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Corrida de cavalos em ruas medievais

Disputa entre animais é o ponto alto da festa Cavallos del Vino, que faz a fama de Caravaca de la Cruz

Natália Zonta, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2009 | 02h18

"Cavallo en carrera", grita a plenos pulmões o animado locutor. Está dada a senha para o início da confusão. É um empurra-empurra danado, tudo para dar passagem ao cavalo que atravessa a multidão num galope. Agarrados a ele estão quatro homens com trajes medievais, que correm feito loucos tentando acompanhá-lo.

A festa de Cavallos del Vino, sempre de 1º a 5 de maio, é o evento do ano na pequena Caravaca de la Cruz. A vila fica lotada de gente que quer ver a disputa entre os 60 cavalos das diversas peñas (espécie de grupos). Ganha o animal que mais rápido chegar ao topo do morro, onde está a Basílica de la Santísima y Vera Cruz, com os quatro homens ao seu lado, em pé, sem terem caído nenhuma vez.

É claro que o evento também serve como desculpa para todos beberem vinho nas ruas. Para a celebração é feita uma bebida especial, mais doce e com teor alcoólico reduzido. Assim, dá para esvaziar taças o dia todo sem ficar (tão) alterado. Outro costume é usar um lenço vermelho no pescoço, como faziam os cavaleiros de outrora.

 

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Mesmo antes de a corrida de cavalos começar, a cidade já está fervendo. As ruas do centro histórico, de ares medievais, ficam fechadas para o desfile das peñas. Os grupos são como blocos de carnaval, com direito a fanfarra. Há quem se fantasie de cristão e os que seguem os mouros, em homenagem aos dois grupos que já disputaram o poder na cidade.

Tudo é feito com estilo. Os eleitos para serem os reis mouros e cristãos gastam fortunas em suas fantasias. Eles são os destaques da festa e desfilam como verdadeiros integrantes da realeza. Os cavalos não ficam para trás. Seus cascos são pintados de dourado e todos recebem mantos bordados. Na cauda, pompons coloridos.

TRADIÇÃO

A festa tem fundo religioso e está relacionada ao maior símbolo da cidade, a lendária Cruz de Caravaca. Por guardar a relíquia, Caravaca de la Cruz é considerada pelo Vaticano, desde 1998, a quinta cidade santa do mundo, ao lado de Roma, Jerusalém, Santiago de Compostela e Santo Toríbio de Liebana.

A cruz que dá nome à cidade fica na pomposa Basílica de la Santísima y Vera Cruz. A do altar e a que é levada pelas ruas de Caravaca nos dias de festejo são réplicas. Conta a lenda que o objeto foi trazido à Terra por anjos, bem no momento em que um padre era questionado sobre sua fé por um rei mouro. O milagre teria comovido tanto esse rei que todos os muçulmanos da região teriam se convertido ao cristianismo.

A origem do rito da corrida dos cavalos também tem relação com o período de ocupação muçulmana. Dizem que, no século 13, a Ordem Militar del Temple (os guerreiros templários) teria defendido a população, que se refugiara atrás das muralhas da fortaleza. Quando já não havia mais água para todos, os templários teriam conseguido roubar barris de vinho e neles mergulharam a Relíquia de La Cruz. Os doentes que beberam do líquido teriam se salvado.

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