Visit Park City
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Daniel Gonzales, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2017 | 05h00

PARK CITY - Andando pela Main Street, em meio à neve e ao gelo acumulados nas calçadas e nos telhados, e cruzando a todo momento com esquiadores carregando seus equipamentos, a sensação é de estar numa cidadezinha do Velho Oeste norte-americano. No entanto, estamos em Park City, estação encravada nas Montanhas Rochosas de Utah, nos Estados Unidos, que guarda na arquitetura de casas e edifícios a herança da época em que aventureiros e caubóis chegaram por ali em busca de ouro e prata, por volta de 1880. 

A mineração nessa época era o centro da economia local. Hoje, é o turismo quem atrai aventureiros, ávidos para deslizar em mais de 400 pistas para esquiadores com vários níveis de habilidade – inclusive para este iniciante aqui. Em média, são 3,5 milhões de visitantes por ano e, embora não haja números exatos, sabe-se que o Brasil está entre os cinco países que mais emitem turistas para o destino.

Park City está dividida em dois centros de esqui: Park City Mountain Resort e Deer Valley. Recentemente, o primeiro passou a abrigar também a área conhecida como Canyons, se tornando o maior resort de esqui e snowboard dos Estados Unidos: são 2.954 hectares, mais de 300 pistas e 41 meios de elevação. Deer Valley, por sua vez, conta com 101 pistas espalhadas por seus 809 hectares, além de 21 meios de elevação. Ali, no entanto, é tudo exclusivo para os esquiadores: nada de snowboarders em Deer Valley.

Em Park City, pistas laranjas, para iniciantes como este repórter, correspondem a apenas 8% do total. Tudo bem: é o suficiente para aprender os primeiros passos – e dar os primeiros tombos. Não se acanhe: os instrutores são bastante pacientes. 

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Esquiadores e snowboarders intermediários têm 47% das pistas para treinar suas manobras, enquanto as 45% restantes são reservadas aos mais experientes, com percursos em áreas selvagens em meio a árvores e descidas íngremes. 

Ao deixar os esquis de lado, vale lembrar que caminhar pode exigir algum preparo. A cidade está a 2.134 metros de altitude, o que já pode causar algum desconforto. Além disso, por se tratar de uma cidade de montanha, as distâncias de um ponto a outro são longas e, no inverno, a temperatura dificilmente fica acima dos 2 graus – a média fica em torno de 10 graus negativos. A boa notícia é que há uma linha de ônibus gratuita que passa pelo centro, pelos dois resorts e também no Parque Olímpico. 

Quanto à infraestrutura, não há com o que se preocupar. Em ambos os resorts não faltam opções de hospedagem, restaurantes e lojinhas, com tudo o que você pode precisar – inclusive o equipamento necessário para deslizar montanha abaixo. 

VIAGEM A CONVITE DO CONVENTIONS & VISITORS BUREAU DE PARK CITY 

SAIBA MAIS

Aéreo: o trajeto mais curto entre São Paulo e Utah leva 15 horas. Para fevereiro, SP – Salt Lake City – SP sai US$ 937 na United, conexão em Orlando; US$ 1.207 na Air Canada, conexão em Toronto; US$ 1.947 na American Airlines, conexão em Los Angeles; US$ 2.010 na Delta Airlines, conexão em Houston.

 

Terrestre: do aeroporto de Salt Lake City até Park City são 50 quilômetros. Táxi, Uber, carros alugados e transfers são as melhores opções. Os transfers começam em US$ 39 e é possível reservar antecipadamente em parkcitytransportation.com.  

 

Seguro-viagem: praticar esportes radicais, como esqui e snowboard, exige um seguro específico. Avise na hora de contratar o seguro que você vai precisar dessa cobertura. Informe-se em empresas como Travel Ace, Assist Card e Easy.

 

Sites: reserve passes de esqui e consulte mapas e atrações das estações em parkcitymountain.comdeervalley.com e visitparkcity.com.

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Daniel Gonzales, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2017 | 04h30

PARK CITY - A temporada de esqui em Park City Mountain Resort mal começou: a expectativa é que dê para deslizar pelas 17 montanhas da estação até meados de abril. Foi ali, em meio a uma neve convidativa, que dei meus primeiros passos no esqui, amparado por instrutores experientes e cheios de dicas para que, ao fim do dia, você consiga se divertir por conta própria nas pistas para iniciantes. 

