Cristiano Xavier
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Conheça roteiros de viagem para buscar tornados nos EUA

No centro dos EUA, caçadores de tempestades saem em busca do fascinante e perigoso fenômeno, em viagens com imagens incríveis

Felipe Mortara/Estadão, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2016 | 05h00

Forma ideal. Funil clicado em Simla, no Colorado

É um roteiro para caçadores no qual a presa pode, a qualquer momento, virar o jogo e assumir o papel de predador. O alvo não é nenhum animal, mas pode se tornar perigoso e até mesmo mortal. Encarar a beleza e o poder extremo da natureza é a proposta de pacotes turísticos dedicados a perseguir tornados pela região central dos Estados Unidos. 

Apesar de pouco conhecido da grande massa de viajantes, esse tipo de roteiro é relativamente comum nos Estados Unidos. Turistas brasileiros – de perfil bastante específico, vale destacar – começam agora a descobrir que é possível perseguir tornados na companhia de especialistas no tema.

 

Em busca da imagem perfeita, no ano passado o fotógrafo mineiro Cristiano Xavier encarou seis dias de procura pelos tornados em território americano. Em carro equipado com radar, barômetro e aplicativos do governo atualizados a cada 5 minutos, chegou a avistar 15 tornados em menos de uma hora, no Estado do Colorado. Conseguiu fotografar oito. A aventura incluiu chuva de pedras de granizo do tamanho de bolas de sinuca – uma delas quebrou o vidro traseiro do carro. 

“Seus cabelos estão em pé, uma adrenalina absurda”, conta o fotógrafo brasileiro. “É um fenômeno maravilhoso, mas existe risco, só é um sucesso quando você consegue voltar em segurança.”

Segurança é um dos aspectos críticos do, digamos, passeio. “Os guias procuram estar sempre atrás da tempestade, nunca no caminho dela”, lembra Xavier. O mesmo aplicativo que dava acesso às informações climatológicas do governo também enviava dados sobre a posição geográfica da expedição.

De volta ao Brasil, Xavier criou um tour para fotógrafos de natureza caçarem cliques dos tornados americanos. Proprietário da agência One Lapse, ele levará turistas para, a partir de Denver, no Colorado, percorrerem a área conhecida como “corredor dos tornados”, que vai da Dakota do Norte até o Texas e do Colorado até Iowa. O pacote de nove noites vai de 25 de junho a 3 de julho, e a saída só ocorre com um grupo mínimo de dez pessoas. 

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Caminhos indefinidos. Uma das características das expedições em busca dos tornados é que elas não têm roteiro definido. Dentro do perímetro do tal “corredor dos tornados”, todo caminho apontado pelas previsões meteorológicas e pelo faro e experiência dos guias é válido. A rotina muda ao sabor da tempestade e pode incluir monotonia, longos deslocamentos a bordo de vans e jipes e noites dormidas em hotéis de beira de estrada e cidadezinhas muito simples. É comum dormir pouco e acordar muito cedo. Fora as caçadas, comida regional e os atrativos possíveis, no tempo que sobrar. 

A experiência de guias que conheçam a região e suas condições climáticas é fundamental também pelas próprias características dos tornados. “Como são sistemas muito severos, podem matar pessoas que não conheçam esse tipo de fenômeno”, diz o meteorologista da Climatempo César Soares. 

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Além de fascinantes, são difíceis de prever e têm curtíssima duração: apenas alguns minutos. Modelos meteorológicos não trabalham na escala do fenômeno, explica Soares. “O que fazemos é estimar as condições favoráveis para a ocorrência.” A primavera no Hemisfério Norte é a época de mais ocorrência dos tornados, devido ao choque das massas de ar secas e frias do norte e as quentes e úmidas do sul, do Golfo do México. O fim de tarde é o horário mais propício.

Caçadores de tornados profissionais costumam ser os primeiros a chegar para oferecer socorro, água e alimentos às cidades e populações atingidas por eles. São casos em que até os turistas podem ser chamados a ajudar. Em 2013, o comediante Maurício Meirelles esteve em Oklahoma fazendo reportagens para um programa de TV logo após um poderoso tornado devastar a cidade de Moore. “Entrevistei uma mulher que estava na cozinha quando tocou o alarme (alerta de tornados) e só teve tempo de descer ao porão”, lembra. “Quarenta segundos depois, quando voltou, nada tinha restado.”

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De brigadeiro. Mas as alegrias no caminho também são muitas. Ainda que nem toda supercélula, como são chamados os encontros das massas fria e quente, vire tornado de fato – o que só ocorre quando há o funil gigante que toca o chão –, muitas outras belezas aguardam os visitantes nos céus do “corredor”.

“Esta época do ano reúne uma série de condições de luz e dramaticidade propícias para fotografar”, diz o fotógrafo Cristiano Xavier. “Pode haver arco-íris, relâmpago, pôr do sol, supercélulas e, no máximo, um tornado.” Afinal, toda caçada tem seu prêmio.

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