Costumes milenares transformados em coloridos festivais

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Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2009 | 02h36

Tradição

FANTASMAS - Segundo a crença, portões do inferno

se abrem entre junho e agosto

Tiro, dragões em disparada, público ao delírio. São 500 metros de competição acirrada pelo leito do Rio Keelung. As equipes remam em compasso, a arquibancada vibra, o locutor incentiva. Os dragões mais rápidos se classificam para outras fases. E o alvoroço recomeça junto ao disparo seguinte.

Esse ritmo frenético embala Taipé durante os quatro dias do Festival do Bote do Dragão, um dos mais importantes do país (leia mais sobre os outros festivais ao lado). A cidade para - é feriado nacional - e se enche de cores para honrar a memória do poeta chinês Qu Yuan (340-278 a.C.).

Os dragões em forma de botes navegam em busca do corpo de Yuan, que se atirou no rio para protestar contra as políticas de governo de sua época. O povo, desesperado, rema na ânsia de encontrá-lo e joga no rio o típico zongzi, um bolinho de arroz embalado em folhas de bambu, para alimentar os peixes e, assim, evitar que eles comam o poeta.

A tradição manda que o festival ocorra sempre no quinto dia do quinto mês do calendário lunar (a data cai entre maio e junho), aniversário da morte de Yuan. E é seguida à risca há pelo menos dois mil anos. Hoje, os remadores são estudantes, empresários e atletas profissionais não só de Taiwan, mas também de países como Japão, China, Malásia, Estados Unidos, França e Alemanha.

 

As equipes treinam o ano inteiro para participar das competições da festa. Transformam seus botes nos mais temíveis dragões - eles assustam os peixes, segundo a crença - e jogam no rio, além do zongzi, outras oferendas.

Entre uma e outra disputa, todos comem, bebem e se divertem na feira montada às margens do Rio Keelung. Ao som dos melhores ritmos em mandarim - e até de um autêntico forró brasileiro, que ninguém sabe explicar como foi parar ali -, dezenas de tendas ao ar livre vendem petiscos. Camarões no espeto, pedaços de frango, porco e toda sorte de docinhos. O mais famoso é o tamal, espécie de pamonha, produzido aos quilos especialmente para festa.

 

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Algumas barracas têm jogos para crianças, de pescaria a boliche, num estilo bem junino. Entre outros artigos à venda estão vasos e sachês. Os taiwaneses enchem de plantas e perfumam suas casas para pedir sorte e saúde. Questão de tradição.

linkFestival do Bote do Dragão: http://2009dragonboat.tpec.edu.tw

CALENDÁRIO

linkAno Novo Chinês | A virada do ano cai na segunda lua nova após o solstício de inverno - entre janeiro e fevereiro - e é comemorada com fogos, velas e incensos

linkFestival das Lanternas | As celebrações do Ano Novo Chinês terminam com o Festival das Lanternas, entre janeiro e fevereiro. Os templos ficam iluminados por lanternas

linkFestival dos Fantasmas | Acredita-se que os portões do inferno abram no primeiro dia do sétimo mês lunar, entre julho e agosto, conhecido como Mês dos Fantasmas. O clímax do festival ocorre no 15.º dia

linkFestival do Meio-Outono | No 15.º dia do oitavo mês lunar (entre setembro e outubro), as famílias se reúnem sob a lua cheia para comer bolos com a forma do astro. Celebra-se a lenda de Chang E, que teria flutuado à lua depois de tomar o elixir roubado de seu marido.

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