros que contorna as montanhas coloridas. O trajeto começa e termina em Purmamarca e pode ser feito de carro, mas a caminhada oferece oportunidade de observar as nuances do cenário. Há também um mirante, chamado El Porito, de onde se vê as montanhas que se espalham por todo o horizonte. 

Se decidir ir a pé, (escolha de 9 em cada 10 turistas animados), leve uma garrafa d’água, vista calçados confortáveis e aproveite o percurso para ver diferentes tipos de cactos e plantas rasteiras que crescem na terra seca e avermelhada. Trata-se de uma trilha bem tranquila (dura cerca de 45 minutos), com placas de orientação e muita contemplação no caminho – e, logicamente, diversas pausas para fotos. 

O povoado 

Apesar de os morros serem a principal atração, passear pelo povoado é indispensável. As ruas de terra batida estão sempre cheias de artesãos que vendem tecidos, roupas e objetos de cerâmica de tradição andina. A praça central fica tomada de turistas, que não se intimidaram com as poças e d’água e a fina garoa que voltou a cair, disputando espaço com cães e lhamas que andavam soltos. Ali está a Igreja Santa Rosa de Lima, construída em 1648 com uma arquitetura simples, também de adobe. 

Por conta das montanhas, os sinais de telefone e internet são ruins. Ao entrar nos cafés e restaurantes, quase sempre é possível ver uma placa indicando que ali não existe Wi-Fi. O que não parece ser um problema para os mochileiros: eles aproveitam o tempo livre para tomar o típico mate (repare como eles levam as cuias para toda parte), conversar com os moradores e explorar os mapas impressos entregues no Ponto de Informações Turísticas da praça central. Aliás, este é o ponto para agendar seus passeios, como trekkings ou tours de bicicleta. 

Noite animada

Purmamarca é pequeno, mas, como todo bom povoado turístico, oferece muitas opções de comida e hospedagem. Escolha entre ficar no centrinho, perto de tudo, ou na estrada paralela à rota 52 (bom para quem está de carro).

Há quem prefira passar o dia e voltar para Jujuy – algo possível, mas não recomendado. Dormir ao menos uma noite ali significa curtir melhor a atmosfera do lugar. Os restaurantes ficam abertos até tarde e, em alguns deles, há música ao vivo, com apresentações folclóricas.

Salinas Grandes

Muita gente passa rapidamente por Purmamarca antes de outro passeio clássico na região: rumo a Salinas Grandes. Com 12 mil hectares, o deserto de sal é pequeno se comparado a Uyuni, na Bolívia, mas ainda assim você vai conseguir usar a criatividade para fazer fotos divertidas: segurando seu amigo na palma da mão, como se ele fosse pequenininho, ou dando um salto normal que parece altíssimo. Se estiver hospedado em Purmamarca, é possível até contratar um táxi para um bate-volta. 

Bate-volta

Termas de Reyes 

Entre as montanhas, a 1.800 metros acima do nível do mar: é ali que está o hotel-spa. Construído na década de 30 para atender a alta sociedade argentina, o Termas fechou suas portas rapidamente. Na época, o acesso era muito ruim. Chegou a funcionar como um centro de reabilitação para crianças com problemas motores nos anos 1940, mas, em 1998, foi comprado por um empresário de Jujuy, reformado e reaberto em 2002. 

O local oferece serviços para hóspedes e não hóspedes. Há serviços de massagem, sauna e banhos com as águas termais que nascem no cerro. O spa-day custa a partir de 810 pesos (R$ 129) e é preciso fazer reserva. Já o restaurante fica em um salão, com grandes janelas com vista para os morros. O destaque é a truta, acompanhada de salada verde e amêndoas (220 pesos ou 

R$ 35). De sobremesa, parfait de cayote com melado de cana (90 pesos ou R$ 14), leve e saboroso. Site: termasdereyes.com.

Sinta-se em meio às montanhas no vídeo 360º a seguir. A experiência será melhor aproveitada pelo seu aparelho celular. 

 

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Mariana Goulart, O Estado de S. Paulo

13 Março 2018 | 04h54

Apenas 60 quilômetros separam Humahuaca e Purmamarca, que têm em comum as casas coloniais de adobe e a forte herança andina. Mas é em Humahuaca que está a gigante Serranías del Hornocal, cadeia de montanhas que ultrapassa os 4 mil metros de altitude. 

O período da tarde é o melhor para observar suas cores, graças ao posicionamento do sol. Por isso, decidimos almoçar primeiro. O restaurante Pachamanka, pertinho da praça central, foi uma agradável surpresa. Em um casarão antigo, com pé direito alto e decoração simples, oferece cardápio variado, com opções vegetarianas e muita fartura. Me sugeriram a carne de lhama com batatas assadas (240 pesos ou R$ 38). Decidi provar – e não me arrependi. O gosto não é muito diferente da carne bovina, mas ela é mais macia e um pouco mais clara – lembra o bife ancho. Saborosíssima. 

