Contra a guerra, a arquitetura

Raw, real, rising, relaxing, refreshing, remarkable, Rotterdam. Eu acrescentaria ao slogan aliterado um resistente, reformadora, revolucionária, radical, roots. Roterdã foge do padrão holandês dos sobrados de tijolinho à vista. Ela aponta para o alto, com uns skylines que fazem pensar onde, afinal, fica o ponto de apoio daqueles prédios entrecortados.

ROTERDÃ, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2014 | 02h05

A cidade emergiu para a arquitetura e para o design depois do bombardeio nazista de 14 de maio de 1940, que arrasou seu centro histórico medieval. Entre o pouco que sobrou do episódio, destaca-se a Laurenskerk (Igreja de São Lourenço), protestante, restaurada com destemor para mostrar a resiliência dos rotterdammers.

Em volta e além dela cresceu a cultura do "em vez de reconstruir o que tínhamos, vamos construir o que ninguém tem" - no mínimo para ficar diferente de Amsterdã, com quem Roterdã trava lá sua rixa. Portanto, nada de Minhocão nem de três dormitórios, suíte, duas garagens e varanda gourmet. É tudo projeto pensado, como a Erasmus Bridge, desenhada pelo arquiteto Ben van Berkel em 1996. Ponte suspensa sobre o Rio Maas, ela é O Cisne, um ícone dos cartões-postais que liga o norte ao sul da cidade.

Também nesta parte conhecida como "Manhattan às margens do Maas" aparece o De Rotterdam, projeto de Rem Koolhaas, arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2000. São três torres interligadas que chegam a 150 metros de altura e que acomodam flats, um hotel quatro-estrelas construído essencialmente por mão de obra portuguesa (o Nhow), escritórios, lojas, restaurantes, cafés, academias, estacionamento e obras de arte de artistas locais.

Outro ponto forte: as cube houses, 40 casas em forma de cubo grudadas uma à outra sobre a Rua Overblaak. O nome por trás delas é Piet Blom, arquiteto que bolou essas residências em 1984. Duas delas são supercubes. As demais têm cerca de 100 metros quadrados e 25% desse tamanho é "inutilizável" por causa do ângulo de 54,7 graus de paredes e janelas.

Tal qual as casas-bola do brasileiro Eduardo Longo (que Rem Koolhaas chamou de a "melhor experiência arquitetônica que ele teve em dez anos"), as cube houses quebram paradigmas. Os três andares (a entrada no térreo, a sala de estar e a cozinha no segundo nível e dois quartos e um banheiro no terceiro) geram tanta curiosidade que o cubo de número 70 se transformou num museu para mostrar o interior. Em 2009, uma delas foi convertida em hostel pela cadeia Stayokay.

Gosto duvidoso. Controverso mesmo é o Papai Noel do artista americano Paul McCarthy, que aponta sua pontuda árvore de Natal para o céu da Holanda. Pensado originalmente para ficar na famosa praça Schouwburgplein, ele ali não teve boa acolhida.

Muitos cidadãos se incomodaram com sua possível conotação sexual. Papai Noel, então, acabou fixando residência na praça Eendrachtsplein, dentro de um projeto de estátuas ao ar livre chamado Westersingel. / MÔNICA MANIR

Escolha sua rua: a Beurstraverse tem as marcas mais

famosas; a Witte de Withstraat, artística e multicultural, tem cafés, galerias e modernidades; no bairro de Nieuwemarkt, conhecido como Soho de Roterdã, há lojinhas retrôs

Além das bicicletas, duas formas comuns de se locomover por Roterdã são o Waterbus e o Aqualiner. Eles circulam o ano todo, ficam ancorados perto da ponte Erasmusbrug e

levam a cidades próximas. Mais: en.rotterdam.info/visitors

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