Dennis Fidalgo/AE
Dennis Fidalgo/AE

Cortina de fumaça

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O Estado de S.Paulo,

13 Fevereiro 2012 | 21h15

Encravada na Cordilheira dos Andes, a cerca de 100 quilômetros de San Pedro, está uma das atrações mais icônicas do Atacama. Cerca de 500 vãos e falhas geológicas fazem o solo expelir colunas de fumaça branca de até 10 metros de altura (e 85 graus de temperatura) no campo de gêiseres El Tatio. Um espetáculo deslumbrante que requer disposição e algum sacrifício para ser admirado.

Você já deve ter lido por aí: o passeio começa cedo. É preciso acordar por volta das 5 horas e se agasalhar muito bem. Durante a minha visita, a temperatura era de 7 graus negativos - mas pode chegar a 30 graus negativos.

Madrugar ajuda a aproveitar melhor as cores do lugar, que variam de tons de cinza, na semiescuridão, ao contraste deslumbrante do azul do céu com as montanhas, depois que o sol nasce. Além disso, os gêiseres entram em atividade mais intensa assim que o sol pula no horizonte. As explosões que resultam no fumacê ocorrem pelo contato de lençóis subterrâneos de água com rochas incandescentes. São muitas a cada minuto. Trabalho de sobra para a máquina fotográfica.

Como os nativos

Distante da poluição e das luzes artificiais das cidades grandes existe um céu tão limpo e salpicado de estrelas que chega a ser difícil de acreditar. As noites no Atacama são as mais estreladas que já pude admirar - e, sob ele, os guias explicam um pouco da influência dos astros na vida do povo andino. Pela posição das constelações, por exemplo, os nativos avaliam se haverá chuva ou não em determinados períodos.

Já de manhã, em clima de despedida, encerrei a visita ao Atacama em uma caminhada com lhamas, que praticamente se confundem com a paisagem e foram importantíssimas para os incas, que as domesticaram. Enquanto os guias listam os atributos dos animais - transportam carga, fornecem couro e lã - aproveito para dar uma última olhada ao redor, na paisagem inesquecível do deserto.

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