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Cores e traços brasileiros pelas paredes mundo afora

De repente, aquela figura de pele amarelada estampada em tamanho gigante na lateral de um edifício do bairro de Kreuzberg, em Berlim, provoca um clique na memória. Logo, o traçado singular e textura única das criações dos brasileiros Os Gêmeos são reconhecidos ali, misturados à arte urbana que povoa a capital alemã. Há quem tenha passado por sensação semelhante diante de um mural em Lisboa, dos grafites nas vielas de Havana, em Cuba, ou até em paredes gregas. Pois os personagens da dupla ganharam o mundo e, não por acaso, estão prestes a protagonizar a primeira exposição individual dos irmãos nos Estados Unidos, na cidade de Boston.

BRUNA TIUSSU, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2012 | 03h09

Pinturas, esculturas e instalações duplamente imaginadas - os gêmeos Gustavo e Otávio costumam dizer que são inspirados por cores e imagens que compõem sonhos compartilhados - vão ocupar o Institute of Contemporary Art (icaboston.org; entrada a US$ 15) da cidade americana a partir de amanhã, e lá permanecem até 25 de novembro. Para celebrar o evento da maneira que melhor sabem fazer, com sprays em mãos, os artistas também vão deixar sua marca em um enorme mural do lado de fora do museu.

Não pense, porém, que Os Gêmeos estão sozinhos na expansão do grafite brasileiro por estruturas estrangeiras. Em 2007, a dupla contou com a ajuda de Nina Pandolfo e Nunca, outros dois expoentes da arte nacional, para colorir a fachada do Castelo de Kelburn (kelburnestate.com), na Escócia. As seis semanas de trabalho resultaram numa obra contemporânea ultracolorida que já foi considerada um dos dez melhores exemplos de arte urbana do mundo. E, consequentemente, atraiu o interesse de mais e mais turistas.

Figuras assinadas pelo quarteto - com a contribuição do grafiteiro Finok, mais um brasileiro -, também são destaque na galeria a céu aberto Wynnwood Walls (thewynwoodwalls.com), em Miami. Ali se vê, por exemplo, a representação de um indígena que atira o sapato em um homem de negócios, em uma visão crítica da modernização, criada por Nunca. Ou então o mural onde os homenzinhos folclóricos típicos de Os Gêmeos ocupam a traseira de um caminhão que flutua nos cabelos azulados da menina de Nina, que tem como marca registrada os olhos grandes.

Os traços delicados da artista, que remetem automaticamente à infância, ainda enfeitam murais em Munique e Dusseldorf, na Alemanha, além de poderem ser reconhecidos em terras nipônicas, no bairro de Shibuya, em Tóquio. Para Nina, a dispersão de sua arte é algo comovente. "Ver que meu trabalho fala com pessoas de outros países, independentemente da cultura ou classe social, é sempre uma honra", diz ela.

Gigantescos. Até Nova York, considerada o berço da arte de rua, se rendeu às intervenções brasileiras. Há cerca de um mês, o artista Kobra desembarcou por lá para atender ao convite de pintar um mural de 340 metros quadrados no Chelsea. A imagem clássica da enfermeira e do soldado que se beijam irradia cores na versão do brasileiro, e já se tonou parada obrigatória de quem passeia pelo bairro.

Depois de Manhattan, foi a vez de Los Angeles receber o artista. Brincando com cores e formas geométricas, registrou em um mural seu olhar sobre o Monte Rushmore, as icônicas esculturas que representam os quatro grandes presidentes dos Estados Unidos feitas pelo artista Gutzon Borglum, em Keystone. Toques de modernidade e brasilidade compondo a releitura da famosa obra norte-americana.

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