Como as turmas são pequenas, de no máximo cinco alunos, os professores – muitos deles, bilíngues – conseguem dar uma atenção especial a cada um. Para quem ainda não tem muita habilidade, o melhor é alugar os equipamentos nas lojas localizadas na base das pistas. Os funcionários, bastante atenciosos, orientam sobre a escolha de botas, esquis e também dos trajes. Em média, você gasta cerca de US$ 30 ao dia pelos esquis e US$ 11 pelas roupas impermeáveis.

Para quem ainda está se equilibrando (ou não) sobre os esquis, as pistas laranjas são planas e suaves. Quem tem mais habilidade se diverte mais, usando os teleféricos e gôndolas para chegar nos pontos mais altos, e curtindo os bares e restaurantes de montanha. 

Um deles é o Miners Camp Restaurant, um aconchegante refúgio de montanha para esquiadores fazerem uma pausa ao longo do dia. Ele foi inaugurado há um ano, juntamente com a gôndola Quicksilver, que passou a ligar Park City Mountain Resorts com Canyons Village e transformou a região na maior área esquiável dos Estados Unidos, com 2.954 hectares.

Passes. Além dos equipamentos, há outro item fundamental para um esquiador: os passes que dão acesso às estações. Se você quiser circular entre Park City e Deer Valley, o Trip, voltado apenas para turistas internacionais, pode ser comprado antes ou durante a viagem, no site das estações ou em operadoras de turismo. Depois, é só retirar os vouchers nas estações e trocá-los por bilhetes de acesso ilimitado. 

No meu caso, minha habilidade com os esquis não me levou a pistas muito desafiadoras, mas me diverti. Até mesmo na hora dos tombos: como os resorts estão sempre movimentados, há muita gente disposta a ajudar. Afinal, para um iniciante como eu, se levantar sozinho é um desafio quase tão grande quanto manter o equilíbrio sobre os esquis. 

 

O QUE LEVAR

Cabeça. Gorro é fundamental, tanto para esquiar como para sair à noite. Um acessório útil é a peça que pode se transformar em protetor para o pescoço, para o rosto e gorro, a depender da necessidade do turista. Óculos de sol ou goggles para neve são obrigatórios.

Corpo. As temperaturas podem ser negativas, mas quando o sol bater sobre a montanha durante a prática esportiva, você vai sentir calor. Por isso, é importante se vestir em camadas: camiseta dry fit por baixo, fleece, uma boa jaqueta impermeável para neve por cima.  

 

Pés e mãos. Os pés devem estar bem aquecidos. Meias térmicas, próprias para neve, são grandes amigas dos esquiadores. Além das botas de esqui, uma bota de trekking impermeável ou galocha vai ajudá-lo a não escorregar no gelo das ruas. Nas mãos, use luvas impermeáveis; deixe aquela de couro ou lã para a noite. 

Na pele. Protetor solar, protetor labial, hidratante: use sem moderação.

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Daniel Gonzales, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2017 | 04h30

DEER VALLEY - O efeito “uau” é inevitável ao chegar em Deer Valley. A apenas 20 minutos da cidade de Park City (uma linha de ônibus grátis leva para o local), é uma estação exclusiva para esquiadores: nada de snowboarders ou outros esportes de neve por lá. São 101 pistas para deslizar sem preocupações. 

Ao lado de seus 21 teleféricos, Deer Valley abriga ainda diversos restaurantes, incluindo um amplo bufê com especialidades norte-americanas – hambúrgueres, costelas caramelizadas. Muitos deles oferecem também atividades aprés-ski. Se você pretende alugar seus equipamentos ali, saiba que as lojas da estação têm preços ligeiramente mais altos do que em Park City.

Também oferece serviços premium, como acompanhamento personalizado dentro e fora das montanhas, o que inclui de instrutores de esqui a manobristas, passando por carregadores de equipamentos. 

Aliás, até mesmo por ser menor que a estação vizinha, Deer Valley tem uma atmosfera mais exclusiva. Ali está o luxuoso Stein Lodge (a partir de US$ 550), que ganhou dois anos seguidos (2014 e 2015) como melhor hotel de esqui no prestigiado World Ski Awards. 