Assim como em Purmamarca, os artesãos daqui também se reúnem no entorno da praça. Se quiser caminhar para fazer a digestão depois do almoço, saiba que a siesta por ali é coisa séria. O comércio costuma baixar as portas das 15 às 17 horas mas, nesse tempo, dá para bater papo com os moradores e observar o trabalho de artesãos independentes.

Embora o objetivo de quem chega ali seja ver as montanhas, Humahuaca é conhecida como “capital histórica da Quebrada”, estabelecida pelos espanhóis no século 16. Além da Igreja de Nossa Senhora da Candelária, do século 17, a cidade se orgulha de seu Monumento aos Heróis da Independência, construído no alto de um morro, ao lado da praça central. Para chegar até lá é preciso subir uma escada com 113 degraus. 

Mas nós tínhamos compromisso certo: seguir para as Serranías de Hornocal, a 25 quilômetros dali. A majestosa cadeia de montanhas coloridas com 4.344 metros de altura só pode ser alcançada de carro, pela sinuosa rota 73. Depois de 1h30 de viagem, chegamos ao topo: é preciso pagar 50 pesos (R$ 8) por veículo para entrar. Outra opção é ir com as excursões que saem do centro da cidade. O agendamento deve ser feito no Centro de Turismo, e o passeio custa 350 pesos (R$ 55).

Por causa da altitude, é recomendado caminhar com calma, para ver o cenário ao redor (não esqueça sua garrafinha de água). As montanhas coloridas são grandiosas e a impressão que fica é que foram pintadas à mão. Se quiser se sentir um nativo, leve uma térmica de água quente e mate, sente nas muretas do mirante e passe um tempo observando as montanhas. Amarelo, vermelho, laranja, verde. É um espetáculo de cores que parecem ter saído dos ponchos andinos.

Não perca o fôlego

Com tempo extra, você pode reservar um tempinho para fazer o trekking a Peñas Blancas. É um passeio simples, de apenas 2 quilômetros, que pode ser feito sem necessidade de guia. Ali estamos a 2.400 metros de altitude, por isso mantenha a cautela e caminhe devagar, em ritmo constante. Do alto, tem-se uma bela vista da cidadezinha e das montanhas ao seu redor. 

Tradições

As cidades da Quebrada são repletas de festejos tradicionais. Na Semana Santa, por exemplo, Tilcara – vilarejo um pouco mais estruturado que Humahuaca e Purmamarca – as celebrações começam na Quarta-feira Santa, com uma longa procissão acompanhada por tambores. Na Sexta, as ruas são tomadas por Ermitas, como são chamados os murais feitos de flores

Sinta-se em meio às montanhas no vídeo 360º a seguir. A experiência será melhor aproveitada através do aparelho celular. 

 

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Mariana Goulart, O Estado de S. Paulo

13 Março 2018 | 04h53

Conhecida como Ruta del Vino, a rota 68 liga Salta e Cafayate por uma via sinuosa, que se transforma lindamente pelo caminho. Próximo a Salta, o que se vê é uma paisagem verde, com os cerros cobertos de árvores e intermináveis plantações de tabaco esparramadas aos pés da montanha, que colorem o chão de verde e amarelo. As casinhas coloniais dos povoados que margeiam a estrada transformam o trajeto em uma viagem no tempo. Pouco a pouco, o verde dá lugar ao laranja e mais uma infinidade de tons de vermelho. O clima úmido fica seco. Uma hora depois, a paisagem já é outra.

A transformação começa ao entrar na Quebrada das Conchas, vale formado no Rio das Conchas. O nome tem sua razão: era comum encontrar conchas por ali, resquício de eras em que aquele solo pertencia ao fundo do mar

As surpresas se sucedem. Como o povoado fantasma de Alemanía, vilarejo que surgiu ao lado da linha do trem e que, durante anos, foi o principal ponto de comércio da região. Quando o trem foi desativado, as pessoas abandonaram o local e o que restou foram as casinhas de adobe. 

Um pouco mais adiante, quem surpreende é a natureza, com a grandiosa Garganta do Diabo (o encontro das paredes do cerro que formam uma galeria) e o Anfiteatro, formação rochosa com paredes de mais de 20 metros de altura. O nome se deve à excelente acústica – o espaço até já foi usado para apresentações musicais.

Taças a postos 

Cafayate está a 1.750 metros acima do nível do mar e, ao se aproximar da cidade, é possível entender o porquê do nome da rota: incontáveis placas indicam o caminho para as vinícolas. A cena se repete na região central, onde algumas empresas mantém suas adegas.

