Contornos espanhóis e paisagem de riviera

Durante o século 18, enquanto imigrantes da Inglaterra e da Irlanda consolidavam seu domínio no leste dos Estados Unidos, a costa oeste recebia uma leva de frades franciscanos vindos da Espanha a fim de impor sua doutrina aos índios chumash, que já viviam ali antes de a Califórnia ser descoberta, em 1542, pelo português Juan Cabrillo.

SANTA BARBARA, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2012 | 03h11

Se os nativos não devem ter ficado lá muito felizes de terem suas terras e sua fé invadidas assim pela crença alheia, ao menos a região ganhou, graças às missões religiosas (foram 21 em toda a Califórnia, três em Santa Barbara), um perfil arquitetônico com feições mediterrâneas. Que ficou ainda mais bem definido depois que um grande terremoto arrasou a cidade, em 1925. Santa Barbara foi quase toda reconstruída com arquitetura em estilos espanhol e agregados. Uma vantagem, nota-se pela ausência dos arranha-céus típicos do jeito anglo-saxão de planejar cidades.

Sem paredões de concreto no horizonte, a proximidade entre as montanhas e o mar fica evidente de uma forma nada menos que deslumbrante. Tanto que a fotogênica Santa Barbara e seus arredores ganharam o apelido de Riviera Americana. A fileira de palmeiras à beira do calçadão, um ou outro tapete de miniflores na faixa de areia e barquinhos no horizonte só fazem tornar a paisagem ainda mais bonita.

Os edifícios desse renascimento arquitetônico do começo do século 20 se concentram principalmente no compacto centro, que tem na State Street a sua via principal. El Mirador, a torre da mourisca Courthouse (www.santabarbaracourthouse.org), casa judiciária de 1929, é um dos melhores mirantes da cidade. A subida é gratuita. Pelo caminho, azulejos da Tunísia e afrescos que narram a história local. O jardim de gramado milimetricamente aparado recebe estudantes com seus livros e apostilas e carrinhos de bebê.

Anteriores a esse período, a Casa de La Guerra, residência dos anos de 1820 que pertenceu à família homônima, uma das mais influentes socialmente no período, e o Presídio de Santa Barbara, reconstrução de um forte espanhol de 1782, foram convertidos em museus e recebem exposições de artes plásticas (sbthp.org; US$ 5 cada). Já a história das missões e da fundação da cidade está detalhada no prédio da Old Mission Santa Barbara (santabarbaramission.org; entrada a US$ 5). Para se deslocar entre os pontos, os carrinhos elétricos do Waterfront Shuttle (sbmtd.gov) custam US$ 0,25 por viagem, com transfer até a Old Mission, mais distante.

Vocação. Mas é na orla que a vocação para riviera revela todo seu potencial. O calçadão e a extensa faixa de areia têm frequentadores a qualquer hora do dia. O píer, mais tranquilo que o de Santa Monica, permite vistas e fotos deslumbrantes do pôr do sol por detrás das montanhas. Com direito a cenas de caiaques recortados contra a luz.

Além dos restaurantes e lojinhas de souvenir, fica ali o Ty Warner Sea Center (www.sbnature.org/twsc/2.html), uma das unidades do Museu de História Natural de Santa Barbara. Trata-se de um centro dedicado à riquíssima vida marinha da região. Vá com a desculpa de levar as crianças, que adoram, de fato. Mas esteja pronto para flagrar entusiasmo infantil em suas próprias reações. Porque não há como ficar indiferente ao tanque com dezenas de coloridíssimas estrelas do mar à disposição para serem tocadas, um festival de texturas. Nem à pele do tubarão, que o monitor segura para ser tocado. Ou aos caranguejos gigantes pescados na hora. Em uma das salas, há uma abertura no piso que dá direto no oceano. Espécimes capturados ali são temporariamente retirados da água para estudo.

Falésia. Alugar uma bicicleta (sempre ela) e pedalar em direção ao norte rende belas descobertas. Seja de forma independente ou em um tour guiado - US$ 119 com a Santa Barbara Adventure (sbadventureco.com).

Depois de uma subida leve, no começo do Shoreline Park, há um mirante diante de um ponto onde se formam boas ondas - surfistas não deixam de aproveitar. Cerca de dois quilômetros adiante, depois de fileiras de casas de madeira e jardins abertos, começa o El Camino de La Luz, que se estende sobre a falésia e guarda uma dramática sequência de penhascos junto ao mar.

Em mais uma etapa da pedalada, o bosque Douglas Family aproxima o visitante das montanhas de Santa Barbara - onde, nos trechos mais urbanizados, vive gente do quilate do cineasta Steven Spielberg e do ex-vice presidente dos Estados Unidos Al Gore. Fica por ali um ponto de decolagem de parapentes. Considere o trajeto como uma prévia, bem curta, 800 metros no máximo, de trilha de mountain bike para iniciantes.

E, como a essa altura, claro, já bateu a fome, termine o passeio em um piquenique nas mesas da praia Leadbetter. A deixa perfeita para tirar a roupa esportiva - vai dizer que esqueceu de colocar biquíni ou sunga por baixo? -, estender a canga e aproveitar o sol. / MÔNICA NÓBREGA

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