Crie a própria peça, como os profissionais

Com uma plaquinha de metal em mãos, espátula e uma lista de cores em pó disposta em cima da mesa, você está pronto para brincar de esmaltador. Vale fazer um desenho (ou tentar pelo menos), uma figura abstrata, misturar cores, apostar em espaços vazios. Enquanto arranja e rearranja sua futura obra-prima, na verdade tem apenas uma vaga ideia do resultado final. O glamour da peça esmaltada só vai aparecer depois de submetida ao calor do forno. É lá que a matéria de fato se transforma, liberando todos os seus segredos de textura e cores.

LIMOGES, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2011 | 03h08

A experiência faz parte da visita turística à La Maison de l'Email ( 9; enamel-house.com), ou Casa do Esmalte de Limoges. Recém-inaugurada, foi criada como um misto de ateliê para artistas, oficina de cursos para quem se interessa pela técnica, espaço de exposições e loja. Aliás, um rápido tour por ali, duas ou três peças observadas de perto, e você vai querer guardar sua plaquinha de metal no bolso para sempre.

Assim como na porcelana, o que se vê na cidade, principalmente ao longo dos últimos cinco anos, é um gigantesco movimento de renovação também quando o assunto é o esmalte. Artistas contemporâneos se libertaram da técnica tradicional. Ou melhor, a reinventaram, variando as plataformas de trabalho. Deixaram de lado as formas artísticas que ganharam fama lá trás, como as imagens sacras, paisagens bucólicas e retratos, para começar a investir no que chamam de ousadias artísticas.

O esmalte se tornou, então, material base para criações de obras maiores, modernas, que conversam diretamente com os temas da atualidade. Os jovens artistas foram além, e também testam novos aspectos, aplicando-o em conjunto com outros materiais, como tecido, bambu e mármore. Toda experiência é válida. Exemplo disso é a obra composta de latinhas de sardinhas esmaltadas do artista Laurent Vaury, que ilustra a capa desta edição.

Móveis, luminárias, enfeites decorativos e até as pequeníssimas peças da indústria de joias e bijuterias também passaram a receber as cores, texturas e brilho do esmalte. Exibidas nas vitrines da cidade como verdadeiras obras de destaque, atraem o olhar de qualquer um que por ali passe.

Patrimônio. Para conferir peças tradicionais, aquelas que reinavam absolutas na Idade Média e eram objeto de desejo da nobreza e clero, vale se deter no último andar do Museu de Belas-Artes. O espaço é totalmente dedicado ao esmalte, com uma das mais ricas e completas coleções. São mais de 600 peças vindas dos ateliês de Limoges desde o século 12, entre relicários, vasos, cálices e demais objetos religiosos que acabaram conferindo certa fama internacional ao museu.

Outra opção é simplesmente caminhar pela cidade. Sobretudo no bairro antigo, alguns edifícios históricos exibem detalhes coloridos nas suas fachadas que também são pinturas em esmalte. Às vezes estão em destaque; em outras, porém, são tão discretos que é preciso olhos clínicos para não deixá-los passar despercebidos. / B.T.

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