Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão
Imagem Adriana Moreira
Colunista
Adriana Moreira
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Converter, divertir e não se endividar

Planeje-se e pague antes da viagem tudo o que for possível para depois poder aproveitar

Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2019 | 03h05

Se planejamento é palavra-chave para viajar bem, em tempos de incertezas econômicas ela se torna fundamental. Não apenas para conseguir colocar uma viagem em prática, mas especialmente para não voltar endividado. 

Segundo um estudo feito pelo aplicativo Guia Bolso com 300 mil usuários viajantes de sua base, as despesas com viagem somaram cerca de 10% do orçamento de janeiro a maio. Outro dado interessante é o montante gasto: R$ 834,72 em janeiro, em média (maior valor) e R$ 714,92 em maio (menor valor). “Esses dados refletem um tipo de comportamento e ajudam a dar dicas para quem pretende viajar”, explica o diretor de Produto e Tecnologia da empresa, Julio Duram. 

Por exemplo, faz sentido que o gasto seja maior em janeiro, mês de alta temporada em que passagens, hotéis e pacotes ficam mais caros. Em maio, em plena baixa temporada e com um único feriado (que caiu numa quarta-feira), os preços caem – e os gastos diminuem.

Não é nenhuma novidade que viajar fora das datas e períodos mais disputados é economia na certa. Nem sempre isso é possível, mas há feriados mais econômicos que outros. Por exemplo: viajar no Natal sempre será mais barato do que no ano-novo. Vale a pena negociar com a família e propor a reunião em uma data alternativa. Da mesma forma, a Páscoa custa menos que o carnaval. 

Mas digamos que você realmente queira viajar no ano-novo, ou só possa tirar férias com as crianças em janeiro. Se você já sabe de tudo isso, por que não se planejar? Você pode começar a pagar a viagem bem antes, conseguir tarifas melhores e terá apenas as despesas feitas no destino para pagar. Já é junho, que tal começar a pagar seu roteiro de fim de ano agora?

Em minha vida de viajante, já tomei ótimas e péssimas decisões financeiras. Usei o lema “quem converte não diverte” mais do que deveria. Perdi milhas, deixei para comprar dólares na semana da viagem com a esperança de o câmbio baixar ( nunca aconteceu). Me endividei por meses ao decidir fazer um curso no exterior duas semanas antes da viagem (dessa última, não me arrependo). 

Com base nas minhas experiências boas e ruins, pesquisa e o bate-papo com Duram, separei dicas que podem ajudar em uma época em que nunca se sabe onde o valor do dólar vai parar. Aliás, algumas casas de câmbio já oferecem o parcelamento da compra de moeda em até 12 vezes no cartão de crédito. É uma facilidade para quem precisa viajar de emergência, mas desnecessário se o objetivo for puramente se divertir. 

Organizar e controlar. Quanto você pretende gastar ao todo na viagem? Pegue esse montante e divida pelo número de dias no destino para saber quanto você pode gastar por dia. Obviamente, não é preciso seguir esse número à risca, trata-se de uma maneira de controlar os gastos. Se num dia você decidiu comer em um restaurante que extrapolava o orçamento, no outro escolha um lugar econômico. 

Duram recomenda economizar um pouco por mês para diluir as despesas aos poucos e não restringir a pesquisa da viagem à internet. “Nas agências físicas é possível barganhar e buscar descontos que não estão na internet”, diz. 

Fazer uma lista de destinos. Quais os destinos que você deseja conhecer? Faça uma lista e escolha de acordo com o momento econômico mais propício. “Passamos uma fase em que viajar no Brasil era mais caro do que para o exterior. É um movimento cíclico”, diz Duram. Com a lista em mãos, fica mais fácil substituir um destino que valorizou muito por outro financeiramente mais atraente. Buenos Aires, por exemplo, recebeu número recorde de brasileiros este ano: 770 mil – um reflexo da alta do dólar (impeditivo para viagens mais longas) e da desvalorização do peso. 

Compre moeda mês a mês. Não vale a pena arriscar a imprevisibilidade do mercado financeiro esperando o dólar baixar (como pude experimentar). Vá comprando a moeda mês a mês: eventuais flutuações acabam se diluindo a longo prazo e não pesam tanto no bolso. 

E o cartão de crédito? Use com moderação. “A maior dor de cabeça com gastos não é quando você está lá, mas quando volta”, diz Duram. “O melhor é evitar surpresas. Se o dólar baixa, a surpresa é boa. Mas se ele sobe, você pode ficar com uma dívida muito maior do que o esperado.” 

Não esqueça de cadastrá-lo em um programa de milhagens antes de viajar. E lembre-se: é possível sim converter, se divertir e não se endividar. 

*Envie sua pergunta para viagem.estado@estadao.com.

Tudo o que sabemos sobre:
câmbioeconomiaturismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.