Outro para quem quer mimos infinitos é o St. Regis Deer Valley, de onde é possível sair e chegar esquiando (ski in/ski out). A diária ali não custa menos que US$ 1.299 em fevereiro, mas não se preocupe: caso seu cartão de crédito não suporte tal montante saiba que há 45 opções de hospedagem próximas, com diárias a partir de US$ 120.

MAIS HISTÓRIA

Na década de 1930, a mineração já havia diminuído na região. A atenção começou a se voltar às montanhas e, em 1946, foi aberta a primeira área esquiável de Park City. Mas foi a partir de 1963 que a modalidade ganhou mais força por lá.

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Daniel Gonzales, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2017 | 04h30

PARK CITY - Antes ou depois de deslizar pelas montanhas, caminhar pelas ruas da pequena Park City é uma boa maneira de entrar no clima da cidade. Comece indo de ponta a ponta da Main Street, a rua principal, que reúne os principais bares, restaurantes e saloons da cidade em seus dois quilômetros de extensão. 

Saloons? Pois é, embora a corrida do ouro tenha ficado para trás há muitos anos, a cidade ainda parece respirar o mesmo ar dos tempos do Velho Oeste norte-americano. Repare nas placas instaladas em casas e edifícios: elas costumam contar as antigas atribuições do lugar – como o escritório do xerife, por exemplo. 

Durante o dia, aproveite para comprar nas lojinhas de antiguidades, bugigangas e galerias de arte. Prove ainda as maçãs no palito típicas de Utah, descascadas e com diversos tipos de cobertura: chocolate, castanhas, amendoim, caramelo, coco... Uma delícia vendida em várias lojinhas ao longo da rua. 

Com sorte e um pouco de conversa na porta, você consegue entrar e até mesmo subir ao palco do Egyptian, teatro onde ocorrem as principais premiações do Sundance Festival. E fique atento: num cantinho escondido da rua há um painel pintado pelo mundialmente famoso (e anônimo) artista de rua, ativista, diretor de cinema britânico Banksy, cujos grafites enfeitam várias cidades do mundo.

VEJA TAMBÉM: Cidades onde o grafite se tornou atração turística

À noite. Quando o sol se vai é hora de encontrar um lugar para se aquecer. O divertido No Name Saloon parece realmente parado no tempo, com seu balcão comprido, piso de madeira e cadeiras e mesas simples espalhadas pelo ambiente. Entre ossos de cabeças e chifres de animais pendurados (além de velhos esquis e artigos inusitados, como vasos sanitários antigos), você vai encontrar por lá coquetéis e o famoso hambúrguer de carne de búfalo (a partir de US$ 14,50), que atrai legiões de admiradores. 

Se o seu negócio é beber para espantar o frio, outro dos famosos saloons de Park City que valem a visita é o High West Destillery, que tem a fama de ter os melhores uísques e cervejas artesanais da região. 

Apesar do frio intenso, dá para ficar na área externa, junto dos aquecedores, jogando conversa fora e admirando o anoitecer. O edifício é de 1870, com a fachada de madeira e direito à porta dupla na entrada. Lá também dá para adquirir passeios até as famosas destilarias da região, apreciar uma minidestilaria (o que pode ser feito até da rua, por meio de um vidro), além de levar as bebidas para casa, diretamente da lojinha.

Com atmosfera mais clássica, o Butcher’s Chop House tem como lema “elegância sem arrogância” e serve um menu especializado em carnes. Escolha o tipo, os acompanhamentos e se farte por a partir de US$ 34.

MAIS MÚSICA

Até dia 29, o Sundance Film Festival movimenta Park City com exibição de filmes, encontros com cineastas e apresentações musicais. Os ingressos custam de US$ 20 a US$ 25. Saiba mais em sundance.org.

