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Cores do Danúbio

As pontas agudas das torres do Parlamento espetam o céu de Peste, o Castelo de Buda repousa imponente na colina, enquanto a Ponte das Correntes une Budapeste sob os acordes de clássicos como Danúbio Azul. Embalado por essa atmosfera, o barco da AmaWaterways parte para a navegação até a Alemanha, atravessando Eslováquia e Áustria numa viagem de sete noites. Deveria ser assim. Não foi o caso.

NATHALIA MOLINA , ESPECIAL PARA O ESTADO , BUDAPESTE, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2012 | 03h11

Num período de seca, em novembro passado, a minha Descoberta do Danúbio Azul não começou ao som da mundialmente conhecida valsa de Johann Strauss. Batizado com esse nome, o roteiro teve como primeira revelação um rio com nível baixo demais para o embarque em Budapeste. Para a segurança de todos, fomos de ônibus até um ponto do Danúbio já fora da capital húngara, onde estava atracado o Amalyra, barco que nos levaria até a alemã Nüremberg.

A bordo seguiram-se muitas descobertas. A chegada foi sem complicações nem filas. Maior do que as cabines onde já dormi em transatlânticos, a minha parecia uma minissuíte de fato. O banheiro era pequenino, mas dispunha de duchas para massagear as costas. Diante da cama, uma tela servia de televisão e computador. O acesso à internet era gratuito ali e por rede sem fio nas áreas comuns - a revelação no decorrer dos dias, porém, foi de que a conexão pouco funcionou durante a viagem.

As margens do rio acompanharam a navegação bem de perto. Pela janela da cabine passaram vilarejos, antigas construções e montanhas. Fora dos momentos de contemplação, a recomendação de manter as cortinas fechadas se revelou bem útil, para não correr o risco de ter de dar tchauzinho para um austríaco na saída do banho.

Outra boa lembrança era devolver para o carregador na cabine o radiozinho necessário para os tours nas cidades. A cada parada, a AmaWaterways oferece visitas gratuitas. Os passageiros eram divididos em grupos e acompanhados por guias locais. Aí entrava em ação o tal radiozinho. Cada profissional definia uma frequência para seu grupo ouvir as explicações sem que ele precisasse sair gritando pela rua. Uma agradável descoberta, proporcionada pela tecnologia.

Algo já previsível em se tratando de turismo internacional, o inglês é a língua oficial no barco e nos tours. Surpresa é saber que, nas saídas da companhia em que dez cabines são ocupadas por brasileiros, a companhia oferece guia em português (confirme a disponibilidade com o agente de viagens).

Quem já fez esse roteiro no verão diz que viu famílias com crianças a bordo e a pista de dança ativa até as duas da manhã. A minha constatação de que a faixa etária a bordo superava os 50 anos não me surpreendeu, no entanto. Esse é o tipo de viagem em que o dia importa mais do que a noite. Após às 22 horas, permanecia fechada a porta de separação entre a recepção e o corredor para as suítes. O dia começava cedo, e apenas alguns australianos se arriscavam com frequência a atrasar o sono do barman. Num roteiro panorâmico assim, a rotina diária era encerrada mesmo no jantar, em grande estilo.

O cardápio e as bebidas à mesa mudavam conforme o barco cruzava fronteiras, uma delícia de sacada. A procedência do vinho sempre respeitava os produtores do país visitado. Os pratos igualmente acompanhavam as receitas típicas. A quantidade seguia o previsto em cruzeiros: a comilança era tremenda. Além de fartas refeições e lanches, havia café e chá com biscoitinhos até de madrugada.

Um barco menor, com mordomia, cortando o interior da Europa. Um programa bucólico, com história, desfrutando de gastronomia e bons vinhos. A minha grande descoberta foi ver que adorei fazer um cruzeiro fluvial. Mesmo considerando que o tempo estava frio e os dias foram mais curtos - os roteiros vão de maio a novembro, e eu peguei a última saída do Amalyra. Certamente tudo deve mudar muito no verão, do ritmo da viagem às cores da paisagem. Estive por lá no outono. Talvez por isso, a minha maior e final Descoberta do Danúbio Azul seja que... ele é verde.

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