Córsega: o berço de Napoleão

ADRIANA MOREIRA / AJACCIO, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2014 | 02h06

Uma ilha onde os nativos preferem cuidar dos rebanhos a pescar. Onde a paisagem mais marcante não é de coqueiros e areia branca, mas de montanhas escarpadas e dramáticas. Onde o cenário de vilarejos de ruas estreitas é tipicamente italiano, dentro do território francês. Conforme se avança pela Córsega, mais e mais peculiaridades se revelam.

Desembarcamos em Ajaccio, a capital. Napoleão, filho ilustre da cidade, dá nome ao aeroporto e a uma infinidade de ruas, praças e lojas pela ilha. Ajaccio tem, ainda, um trunfo: a casa onde nasceu Napoleão, em 15 de agosto de 1769. Desde 1967, o local é um museu simples, com objetos de época e histórias dos familiares do general.

Não faz sentido, contudo, se ater à capital. O melhor está fora de Ajaccio - vale ter um carro à mão para explorar a ilha. Mas tenha cuidado: os corsos não são exatamente bons motoristas. E as estradas se mostram estreitas, com barrancos tão ameaçadores quanto espetaculares.

É assim em Les Calanche de Piana, patrimônio da Unesco ao norte de Ajaccio. Trata-se de uma pequena parte do Parque Natural Regional da Córsega, que ocupa dois terços da ilha. São muitos os mirantes - e o vilarejo de Piana, medieval, é encantador. Vá parando, sem pressa.

Ao sul, Bonifácio é parada de cruzeiros. Agitada, viva, festiva, desperta amores à primeira vista. Sim, porque a entrada entre seus paredões é simplesmente memorável. Se você chegou por terra, passeios de barco (desde 17,50) partem da marina o dia todo e revelam porque a cidade ganhou fama. Dentro das grutas formadas pela ação das águas e dos ventos, um mar de azul cristalino encanta os olhos e a alma.

Em terra, pegue o trenzinho para o centro antigo (ou cidadela) e se embrenhe entre as ruazinhas. Um city tour por Bonifácio deve incluir a Fortaleza e a Escalier du Roi d'Aragon, escadaria de 187 degraus que leva a uma trilha entre as falésias. Ah: não perca o pôr do sol.

Balneário ostentação. Milionários e celebridades adoram a discrição da Córsega e de seus hotéis exclusivos, que evitam revelar o nome de seus hóspedes mais famosos. O mais luxuoso - e, ao mesmo tempo, cheio de simplicidade - é o Domaine de Murtoli, a pouco mais de uma hora de Bonifácio.

Não se trata de um hotel tradicional. Com ares de fazenda, as 20 habitações, ou melhor, villas, estão distantes umas das outras. De modo que é muito difícil encontrar outro hóspede, a não ser no bar da praia ou no Grotto, o restaurante do hotel instalado dentro de uma caverna.

Paul Canarelli, idealizador do empreendimento, conta que as terras pertenciam ao avô, morto em 1993. "Ele dizia: se fizer fortuna, não esqueça suas raízes." Canarelli passou a restaurar as casas da propriedade e comprar o que havia nas terras vizinhas. Hoje, as villas esperam os turistas com ammenities L'Occitane. Há opções para até 13 pessoas - diárias desde 320.

Já para endinheirados que buscam agito, Porto Vecchio é o local ideal, com baladas recheadas de VIPs, praias para ver e ser visto e lojas feitas para deixar seu cartão de crédito no vermelho. É lá que está o Casa del Mar, hotel de luxo cujo restaurante ostenta uma merecida estrela Michelin. O menu degustação custa 195 - vale a pena, considerando que só as entradas começam em 49 e os sabores são, de fato, extasiantes.

Raízes. Mas se os turistas buscam as praias, as raízes corsas estão nas montanhas. A encantadora Corté, antiga capital da Córsega, está no coração da ilha. Cercada por muralhas, erguidas em 1419, a cidadela - que ganhou o apelido de Ninho de Águia por sua localização estratégica - guarda lojinhas simpáticas e restaurantes tradicionais em meio a um casario preservado.

A tradição pastoral, com criação de cabras, ovelhas e porcos, segue viva em Corté. Aproveite para provar os embutidos, algo fundamental na mesa corsa. No centro histórico, o ponto mais tradicional para provar a charcuterie é a Casa Curtinese, que vende linguiças, salames e queijos - são 2.700 produtos no menu.

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