Coração aos pulos entre remos e caldos

O rafting em Brotas surpreende. Mesmo que não seja o primeiro

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

31 Março 2009 | 02h42

A proposta de fazer o segundo rafting da minha vida soou tranquila. Ainda que a experiência anterior tivesse ocorrido há nove anos, eu acreditei que me viraria bem entre remos e comandos simples como "frente" e "ré". Cheia de confiança, peguei a estrada em direção a Brotas, a 240 quilômetros de São Paulo.

 

Sincronia sempre: turistas só precisam fazer um pouco de força enquanto o guia comanda o bote

A correnteza do Rio Jacaré-Pepira estava forte, mas não assustadora. A manhã ensolarada e o cheiro dos lírios-do-brejo tornavam a perspectiva de cair na água gelada ainda melhor.

Como em todo rafting, o percurso de 15 quilômetros começou em um trecho calmo do rio. "Sincronizem os movimentos. Todos devem seguir os remadores da frente", ensinava o instrutor. Do meu posto, o terceiro lugar da fila no lado esquerdo do bote ocupado por sete pessoas, percebi nossa incapacidade de seguir as orientações. Tudo bem: o instrutor é quem controla a direção do bote. Aos turistas cabe impulsionar o barco.

Passamos pelas primeiras quedas, de níveis entre 2 e 3 - a escala vai de 1 a 6, de fácil a intransponível - e alturas entre 1,5 metro e 2 metros. Com direito a emocionantes descidas de ré. Depois vieram cascatas de nível 3. E os primeiros tombos: ao chegar à base de uma descida, o bote cuspiu para fora duas de minhas amigas. Momento que rendeu gargalhadas. Pouco depois estávamos todos dentro d'água, no melhor trecho do rio para banho. As próximas três quedas seriam as mais radicais, de nível 4 (3 metros de altura).

Um por vez, os botes enfrentam a cachoeira. A sensação de cair no vazio dura poucos segundos - preenchidos por gritos, risadas e água no rosto. Lá embaixo, o coração chega aos pulos.

Então veio game over, a última e mais veloz, dividida por uma pedra. O bote tomou a direção correta, à esquerda, mas, na base, nossa inabilidade com os remos ganhou importância: o barco entrou no refluxo e passou a ser arremessado contra a pedra pela correnteza. A força da água inclinou a embarcação e tivemos de nos esforçar para manter a cabeça fora d'água. Aos poucos, a expressão de "será que estamos em perigo?" se repetiu em todos os rostos.

Mas o socorro dos caiaques de segurança chegou logo. Cordas resgataram o nosso bote. Aquela situação, soubemos depois, estava fora do script. Tomamos um caldo da game over, um imprevisto da natureza.

Se tive medo? Tivemos todos. Mas, apesar da conclusão de que somos péssimos remadores, deixei Brotas já pensando em agendar o terceiro encontro com o belo Jacaré-Pepira.

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