Contagiante

Aruba acolhe tão bem os turistas que acaba virando lar de muitos estrangeiros. O motivo? Sol o ano todo, mar de rara beleza, acesso fácil e a acentuada hospitalidade de seu povo

Fábio Vendrame / ARUBA,

04 Janeiro 2011 | 10h00

    Aruba faz a alegria de quem a visita e também de quem nela vive. Elegê-la como destino de férias, além de boa ideia, pode significar uma mudança e tanto na vida. Aconteceu com a arquiteta brasileira Lúcia Ferrão Martins, de 29 anos. "Me encontrei aqui. Vivo numa felicidade insuportável", brinca.

 

Lúcia nem mesmo tinha muita noção do que iria encontrar nessa ilha caribenha, de colonização holandesa e colada na costa da Venezuela. "Vim para Aruba sem saber que era uma ilha", confessa. "Entrei na internet em busca de um destino de praia e achei esse nome bacana. Comprei passagem, reservei hotel e aqui estou", diz, com aquele sorriso de felicidade.

 

Foi no fim do ano passado. De folga, ela resolveu curtir sete dias em Aruba. Ficou dois meses. Voltou ao Brasil para as festas de fim de ano e anunciou: estava de mudança para a ilha. Seus pais estremeceram com a notícia. "Achavam que eu havia enlouquecido, que não deveria largar minha carreira", lembra Lúcia, dona de currículo que inclui MBA nos Estados Unidos.

 

A carreira dela estava encaminhada, carro do ano, salário alto... Mas a resistência dos pais chegou ao fim ao conhecerem Aruba. "Então, me olharam bem e disseram: ‘Agora entendemos você, e apoiamos a sua decisão’. Foi sensacional", diz Lúcia, que virou instrutora de mergulho.

 

 

Logo ela, que nunca havia mergulhado. Mas bastou fazê-lo em Aruba, destino consagrado por oferecer ótimos pontos para o esporte. "Aí, sim, entendi o que dizia Elis Regina: ‘Viver é melhor que sonhar’."

Foi assim com Lúcia e com outras milhares de pessoas. Muitos continuam trocando seus países de origem por Aruba. Eis aí o único "risco" para quem vai passar as férias lá. Mas... e a coragem?

 

"Não tem estresse, todo mundo está feliz, a ilha é uma família", repete Lúcia, cuja rotina de trabalho lhe dá direito a apenas uma folga por semana. Ela nem liga. Diz que se diverte o tempo todo. "E nunca mais gastei horas no trânsito de São Paulo. Aquilo não existe." OK, pode continuar rindo, sua insuportável!

A história da brasileira tem tudo a ver com a da holandesa Marianne Held, de 31 anos, natural de Den Haag (Haia). "Ah, adoro o sol e o astral de Aruba... O mundo inteiro está aqui", diz ela, que deixou a carreira de nutricionista em sua terra natal para atuar como garçonete no Caribe.

 

Algumas coisas realmente fazem de Aruba um lugar encantador. Relegada no tempo das "descobertas" marítimas europeias, a ilha esteve sob domínio espanhol e francês antes de cair em mãos holandesas. A gastronomia e o idioma são autênticos testemunhos dessa miscelânea.

 

 

À mesa, pratos à base de frutos do mar recebem tempero creole. Nas ruas, os nativos fazem questão de serem receptivos. Todos falam holandês, inglês e espanhol, mas se orgulham mesmo é do papiamento, língua que mistura vocábulos holandeses, franceses e ibéricos. "Bon dia", "bon tardi", "bon nochi" e "bon bini" (bem-vindo) são formas de cumprimento na ilha. Muito legal!

 

Espontâneo. Aruba exibe uma cara multicultural, cosmopolita até. E tem cada figuraça lá... Francis Jacobs é uma delas. Espécie de menestrel, atua como um faz-tudo para os turistas: recepciona, resolve pepinos, promove passeios, traslados, o que for. "A amabilidade do povo é que faz a diferença da nossa ilha em relação às outras", defende. "É algo espontâneo, natural, que já nasce com a gente."

 

Aruba é de sol, de mar e de vento. Faz calor o tempo todo e, dizem eles, a temperatura média é de 28 graus. Mas a sensação, garanto, é de 40. E olha que venta sem parar, o que faz da ilha destino de kite surfe, parasail e outros esportes náuticos, além do mergulho, claro, em suas águas azuis e verdes, verdes e azuis, translúcidas, mornas, límpidas que só.

 

A brisa constante fez das árvores retorcidas, batizadas de divi-divi, o símbolo local. Mas essa ilha esvoaçante fica, quem diria, fora da rota dos furacões que, vira-e-mexe, causam estragos no Caribe. Mais um ponto positivo.

Para os brasileiros, Aruba começa em Oranjestad, capital e maior aglomerado urbano. Mais de duas dezenas de hotéis espalham-se pela orla, parte deles all inclusive, desde o terminal portuário - onde aportam os maiores e mais luxuosos cruzeiros do mundo -, passando pelas areias concorridíssimas de Eagle Beach, Palm Beach e Malmok Beach.

 

Isso tudo contagia. E você também vai entender como é se sentir insuportavelmente feliz.

 

Saiba mais

 

Linhas aéreas: Avianca, Copa e Gol têm voos semanais para o Aeroporto Rainha Beatrix, em Oranjestad

 

Aluguel de carro: a diária sai por a partir de US$ 48. Para pacote de sete dias, a tarifa cai para US$ 37

 

Transporte público: a passagem de ônibus custa US$ 1,30. Os táxis têm tarifário fixo estabelecido pelo governo (do aeroporto Rainha Beatriz ao centro, a corrida custa cerca de US$ 20)

 

Arubook: serviço exclusivo para quem tem BlackBerry traz informações e telefones importantes da ilha

 

Melhor época: sempre vale a pena. Faz calor o ano inteiro, a temperatura média fica em torno de 28 graus e a ilha está localizada fora da rota dos furacões

 

Passeios: há diferentes opções de mergulho, para iniciantes e iniciados. Basicamente, o preço da saída com direito a três mergulhos varia entre US$ 50 e US$ 80 por pessoa. Já o parasail custa US$ 45 a cada 30 minutos

 

O que levar

 

Proteja-se do sol

Óculos escuros, chapéu, protetor solar (fator 50) e labial são fundamentais. À noite, abuse do hidratante

 

Calçados e roupas

A temperatura média fica na casa dos 25 a 30 graus. Portanto, roupas leves e sandálias são garantia de conforto

 

Equipamentos

Carregar seu próprio snorkel e sua máscara de mergulho é sinônimo de economia (o aluguel chega fácil a R$ 60 por dia). Leve câmera fotográfica e um bom cartão de memória

 

O que trazer

 

Papiamento

Divirta-se e aprenda palavras e expressões na língua original da ilha com o Guia Papiamento em Quatro Idiomas. Custa cerca de R$ 20

 

Souvenirs

Feira de artesanato local, o Bonbini Festival ocorre às terças-feiras, das 18h30 às 20h30, em Oranjestad. Ideal para os regalos de viagem

 

Bebida

O coecoei, licor típico, compõe coquetéis tropicais, como o Aruba Ariba. Por US$ 12

 

 

 

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