Depois de três horas de viagem, fomos direto almoçar no hotel Viñas de Cafayate. Embora ali não funcione uma vinícola, há parreirais por todos os lados. Seu restaurante é aberto ao público e, no menu, há comidas tradicionais e uma carta de vinhos tentadora. 

Pablo Kishimoto, um dos proprietários do hotel, nos acompanhou durante o almoço. Aficionado por vinhos, ele nos apresentou alguns dos melhores rótulos produzidos na região. Foi nosso ponto de partida para um dia de muito aprendizado – e alguns bons goles. 

Embora a Argentina seja conhecida pela qualidade de seus vinhos tintos de Malbec, aqui a Torrontés é o carro-chefe da maioria das vinícolas. A cepa emblemática é oriunda do país e destina-se à produção de um vinho branco bem floral que, apesar de parecer doce no nariz, é seco na boca. 

Para conhecer mais sobre essa uva seguimos para a tradicional Bodega El Esteco  no coração dos Vales Calchaquies, fundada em 1892. Instalada em um casarão colonial, produz ao todo nove rótulos, de diferentes uvas.

Soledad Palma, nossa guia, explicou as diferenças na forma como as uvas são plantadas. E ressaltou a importância da altitude, que dá aos frutos um sabor mais intenso. A plantação da vinícola se espalha em frente ao casarão e avança em direção ao cerro. Nas maiores altitudes estão as uvas que serão utilizadas para os vinhos mais exclusivos.

Depois de cerca de 20 minutos caminhando entre os parreirais, fomos conhecer o processo de produção antes de chegar à melhor parte: a degustação. Provamos três taças, dois tintos e um branco (Torrontés, claro), enquanto Soledad nos orientava a perceber as diferenças de sabores e aromas de cada um. O passeio custa 150 pesos (R$ 23), e é realizado de hora em hora. 

História

Para se aprofundar mais no tema, visite o Museu de La Vid y el Vino, a duas quadras da praça central de Cafayate. Ali, o visitante vai conhecer a história do vinho e descobrir por que a terra, a altitude, o clima e o relevo da região são tão importantes para a produção de rótulos de alta qualidade. Entrada: 60 pesos (R$ 9,50).

Cafayate há muito deixou de ser apenas a casa dos trabalhadores das bodegas. Hoje, o centrinho de casas de adobe e clima bucólico abriga dezenas de hotéis, bares, restaurantes, lojas de souvenirs e até – pasme – uma fábrica de cervejas artesanais em pleno reduto vitivinícola. 

Ao redor da praça central, e nas ruas próximas, o clima é agitado. O comércio funciona até as 21 horas, e o vai e vem de turistas é grande. Para quem acha que o vinho se restringe as taças, as gelaterias que ficam ao redor da praça central provam que não é bem assim. Dentre os inúmeros sabores no cardápio (incluindo doce de leite, claro), dois se destacavam: gelato de vinhos Malbec e Torrontés. Peça sua casquinha e aproveite a sombra das árvores para degustar, sem pressa.

Não perca em Salta:

1- Plaza 9 de Julho

A praça é o ponto de fundação de Salta - ao redor dela estão a igreja, o palácio do governo e um calçadão com bares, restaurantes e cafés.

2- Museu Güemes

Inaugurado ano passado, fica em um casarão que já foi Tesouraria Real de Salta, no século 18, e casa do General Martín Miguel de Güemes (1785-1821), importante figura na luta pela independência. As dez salas contam a vida de Güemes de forma interativa. Dica: acesse a rede do museu pelo Wi-Fi e acompanhe as explicações de cada sala pelo celular. Rua Espanha, 730.

3 - Museu de Arqueologia da Alta Montanha (Maam)

Próximo ao Güemes, o Maam guarda um importante acervo inca. Destaque para as múmias Niños de Llullaillaco. Em 1999, foram encontrados no vulcão Llullaillaco, a 6.700 metros de altitude, os corpos de três crianças. Elas foram ofertadas aos deuses como forma de agradecimento, um ritual comum na cultura inca. Por causa do frio, os corpos permaneceram praticamente intactos por quase 600 anos. Para evitar que se deteriorem, a múmia exposta é trocada a cada sete meses.

4 - Cerro San Bernardo

Aproveite o fim da tarde em Salta para subir ao Cerro San Bernardo de teleférico. O bondinho parte do Parque San Martín e leva ao topo do morro em apenas 10 minutos. Também é possível subir a pé (são dois quilômetros e uma escadaria com 1.021 degraus) ou de carro. Custa 200 pesos (R$ 32), ida e volta.

Sinta-se em meio aos parreirais no vídeo 360º a seguir. A experiência será melhor aproveitada pelo seu aparelho celular. 

 

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