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Daniel Gonzales, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2017 | 04h30

PARK CITY - Esquiar pode até dar um frio na barriga nas descidas mais íngremes. Mas quando se fala em adrenalina, não há lugar

melhor para elevá-la ao máximo nível do que o Parque Olímpico

Para isso, você vai ter de encarar uma descida a 120 km/h no bobsled. Se você assistiu ao filme Jamaica Abaixo de Zero (1993), em que um grupo de atletas jamaicanos que nunca tinha visto neve na vida começa a competir com esse carrinho, já sabe do que estamos falando. Precisa de mais referências? Pois saiba que o tal carrinho tem o singelo apelido de comet

Apesar de o trajeto de 1.300 metros não durar mais do que um minuto e meio, a experiência é inesquecível. Tanto que a pista para os comets não é uma qualquer: ela foi construída e usada em 2002 nos Jogos Olímpicos de Inverno, cuja anfitriã foi a vizinha Salt Lake City, para as competições oficiais. 

O trajeto no carrinho é feito sempre na companhia de atletas experientes, e com sorte você vai encontrar por lá Shauna Rohbock, que tem no currículo uma medalha olímpica e cinco de campeonatos mundiais de bobsled.

Bastante simpática, a campeã explica aos visitantes os princípios do esporte, onde se segurar no carrinho e os impactos da força G a serem experimentados no trajeto. E, na hora de ir para o equipamento, com o acesso feito pelos veículos do próprio parque, é ela quem conduz o bobsled.

Ao fim do trajeto, fica difícil deixar de lado a sensação de euforia, mesmo com certa dor. Por causa da rapidez do trajeto e das vibrações, é quase impossível se segurar sem algumas batidas nos braços e pernas, se você não for um profissional. Mesmo com as eventuais manchas roxas, a breve aventura vai deixar uma sensação de quero mais. Pena que o valor – a bagatela de US$ 175 – dá direito a apenas uma descida.

O Parque Olímpico tem ainda outras atrações, como um museu com artigos usados por atletas, fotos antigas e, claro, uma lojinha. 

Menos emoção. Caso você queira dar um tempo nos esquis, mas ache que o bobsled não é para você, saiba que há outras atividades disponíveis na região. O snowshoeing, por exemplo, é uma caminhada por trilhas pelas montanhas nevadas, e pode ser realizada em família – os preços começam a partir de US$ 70 por pessoa, dependendo do tamanho do grupo. 

Para quem gosta de uma pescaria, há programas de quatro horas que incluem iscas, lanche e guias dispostos a acompanhar tanto iniciantes como experientes. O pacote para um grupo de US$ 475. 

Mas se você quiser ter uma vista panorâmica de Park City, que tal um passeio de balão? A decolagem ocorre na primeira luz do amanhecer e o valor é de US$ 250 por adulto. Há ainda o passeio de dog sledding, trenó puxado por cachorros, snowmobile (moto de neve) e outras atividades com preço sob consulta. Todos os programas são operados pela Wasatch Adventures

 

MIMOS PARA RELAXAR EM SPAS DE LUXO

Deixe o frio e a neve lá fora e relaxe em um ambiente com temperatura agradavelmente controlada, aos 25 graus, com massagistas, piscinas aquecidas, limpeza de pele, relaxamento facial, duchas, espaço com lareira cheio de comidinhas... É o maravilhoso mundo dos spas, e os dois melhores do Estado de Utah estão em Park City. Não é necessário ser hóspede para usufruir da mordomia por algumas horas. 

O atendimento é personalizado desde a entrada, e os cuidados com os detalhes são bastante notáveis no spa do cinco-estrelas Stein Eriksen Lodge. De acordo com o pacote escolhido, o visitante escolhe até os aromas dos produtos a serem aplicados na pele. No vestiário, você encontra roupão e sandálias, num armário com seu nome. A partir daí, é hora de pensar só em você – como relaxando depois do esqui com uma massagem nos pés (US$ 185).

Cara a cara com 007. Dono do maior spa de Utah, o Montage Deer Valley fica encravado no alto de uma cadeia de montanhas. Favorito das celebridades, quem vai ao spa corre ao risco de dar de cara com algum famoso – encontramos o ator Pierce Brosnan, que viveu nos cinemas o agente secreto 007, passeando tranquilamente. 

Não tiramos foto com o ator, mas com o simpático Monty, cão são-bernardo mascote do hotel. Depois de tantas distrações, vale dizer que o spa do Montage é um verdadeiro parque de diversões dos cuidados com a mente e com o corpo. Apenas a piscina subterrânea, aquecida, é maior do que a da maioria dos hotéis da região. Os banhos minerais custam a partir de US$ 150. 

 

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